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A América Latina precisa adotar mais medidas para lidar com o aumento dos ingressos em dólar que aumentam as preocupações de superaquecimento e perda de competividade externa, avaliou o Fundo Monetário Internacional (FMI), que elevou a estimativa de crescimento do Brasil neste ano a 7,5%.

Recentes controles de capital adotados em muitos países da região podem ter ajudado a mudar a composição mas não o volume dos dólares ingressando na economia, segundo o relatório Perspectiva Econômica Mundial, divulgado nesta quarta-feira (6).

"O possível uso de controles de capital deve ser suportado por outras medidas, como, por exemplo, a continuidade da flexibilidade cambial para desencorajar fluxos especulativos, consolidação fiscal e monitoração do setor financeiro."

O aperto fiscal ajudaria o Brasil não apenas a conter a valorização do real, ao permitir que o Banco Central seja menos agressivo nos juros, mas também reduziria os riscos inflacionários no Peru e no Uruguai, segundo o FMI.

"Dados os desafios derivados de forte e persistente fluxo de capital para alguns países, as ferramentas fiscais devem ser opções melhores para lidar com as pressões de superaquecimento do que os instrumentos monetários."

O Fundo prevê que a região cresça 5,7% neste ano e 4% no próximo.

Entre os destaques, o Brasil e a Argentina devem ter expansão de 7,5% cada. Em julho, o FMI previa para o Brasil crescimento de 7,1% neste ano.

Superaquecimento

Os riscos para a região vêm principalmente do setor externo. Uma recuperação mais lenta que o esperado nas economias avançadas poderia afetar os preços de commodities, enquanto países com forte presença de bancos estrangeiros poderiam ficar expostos a um canal adicional de contágio, acrescentou o Fundo.

Superaquecimento econômico também é um risco para a América Latina, de acordo com o FMI, "particularmente se a retirada de estímulos demorar mais que o previsto atualmente".

Outros países

Ainda dentro dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), a Rússia deve crescer 4% em 2010 e 4,3% nos 12 meses seguintes. Para a Índia, o FMI prevê expansão de 9,7% no PIB deste ano, ou 0,3 ponto a mais do que a estimativa passada, e de 8,4% em 2011, sem mudança. Quanto à China, as estimativas ficaram inalteradas, em ampliação de 10,5% agora e 9,6% em 2011.

No caso dos Estados Unidos, a expectativa é de que a economia avance 2,6% em 2010 e 2,3% em 2011. Ambos prognósticos foram diminuídos, em 0,7 ponto e 0,6 ponto, nesta ordem. Na região do euro, a perspectiva é de crescimento acima de 1% tanto neste exercício como no seguinte - mais precisamente, de 1,7% e 1,5%. A economia da Alemanha deve avançar 3,3% em 2010, ante projeção de ampliação de 1,9% apresentada em julho.

"A recuperação econômica mundial prossegue, mas é desequilibrada, sendo lenta nos países avançados e muito mais forte nos países emergentes e em desenvolvimento', observou o FMI. 'O desemprego segue como o principal desafio econômico e social. Mais de 210 milhões de pessoas no globo podem estar desempregadas, um aumento de mais de 30 milhões desde 2007. Três quartos desse avanço ocorreu nas economias avançadas", acrescentou.

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