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A indústria musical balançou com o download no início do século e vem se reinventando com o streaming. Os táxis procuram uma saída contra o Uber. Na mesma medida em que a tecnologia avança e facilita a vida, ela coloca um ponto final em alguns modelos de negócio. E, nesse jogo, ou se adapta ou se é engolido. Confira quatro segmentos que encaram uma batalha frente a carros autônomos, startups financeiras e “robôs atendentes”:

Seguros

O computador não se distrai, não passa mal e tampouco dirige alcoolizado. Ao que tudo indica, são altas as chances de os carros autônomos serem bem mais seguros do que os pilotados pelos humanos. Neste contexto, quem sai perdendo são as seguradoras. Afinal, sem acidentes, um mercado bilionário passa a encolher vertiginosamente – 84% até 2040 em países desenvolvidos, segundo estudo do Boston Consulting Group (BCG). O mercado mundial das seguradoras é avaliado em US$ 200 bilhões ao redor do mundo.

Caberá às seguradoras, destaca o professor e cientista da computação Emerson Toledo, investir em uma área bem específica: a segurança. Não no modelo clássico, de roubo. Mas em um novo e potencialmente catastrófico: veículos hackeados. “A cibersegurança é um dos mercados mais promissores com estas tecnologias de conectividade”, diz.

Bancos

Com uma fila de 500 mil pessoas querendo ser clientes, a brasileira Nubank vem revolucionando os cartões de crédito graças à combinação de juros mais baixos e gestão online. Quase da mesma forma, a norte-americana Lending Club, instalada no Vale do Silício, cresce ao oferecer empréstimos de pessoa a pessoa via aplicativo, também com taxas mais atrativas.

Dois exemplos de como as startups de tecnologia financeira, as fintechs, estão desmontando a soberania dos grandes bancos. E há 5 mil delas no mundo. Segundo a Goldman Sachs, US$ 4,7 trilhões em receita/ano podem migrar dos bancos para elas. E tem mais: tecnologias como a blockchain, uma forma ultrassegura de transações financeiras, podem tornar as casas bancárias tradicionais obsoletas.

Cabe aos grandões tentar acompanhar o ritmo frenético das pequenas, definiu Anderson Danne, superintendente do Itaú, em evento recente sobre tecnologia na Isae. Bem por isso, o Itaú mantém, em parceria com outras empresas, um hub de inovação chamado Cubo, em São Paulo. “Os bancos não estão olhando mais essas empresas como ameaça, mas como oportunidade. Os bancos pegaram essa sacada e pensaram ‘eu tenho que me atualizar’. O NuBank também terá que se atualizar, senão vem o ‘XBank’ e faz melhor”, pondera.

Turismo e hotelaria

Talvez você ainda use agentes de turismo. Ainda assim, dificilmente não tenha pesquisado antes sua viagem em algum site com algoritmos que filtram as melhores opções. A digitalização tornou o planejamento por conta própria muito mais fácil. O Google Voos mostra o melhor preço em questão de segundos.

Se caminhar para a hotelaria, há que se destacar o Airbnb, que ocupou uma bela fatia do mercado dos hotéis – segundo a Universidade de Boston, nas áreas onde o Airbnb é popular, os hotéis perderam entre 8% e 10% de seu faturamento. A PhocusWright diz que a receita da empresa, que hoje é de quase US$ 1 bilhão de dólares, se multiplicará por dez até 2020.

Para os especialistas, os agentes tradicionais precisarão focar em facilitar a vida do turista ainda mais para não morrer. “Nos próximos anos, os viajantes irão querer um serviço cada vez mais personalizado, com as companhias tendo que oferecer produtos customizados e baseados no histórico”, disse Angelo Rossini, analista do centro de pesquisas Euromonitor International, ao The Guardian.

Telemarketing

Inteligências artificiais como a Siri, da Apple, ou o Watson, da IBM, tornaram os robôs capazes de se comunicar com certo grau de naturalidade. Ainda está aquém de uma conversa completamente natural, mas as performances melhoram com o uso (conceito de aprendizagem de máquina).

Já hoje, tais sistemas são capazes de substituir atendentes humanos em tarefas mais simples de uma central de atendimento. Isso reduz custo para as empresas. E impacta diretamente o setor de call centers –só no Brasil, estima-se que o segmento deva gerar um volume de receita de R$ 46,1 bilhões, segundo números do Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos em parceria com a E-Consulting.

E tem o fator desemprego, já que o setor é um dos grandes empregadores no Brasil.

“Queremos que 50% do atendimento de uma empresa seja automatizado. O cliente dessa empresa resolverá seu problemas por ali e só chegará a um atendente humano em casos específicos”, diz o brasileiro Thiago Christof, da Calamar, de Minas Gerais. A empresa dele desenvolveu um serviço de assinatura de chatbots, que são robôs que conseguem responder a demandas via bate-papo.

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