A Copel estuda a possibilidade de vender parte de sua participação na Usina Elétrica a Gás (UEG) de Araucária no ano que vem. De olho na potência assegurada de energia da termelétrica em tempos de escassez de chuva, Eletrobrás e Eletrosul já demonstraram interesse em se associar à companhia paranaense no empreendimento. De acordo com o diretor-presidente da Copel, Rubens Ghilardi, existe possibilidade de venda de até 29% da usina, o que garantiria ao estado a continuidade no controle da UEG com a manutenção de 51% do capital.

"São negociações que já estão em andamento há algum tempo, mas que só devem avançar no ano que vem, por conta de definições no cenário político", afirmou Ghilardi em entrevista coletiva, nesta segunda-feira, sobre o balanço da empresa. O interesse das outras elétricas na usina se dá por conta do regime inconstante de chuvas registrado na região Sul e Sudeste. Segundo Ghilardi, os reservatórios de água do Sul e Sudeste estão com 40 a 50% de capacidade e, para que se mantenha esse nível, o sistema terá de continuar contando com a operação das termelétricas.

Assumida oficialmente pela Copel em maio deste ano – com a compra da totalidade das cotas pertencentes à norte-americana El Paso –, a UEG Araucária funcionou somente por 40 dias (entre setembro e outubro deste ano), em caráter de emergência, durante o período mais crítico da estiagem. Por solicitação do Operador Nacional do Sistema (ONS), a operação emergencial da usina fica à disposição até dezembro. Neste curto período de funcionamento, a usina contabilizou receita de R$ 42,8 milhões para a Copel – o suficiente para cobrir custos de funcionamento e dar um pequeno lucro, disse Ghilardi.

Passado o período emergencial, a expectativa da Copel é de que a UEG só passe a operar efetivamente em 2010, quando acontece o próximo leilão de energia nova da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Até lá, prevê o diretor-presidente, a usina passaria por retificações necessárias para um pleno funcionamento ou pode vir a ser locada para a Petrobrás. "Ainda este mês deve ser definida uma negociação que iniciamos com a Petrobrás em outubro", explicou o presidente. A UEG deve ser locada por um ano, com possibilidade de renovação de contrato.

A Eletrosul, por meio da assessoria de imprensa, confirmou que analisa a possibilidade de compra de ações da UEG Araucária, mas não informou detalhes. Já a Eletrobrás e a Petrobrás não comentaram a possibilidade de fechar negócios com a Copel envolvendo a usina.

Balanço

O presidente da Copel avaliou como "excelentes" os resultados da companhia nos três primeiros trimestres deste ano. Segundo balanço divulgado na sexta-feira, a Copel alcançou um lucro líquido de R$ 932 milhões até setembro, contra R$ 309 milhões nos primeiros nove meses do ano passado. Parte deste resultado – R$ 423,8 milhões – se deve à chamada "reversão" de valores relativos ao contrato de gás com a UEG Araucária. Com a compra do controle da usina termelétrica, a companhia incorporou às suas receitas o dinheiro que reservava mensalmente para bancar despesas previstas em contrato. "Estamos caminhando para superar o resultado recorde que alcançamos em 2005", afirmou Ghilardi.

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