A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) trabalha a proposta de tornar obrigatória a publicação da remuneração dos principais executivos das companhias abertas. A medida tem como objetivo aumentar a transparência das empresas e segue uma tendência internacional. Nos Estados Unidos, os salários e bônus são publicados – tanto que, no mês passado, o jornal The New York Times fez um ranking dos executivos mais bem pagos do país.

O argumento em favor da abertura é o de que os acionistas têm direito de saber como é a estrutura de incentivos. Vários escândalos corporativos recentes, afinal, tinham alguma relação com a remuneração de executivos. No caso da Enron, empresa de energia norte-americana que maquiava seus balanços, seus diretores ganhavam ações como parte do pagamento e tinham interesse na valorização de curto prazo dos papéis.

"Indiretamente, essa é outra maneira de controlar o comportamento da governança nas empresas", avalia Elismar Álvares, coordenadora do Núcleo de Governança Corporativa da Fundação Dom Cabral. A simples publicação dos dados, porém, não é garantia de que haverá um comportamento melhor por parte dos executivos, pondera a especialista.

O professor da Administração da FGV Joaquim Rubens Fontes Filho comenta que a estrutura de bonificação pode aumentar o apetite por risco dos executivos, mas não vê como a publicação da remuneração melhoraria a gestão. "Pode ser que haja pressão para redução de bônus e que isso leve à contratação de executivos menos preparados, por exemplo", diz.

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