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"Tenho certeza que a situação só irá piorar", sentencia Carlos Mendonça, especialista em segurança digital, ao comentar o crescente número de downloads ilegais de livros digitais. Para o engenheiro, diretor da empresa DigiSign, que atua em proteção de conteúdo, apenas o uso de sistemas de codificação e criptografia atualizados, como os utilizados nas urnas eletrônicas, pode barrar a pirataria. Leia abaixo a entrevista.

O mercado editorial está marchando inexoravelmente para uma explosão da pirataria a partir da popularização dos leitores de livros digitais?

Sem dúvida. Não devemos nos esquecer que esses dispositivos de leitura adotam padrões de Gestão de Direitos Digitais (DRM, na sigla em inglês) fracos. Os DRMs mais disseminados no mercado, incluindo os do Kindle e do iPad, já foram quebrados, pelo simples fato de que foram construídos com tecnologias de proteção ultrapassadas. Segundo pesquisa da empresa de softwares antipirataria Attributor, a procura por livros pirateados diariamente é estimada em 3 milhões de consultas no mundo.Essa é também a realidade do Brasil. Segundo a Associação Brasileira de Direitos Repro­gráficos (ABDR), sua equipe técnica retirou do ar mais de 15,7 mil links para downloads ilegais de livros digitais entre agosto de 2009 e janeiro de 2010. Nesse mesmo período, foram detectados mais de 500 mil downloads ilegais de livros digitais no país. Tenho certeza que esta situação só irá piorar.

É possível criar um sistema de autoração e transmissão seguro, que impeça cópias ilegais? As indústrias fonográfica e cinematográfica, consideradas mais fortes, não conseguiram...

Já existem no país e no mundo tecnologias adequadas para criar DRMs fortes e que protegem qualquer conteúdo digital. São tecnologias de certificação digital e criptografia, as mesmas utilizadas no Imposto de Renda via internet, na urna eletrônica e no sistema financeiro. Elas protegem o conteúdo digital, que pode ser texto, som ou imagem, em toda a cadeia produtiva: criação, armazenamento, distribuição e leitura. Tal conteúdo fica criptografado, impedindo a cópia e disseminação na internet ou em outro meio digital pirata.

Creio que industrias fonográfica e cinematográficas superestimaram sua força econômica e tradição, e subestimaram a força da internet. Eles acreditavam que poderiam conter o avanço da pirataria apenas por meios legais; foram atropelados pela tecnologia. Espero que isto sirva de alerta para a indústria editorial e de informação, onde o desrespeito aos direitos autorais também é muito grande.

Em que medida a atual pirataria de livros, com cópias xerox, já afeta o mercado editorial?

Segundo a ABDR, a pirataria de livros didáticos causa um prejuízo superior a R$ 400 milhões por ano às editoras, tanto pela internet quanto por xerox: são estimadas mais de 3 bilhões de cópias por ano, apenas de livros didáticos. Enquanto o número de Instituições de Ensino cresce no país, o numero de títulos publicados diminui. É um grande prejuízo cultural e científico para o país. Creio que o único meio de acabar com isso seria as Ins­ti­tuições de Ensino e as editoras adotarem uma solução que permitisse aos alunos o acesso a todos seus livros didáticos em formato digital, devidamente protegido por um DRM forte, o que desestimularia a cópia xerox.

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