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inovação

Até onde a tecnologia pode nos levar?

O que pensam os especialistas sobre o impacto da revolução digital na próxima década, quando avanços em áreas como robótica, inteligência artificial e impressão 3D devem se consolidar

  • PorRafael Waltrick
  • 26/02/2016 21:30
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Imagine-se acordando de manhã ao ouvir o toque do celular. Não é preciso silenciar o aparelho no criado-mudo ao lado da cama, já que ele está diretamente sobre a pele de seu braço. Horas depois, seu carro o leva até o trabalho enquanto você lê um livro, sem nem colocar os olhos na estrada. Já na empresa, você participa de uma reunião do conselho diretor – entre os executivos do alto escalão, está um programa de computador, responsável por tomar decisões estratégicas em prol da companhia.

INFOGRÁFICO: Conheça as inovações que têm grande chance de virar realidade até 2025.

Acredite: cenas como estas estão mais próximas de se tornarem realidade do que você pensa. Na visão de mais de 800 especialistas consultados pelo Fórum Econômico Mundial, veículos autônomos, dispositivos implantáveis e inteligências artificiais complexas devem deixar de estampar os filmes de ficção científica para se tornarem rotineiros nos próximos dez anos, marcando o ápice da chamada revolução digital já em curso.

As previsões são foco de um estudo divulgado em novembro do ano passado e se somam a um longo artigo escrito no mês seguinte pelo fundador e presidente do Fórum, Klaus Schwab, em que ele chama a fusão entre essas diferentes tecnologias de quarta revolução industrial – o que representaria um passo adiante em relação aos momentos históricos anteriores que marcaram a introdução de inovações como a máquina a vapor, a eletricidade e a eletrônica.

Caminho sem volta

O uso do termo não é novo – muito se fala, por exemplo, na indústria 4.0, com linhas de produção autônomas e integradas por robôs –, mas serviu para esquentar as discussões sobre o real impacto na economia e na vida dos “cidadãos comuns” que as tecnologias vindouras trarão ao longo da próxima década.

Em grande parte, especialistas e companhias do setor concordam que a consolidação dessas inovações, que incluem ainda impressão 3D, nano e biotecnologia, internet das coisas e moedas digitais, é um caminho sem volta. A dúvida é se elas serão de fato tão disruptivas como a energia elétrica e o carro foram ao longo dos séculos 19 e 20.

Nesse sentido, o fato de ninguém poder recorrer ainda a uma máquina do tempo para dar uma espiada logo à frente traz visões bastante conflitantes sobre o futuro que bate à porta. O presidente do Fórum Econômico defende que a quarta revolução industrial trará uma “transformação sem precedentes na história da humanidade” e tem potencial para alavancar o crescimento global.

Por outro lado, economistas como Robert Gordon, professor da Universidade de Princeton (EUA) e um dos mais influentes estudiosos do tema, rechaçam a visão apaixonada de Schwab e destacam que as mudanças trazidas pelas revoluções industrias anteriores não serão equiparadas por robôs ou smartphones superpoderosos.

Em seu livro recém-lançado lá fora, The Rise and Fall of American Growth (A Ascensão e Queda do Crescimento Americano, em tradução livre), Gordon chega a cunhar o termo “tecno-otimistas” para se referir aos que defendem a tese de que estamos prestes a passar por uma evolução radical na qualidade de vida.

“O progresso depois de 1970 continuou, mas focado principalmente no entretenimento, comunicação e tecnologia da informação, áreas em que esse progresso não chegou com o mesmo impacto súbito trazido pelas grandes invenções”, escreve. Em outras palavras: mesmo que você ache seu iPhone super descolado, ele nunca será tão inovador quanto a geladeira, o ar-condicionado ou a rede de esgoto de sua casa.

Revolução ou evolução?

O debate em torno da utilização do termo “quarta revolução industrial” não é meramente semântico. Especialistas e entidades se desdobram para antecipar os efeitos da consolidação das novas tecnologias junto às cadeias produtivas, relações de consumo e mercado de trabalho. O próprio Fórum Econômico Mundial calculou neste ano que a nova revolução vai eliminar, até 2020,7,2 milhões de vagas em 15 países, enquanto outros 2 milhões de postos serão criados para atender às novas frentes de negócios.

Exemplos práticos dessa transição já podem ser vistos. O fortalecimento da economia compartilhada, que tem no Uber e Airbnb seus principais expoentes, é uma das grandes apostas para a próxima década e seguirá desafiando o poder público e categorias “tradicionais” de trabalho – os taxistas que o digam. Grandes montadoras e empresas de tecnologia, como Ford, BMW e Google, já estão colocando nas ruas carros autônomos para testes. Mesmo envoltos em desconfiança, os bitcoins já movimentam cerca de US$ 20 bilhões no mundo. Ao fim, independentemente do nome, a transformação tecnológica já começou.

“Não diria que é uma revolução como a que contou com a máquina a vapor, que deu outra escala para o desenvolvimento da indústria e mudou relações econômicas. É muito mais uma evolução, que vai multiplicar as maneiras como se resolvem necessidades dentro das empresas e das casas”, avalia o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e porta-voz da IEEE Raul Colcher. “E em poucos anos, três ou quatro, muitas dessas tecnologias já estarão em pleno funcionamento. Estamos mais perto dessa realidade do que a maioria das pessoas se dá conta”, completa.

Velocidade surpreende

Para parte dos especialistas e alguns “tecno-otimistas” como o fundador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, a velocidade com que essas inovações estão surgindo e sendo assimiladas por consumidores e corporações é o principal diferencial em relação às revoluções industriais anteriores. A expressão de espanto de crianças a serem apresentadas a máquinas de escrever e telefones com fio dá uma boa noção dessa mudança recente e apressada.

“Tivemos no passado mudanças mais disruptivas do que as que estão surgindo agora, mas não dá para desprezar os avanços que as novas tecnologias estão trazendo. Essas inovações são rapidamente absorvidas por uma parcela bastante significativa da população e estão alterando a vida dessas pessoas também de forma muita rápida”, afirma a Ph.D. em Economia e professora do Insper Regina Madalozzo, especialista em economia do gênero.

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