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Fachada do Banco Original, banco digital da holding J&F, em São Paulo. (Foto: Divulgação)| Foto:

Nesta semana, o Banco Original, pertencente à holding J&F, anunciou que abrirá, a partir de 1.º de maio, contas digitais também para empresas. Mas a estratégia por trás da novidade é bem maior do que parece. Com essa ampliação de público-alvo, o Original se reposiciona e deve chegar a 2,5 milhões de clientes ainda em 2019.

"A nossa estratégia de mudou de um banco mais restrito à alta renda para um banco de varejo, digital e completo. Qualquer pessoa ou qualquer empreendedor pode, agora, abrir conta no Original", ressalta o diretor de Tecnologia, Inovação e Operações da empresa, Raul Moreira.

Em 2016, quando foi fundado, o Original oferecia contas digitais apenas para pessoas físicas com renda de mais de R$ 7 mil. Em julho do ano passado, entrou em vigor uma nova resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que passou permitiu que os trabalhadores também passassem a receber o salário por meio de instituições não bancárias, como fintechs e bancos de investimento.

O Original foi um dos primeiros a lançar uma campanha publicitária sobre as vantagens da sua conta digital. A partir deste mês de abril mais um passo foi dado, não há mais qualquer limite para se abrir uma conta no Original. Resultado: 100 mil pessoas abriram conta já neste mês no banco.

"Nesse ritmo nós vamos chegar a 2,5 milhões até o final do ano e em mais três anos, a 10 milhões de clientes. Nós queremos ser o maior banco digital e um dos maiores do país", diz Moreira. Hoje são 860 mil correntistas ativos no Original.

As novas contas digitais para empresas também não têm qualquer limite (veja outros detalhes sobre essas contas). Quem já cliente pessoa física, por exemplo, pode abrir a conta pessoa jurídica em quatro outros cliques no mesmo aplicativo. Algo revolucionário em relação aos bancos comuns, é que o Original não cobra nenhum tipo de documento ou comprovante para a abertura da conta. "Nossa ideia é que o cliente já comece o seu negócio junto com o Original e cresça junto com a gente", frisa Moreira.

Em última instância, o foco do Original Empresas são os 28 milhões de empreendedores do país, sendo que neste primeiro momento, o alvo principal são os 8 milhões de microempreendedores.

Open banking como pilar estratégico

Um dos pilares para essa estratégia de crescimento do Original é o open banking, cujas diretrizes para implementação no Brasil foram apresentadas nesta semana pelo Banco Central.

Pelo conceito do open banking, os dados financeiros pertencem ao cliente, que pode escolher compartilhá-los com qualquer instituição financeira, para que ela ofereça a ele serviços mais baratos e melhores. Bancos tradicionais, digitais e fintechs poderão oferecer toda uma gama de produtos e serviços não só aos seus próprios clientes, mas aos clientes das outras instituições, de pagamentos instantâneos a crédito pessoal mais barato devido a uma avaliação de perfil mais profunda e ágil.

O Original já nasceu com esse conceito como um de seus principais pilares culturais, tendo um API (Interface de Programação de Aplicativos) aberto a desenvolvedores desde 2016. Espera-se que a ofensiva da empresa agora voltada para todo e qualquer brasileiro, juntamente com a regulamentação do BC para o open banking, que deve começar a ser implementada ainda neste ano, acelere o crescimento da empresa.

Um dos futuros parceiros do Original nessa estratégia deve ser a PicPay, fintech que oferece serviços de carteira virtual e transferências financeiras. O banco fez uma oferta por uma parte da empresa, ainda sujeita à aprovação dos órgão reguladores. "Se o regulador aprovar [o negócio], a gente passa a ser o primeiro banco a ofertar, de forma integrada, uma solução de banking totalmente digital mais uma solução de carteira digital", diz Moreira.

"Nós temos [também em negociação] um plano de saúde que quer oferecer para seus clientes serviços de conta digital e recebimento e um grande site de B2C que quer oferecer para os seus vendedores uam solução do Original Empresas", conta Moreira, sem revelar os nomes desses parceiros.

Com o open banking, o Original também quer se firmar como o banco dos empreendedores e também das finechs.

Como vai funcionar a conta digital

De olho na educação financeira de microempreendedores, profissionais liberais e empresários em geral, o Original Empresas terá três alternativas:

  • a conta básica e sem tarifas, regulamentada pelo BC, que dá direito a serviços como quatro saques e duas transferências por mês;
  • um pacote de R$ 39,90, sem nenhuma outra tarifa para transações entre a conta pessoa física e a conta pessoa jurídica do empreendedor dentro do Banco Original, entre outras vantagens;
  • e um pacote maior, de R$ 79,90, sem qualquer outro tipo de tarifa adicional e com o qual o empreendedor também tem direito a uma maquininha de pagamentos.

Em todos os casos, não é necessário entregar nenhum tipo de comprovante, nem mesmo de endereço, para abrir a conta.

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