Apesar da alta da gasolina em outubro e do aumento do pedágio em dezembro, 2006 deve ter o menor índice de tarifas públicas dos últimos quatro anos. A estimativa é do Departamento Intersindical de Economia e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), que há quatro anos acompanha os preços de produtos e serviços administrados por contrato ou com preços monitorados pelo governo. Em outubro, eles ficaram apenas 1,10% mais caros na região de Curitiba. Já no acumulado do ano os preços estão em queda de 0,14%.

Para o Dieese, o aumento no preço da gasolina (6,39%) foi causado pelo aumento da margem de lucro dos postos, que passou de R$ 0,16 em setembro para R$ 0,32 em outubro. "É a especulação de sempre, que aumentou pela seqüência de feriados porque é quando as pessoas abastecem mais. Mas em novembro o preço deve cair", diz o economista Sandro Silva. Um fator que deve contribuir para isso é o aumento da proporção de álcool anidro na gasolina – será elevada de 20% para 23% na próxima segunda-feira. Para o Dieese, a queda no preço deve ser de R$ 0,03.

Apesar da pressão do combustível, a cesta de tarifas em 2006 é deflacionária, com queda de 0,14%, influenciada pelo não-reajuste da água e do esgoto e pelo reajuste negativo da energia para residências e do telefone. Em novembro, o Dieese estima tarifas estáveis, com leve alta de 0,71%.

Em dezembro, a variação dependerá do reajuste a ser aplicado pelas concessionárias de rodovias nas praças de pedágio. Em 2005, os índices variaram de 6,45% (em praça da Viapar) a 14,67% (em praça da Econonorte).

Outro reajuste que pode ocorrer entre dezembro e janeiro é o da taxa de água e esgoto, que em 2005 não foi alterada. Mesmo contando com essas duas revisões, a inflação das tarifas no ano será baixa e puxará para baixo o IPCA, índice oficial usado pelo governo, que deve fechar o ano em 3%. As tarifas representam um terço do valor.

Nos últimos 12 meses, a cesta de tarifas tem inflação de 1,02%, inferior ao IPCA (inflação nas famílias com renda de até 40 salários mínimos) e ao INPC (renda de até 8 salários mínimos) nacional. "Refresca o orçamento das famílias, que gastaram em outubro média de R$ 484,49 com tarifas", diz Silva.

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