Todas as vezes que sento para escrever, me vêm à cabeça tantas histórias que é difícil escolher uma. Às vezes estamos tão habituados com nossa rotina que certos detalhes ou temas passam despercebidos, certo? Eu, por exemplo, tão acostumado a ver pessoas entrando e saindo de empresas, nunca escrevi sobre esta fase de transição. Como algumas pessoas agem nos últimos dias de uma empresa e nos primeiros dias da nova – e os problemas e gafes em comum que vários deles encontram e cometem. Lembrei-me da história de Nathália.

Filha de um empresário do ramo alimentício, Nathália cursou arquitetura e conseguiu uma indicação para entrar em um grande escritório de arquitetura em São Paulo. Lá permaneceu por um ano e meio, onde não conseguiu se adaptar a cultura da empresa. Teve problemas de relacionamento com alguns colegas, e com os que se dava bem, vivia fofocando.

No começo, deu várias sugestões que fizeram os olhos dos colegas e superiores brilharem. Mas, pouco tempo depois, seu comportamento tempestivo e mandão se mostrou um grande empecilho. Ela não aceitava as normas da empresa, além de repetir que todos deveriam fazer à sua maneira alguns dos procedimentos implantados ali pela diretoria.

Isso despertou desconfiança pelos colegas, a indignação dos superiores e a ira dos sócios da companhia. O resultado, que todos naturalmente imaginavam, é que ela seria desligada em breve, mas isso não aconteceu. Querendo ou não, ela era boa naquilo que fazia e não foi demitida. Enquanto isso, sua indignação sem motivos a fez procurar por outro emprego nas principais concorrentes.

Conseguiu o emprego em uma concorrente e pediu a demissão. Antes de sair, acessou a rede da empresa, modificou todas as pastas ao seu jeito, copiou todos os arquivos da empresa que pertenciam a ela (e alguns de outros colegas também), e resolveu questões pessoais individualmente com cada uma das pessoas que tinha ou já teve algum problema. Até que então, o seu último dia na empresa chegou. Deixou as portas bem fechadas com todos os ex-colegas.

Ao começar na nova empresa, seu comportamento, obviamente, não mudou. Mesmo sendo nova, criticava e dava opiniões nos trabalhos de todos os outros colegas. "Por que não faz assim? Por que não faz desse meu jeito?". Os colegas acabaram desconsiderando as atitudes, afinal, "ela acabou de vir de uma concorrente, é natural que queira fazer algumas coisas diferentes". Ledo engano. Nas conversas informais, chamava a antiga empresa de "pequena", que não tinha visão e era tradicionalista demais. Podia até ser, mas falar mal do antigo empregador é a máxima número um da lista de itens das "pessoas que acabaram de entrar em um novo emprego não devem fazer".

Após pouco tempo de empresa, foi deslocada para uma sala isolada com a justificativa de "ter um trabalho de destaque". Podia mesmo ter uma vocação para o ofício, mas o resto da companhia simplesmente não aguentava o comportamento da moça.

Por mais que a conduta de Nathália fosse seu principal problema, ela cometeu uma série de gafes que muitas pessoas comuns fazem quando estão trocando de empresa. No artigo de terça-feira, contarei a vocês quais são essas gafes e como fazer essa transição de emprego de maneira tranquila. Até lá!

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