• Carregando...
 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Realidade no mercado imobiliário curitibano nos últimos quatro anos, o cenário de retração na oferta de novos empreendimentos deve se manter em 2016, pelo menos neste primeiro semestre. As incertezas políticas, o volume de distratos e os problemas decorrentes da crise econômica – como a alta dos juros e a redução da oferta de crédito – devem fazer com que as construtoras sejam mais cautelosas em relação ao lançamento de novas unidades e concentrem seus esforços no estoque disponível, que era de 10,5 mil unidades em novembro de 2015.

INFOGRÁFICO: número de apartamentos lançados em Curitiba vem caindo desde 2011

Até aquele mês, foram colocados à venda em Curitiba 2,5 mil apartamentos residenciais novos, pouco mais da metade do ofertado durante todo o ano de 2014. Em relação a 2011, período em que a cidade vivia o boom imobiliário, a retração chega aos 85%. Os dados são da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR).

LEIA MAIS: Minha Casa, Minha Vida terá destaque

“Como qualquer outro mercado, tudo vai depender do que a empresa tem em estoque. Se estiver com a prateleira cheia, terá primeiro que arranjar espaço para, então, lançar novos produtos”, ilustra Leonardo Pissetti, diretor de empreendimentos da Swell Construções e Incorporações.

Banco de terrenos

A retração na oferta de novos lançamentos imobiliários teve reflexos, também, no mercado de terrenos. Com a redução do apetite das empresas por áreas na cidade, o que se vê é um crescimento da oferta, que favorece o incorporador que tem caixa disponível e deseja investir na ampliação de seu banco de terrenos, vislumbrando projetos futuros.

A incorporadora PDG é uma das empresas que tem como foco o ajuste do estoque. Com áreas prontas para receber projetos em Curitiba – um deles comercial, no Centro, e outro residencial, no Champagnat – a empresa irá segurar os lançamentos neste primeiro semestre para trabalhar com os apartamentos já disponíveis para venda, que somam cerca de 600 unidades e R$ 150 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), de acordo com o gerente da regional Sul, Felipe Sebben.

Lançamentos

Para 2016, a previsão é a de que o maior volume de lançamentos seja ofertado pelas construtoras de pequeno e médio portes, com atuação local. “Ao contrário do que aconteceu com as grandes companhias, em especial com as de atuação nacional, estas empresas não tiveram grandes lançamentos no passado, o que faz com que não tenham problemas de estoque”, explica Fábio Tadeu Araújo, diretor de Pesquisa de Mercado da Ademi-PR.

Neste cenário, deverão se destacar os empreendimentos “de nicho” ou que estejam mais adequados às condições atuais do mercado, tendo como carro-chefe os famosos prédios de bairro – de dois e três dormitórios e metragem privativa entre 60 m² e 120 m².

Umas das empresas que irá lançar dentro deste perfil é a Swell. Além do BonneVie Home & Living, lançado nas últimas semanas de 2015, no Portão, a empresa irá apresentar outros dois empreendimentos em 2016 (ou até o primeiro trimestre de 2017): um nas Mercês, com 43 unidades, e outro na região do Alto da XV, com 47 apartamentos.

Minha Casa, Minha Vida terá destaque

Com recursos garantidos pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviços) no final de 2015 e mudanças nas regras, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deve estimular as empresas a investirem na construção dos empreendimentos enquadrados no programa de habitação social, colocando-os em uma posição de destaque em 2016.

Tal fato se deve, principalmente, à elevação do teto dos imóveis do MCMV, que passou a ser de R$ 200 mil para Curitiba e R$ 180 mil para a Região Metropolitana. Como lembra Fábio Tadeu Araújo, diretor de Pesquisa de Mercado da Ademi-PR, isto pode fazer com que as empresas que trabalhavam com valores próximos a esses, mas que antes ficavam de fora do programa, agora possam “entrar no jogo”. “O aumento do teto também deve fazer com que as construtoras voltem a lançar MCMV em Curitiba, o que deverá ajudar o mercado a retomar o processo de crescimento”, avalia.

Uma das empresas que acredita neste movimento é a MRV Engenharia. Marcelo Alisson Alves Mendes, gestor executivo de vendas da regional Sul da construtora, diz que o aumento dos limites do teto trouxe um bom fôlego para a empresa, que investe neste perfil de empreendimento.

Em 2015, a MRV lançou o Spazio Connection, em Curitiba, que tem 256 apartamentos dentro do MCMV. Para 2016, a previsão é lançar mais três empreendimentos na capital, sendo dois na região do Pinheirinho e um no Abranches, e outros dois na Região Metropolitana, em São José dos Pinhais e Araucária. Todos estarão enquadrados no programa.

0 COMENTÁRIO(S)
Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Máximo de 700 caracteres [0]