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Vista de Maringá: cidade  subiu duas posições em relação ao ano passado e fiou em 9.º lugar no ranking nacional dos melhores locais para empreender. | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Vista de Maringá: cidade subiu duas posições em relação ao ano passado e fiou em 9.º lugar no ranking nacional dos melhores locais para empreender.| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

As cidades de médio porte superaram as capitais e despontaram como os grandes destaques no Índice de Cidades Empreendedoras (ICE) divulgado pela Endeavor na semana passada. Das dez primeiras colocadas no ranking que avaliou o ambiente empreendedor dos municípios brasileiros, seis cidades são consideradas de médio porte ou estão no interior. É o caso de Maringá, no Noroeste do estado, que ficou na 9.ª colocação e superou Curitiba, que aparece somente no 15.º lugar.

Confira o ranking completo

Para o professor de empreendedorismo da ISAE/ FGV Allan Costa, a vantagem das cidades médias é a maior proximidade dos atores envolvidos e, como consequência, a formação de um ecossistema empreendedor fortalecido. “Um contato mais permanente dos atores faz com que as informações relacionadas as necessidades das empresas sejam mais discutidas e trabalhadas de forma mais integrada”, explica. “Além disso, é mais fácil de criar um grupo que brigue pelas melhorias de aspectos regulatórios, por exemplo.”

A coordenadora regional da Endeavor no Paraná, Mariana Foresti, acredita que todas as cidades tenham grande potencial de crescimento, a depender das ações de cada uma. “Cidades grandes tem mercado maior, infraestrutura robusta, mas precisam trabalhar muito na questão do ambiente regulatório. Por outro lado, as cidades médias têm investido muito em capital humano e possuem, em geral, melhor qualidade de vida e menos problemas de mobilidade urbana”, analisa. “Isso pesou para que, no geral, as médias crescessem mais neste ano.”

Entre as cidades paranaenses presentes na lista, Maringá (9º) é a melhor colocada. Além de subir duas posições em relação ao ano passado, é a primeira vez que outra cidade do estado fica à frente de Curitiba. Um pouco abaixo está Londrina (19º), que caiu duas posições em relação a 2015.

Além de Curitiba, outras capitais perderam posições para cidades do interior: Vitória caiu duas posições; Rio de Janeiro, quatro; Recife, quatorze; Goiânia, sete; Salvador, uma; João Pessoa, cinco; Manaus, duas; São Luís, três; e Campo Grande, caiu dez posições. Maceió se manteve na última posição do ranking.

Pelo segundo ano consecutivo, São Paulo e Florianópolis conquistam a primeira e segunda colocação, respectivamente, no Índice de Cidades Empreendedoras (ICE). Divulgado na última quarta-feira (16), o ranking realizado pela Endeavor avalia o ambiente empreendedor de 32 cidades brasileiras, de 22 estados. O ranking completo está disponível no site da instituição.

Metodologia

Para formar o ranking, a Endeavor analisa o ambiente empreendedor das cidades a partir de sete pilares: ambiente regulatório, infraestrutura, mercado, acesso a capital, inovação, capital humano e cultura empreendedora. As cidades recebem um índice para cada pilar, que formarão o índice geral do estudo. Já a escolha das cidades é feita a partir da concentração de scale-ups - empresas que apresentam alto crescimento em geração de emprego e renda. São 32 cidades de 22 estados. Juntos, os municípios selecionados somam 40% do total das scale-ups do Brasil e cerca de 40% do PIB.

Maringá é única do Paraná no Top 10 do empreendedorismo

Maringá foi a única cidade paranaense presente no top 10 do ranking que avaliou o ambiente empreendedor dos municípios brasileiros. Além de os tributos como ISS e IPTU serem mais baixos na cidade do interior do que em Curitiba, existe uma forte cultura empreendedora em Maringá. A cidade conquistou a segunda colocação no pilar cultura empreendedora, item que analisa o incentivo ao empreendedorismo.

Para Antônio Carlos Braga Junior, fundador da CRMall, da BS2 e da Automaticket, em Maringá, é possível respirar a cultura de empreendedorismo. “Estamos com diversos espaços de coworking, temos muitos cursos, palestras e eventos que movimentam essa cena, além das universidades que, de certa forma, atentam para isso também.”

Mas, apesar do ambiente favorável, ele acredita que mais disciplinas teóricas de empreendedorismo nas faculdades ajudariam os alunos a empreenderem com o pé no chão. “Quando você mostra que a pessoa pode ser dona do próprio negócio, quando ela tem equilíbrio entre sonho e realidade, a taxa de mortalidade das empresas tende a cair.”

Ambiente regulatório e tempo de abertura de empresas são entraves para Curitiba

Curitiba caiu sete posições no ranking de cidades empreendedoras da Endeavor e ficou na 15.ª colocação na edição divulgada neste ano. O relatório da Endeavor, que coordenou a pesquisa, mostra a cidade indo na contramão da tendência de facilitar a vida do empreendedor. Um dos pontos analisados é o tempo de abertura de uma empresa. A capital paranaense, ao invés de reduzir o tempo de espera, aumentou em 18 dias.

Outro destaque ruim da cidade foi no pilar Ambiente Regulatório. Depois de cair 15 posições em relação ao ano passado, Curitiba alcançou a penúltima colocação, ficando na frente, apenas, do Rio de Janeiro. O pilar analisa tempo de processos, custo de impostos e complexidade tributária.

O fundador e diretor de operações da curitibana LojasKD, Thiago Gomes, explica que, com o aumento da alíquota do ICMS no Paraná, sua empresa abriu filiais em outros estados para conseguir atuar com o ICMS menor e ganhar competitividade. “A impressão que a gente tem é que os governos são concorrentes. Não dá para planejar cinco anos pra frente, porque todo começo de ano a gente tem surpresas de aumentos”, desabafa.

Outro ponto negativo apontado pela pesquisa é que o maior recuo na oferta de crédito das cidades estudadas está em Curitiba, que caiu 8,6%, diante da média de expansão nominal de 8,4%.

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