Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Guilherme Boscardin, que voltou ao Brasil após cinco anos: trabalho no exterior durante a crise foi “período de aprendizado” | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Guilherme Boscardin, que voltou ao Brasil após cinco anos: trabalho no exterior durante a crise foi “período de aprendizado”| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Entre os brasileiros que estão voltando, a maior parte é das áreas de engenharia e finanças e marketing – ou porque o setor está desaquecido no país de expatriação ou porque está em plena expansão no Brasil. O engenheiro civil Paulo Garcez Beckert, de 44 anos, está desde fevereiro em Curitiba. Voltou depois de mais de uma década nos Estados Unidos. "Fui fazer MBA lá em 1994 e fui ficando. Trabalhei na construção de condomínios, fazendo toda a parte de aquisição de terrenos, tramitação nos órgãos públicos, etc. Com a crise de 2009 eu e muitos amigos, tanto brasileiros quanto americanos, ficamos sem emprego", conta.

Saindo dos EUA, Beckert tentou a sorte em Angola. "Fiquei por um ano e meio lá, mas é tudo muito difícil. As coisas não andam, a corrupção é grande e a fiscalização não existe", diz o engenheiro. "Sou cidadão americano e minha família – esposa e dois filhos – continua nos EUA. Se aparecer algo interessante fico no Brasil, mas, se em um ano ou dois os EUA voltarem a admitir, eu volto para lá."

Ao contrário de Beckert, o executivo da área de logística Guilherme Boscardin voltou para ficar. Ele morou no exterior por mais de cinco anos, depois de conseguir uma oportunidade na Procter & Gamble. "Cheguei a Londres sem nada certo, sozinho e sem conhecer muita gente, por isso meu foco foram mesmo as multinacionais. Quem tem o idioma e a vontade de tentar, de experimentar, acaba conseguindo algo. Meu passaporte italiano também ajudou bastante", explica.

Boscardin ficou dois anos e meio na capital britânica, além de um ano em Genebra, na Suíça, e seis meses em Frankfurt, na Alemanha. "A estadia em Genebra foi bem durante a crise, em 2009. Para mim foi um período de aprendizado, porque foi um momento de enxugar custos e estoques e, com isso, a área de logística ganhou importância."

Segundo o gerente regional da Hays, Cesar Rego, os profissionais que estão voltando se surpreendem com a disputa do mercado por eles. "Hoje, o executivo brasileiro é um dos mais bem remunerados do mundo. Cargos estratégicos, como os CEOs [executivos-chefes], foram bastante inflacionados pela disputa entre as empresas. O profissional vai aceitar uma posição fora do país pela experiência, pelo desafio ou pelo nível de responsabilidade, mas não pela remuneração em si".

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]