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Centro Tecnológico, localizado na Unidade Monte Alegre, em Telêmaco Borba. As duas novas plantas piloto ficarão ao lado dessa estrutura. | Divulgação/
Centro Tecnológico, localizado na Unidade Monte Alegre, em Telêmaco Borba. As duas novas plantas piloto ficarão ao lado dessa estrutura.| Foto: Divulgação/

A Klabin fará um novo ciclo de investimentos de R$ 32 milhões para a construção de um novo parque de plantas pilotos em sua fábrica em Telêmaco Borba, na região dos Campos Gerais, no Paraná. O anúncio aconteceu na manhã desta quarta-feira (12), durante o evento Inova Klabin, em São Paulo. Também foi anunciada a fabricação de um novo copo biodegradável, mais resistente que o já produzido pela companhia.

As duas miniplantas ficarão em um prédio de 500 metros quadrados, que será construído próximo ao Centro Tecnológico, inaugurado no ano passado, na Unidade Monte Alegre, em Telêmaco. Nesta primeira fase, as duas miniplantas terão como foco simular uma unidade fabril onde serão realizados estudos e testes em duas frentes: a celulose microfibrilada (MFC) e a lignina. A previsão é de que a operação comece no quarto trimestre de 2019.

Segundo o diretor de tecnologia industrial, inovação e negócios em celulose da Klabin, Francisco Razzolini, por se tratar de uma unidade menor – em comparação ao Projeto Puma, por exemplo –, o impacto das duas minifábricas em termos de geração de emprego na região não deve ser significativo. “ O alto valor se explica por ser um projeto com muita tecnologia embarcada. O investimento é voltado para a construção do parque e para tecnologia”, explica.

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A celulose microfibrilada é um biopolímero que aumenta a resistência e permite papéis com gramaturas menores, o que, segundo Razzolini, é uma tendência no mercado deste segmento. A ideia é incorporar o componente, no futuro, às linhas de produção de papel da companhia, ou seja, no caso da MCF, a pesquisa é voltada à inovação e ao próprio consumo interno da companhia.

Já a lignina é um dos polímeros mais abundantes na natureza, responsável por manter a rigidez interna dos vegetais e funciona como uma “argamassa” que mantém as fibras unidas, compara Razzolini. No processo de produção de celulose, a lignina é dissolvida e queimada para a geração de energia.

Na nova planta, a Klabin pretende estudar novas utilizações para o polímero, visando oferecer produtos mais sustentáveis para o mercado como, por exemplo, uma opção a resinas utilizadas em adesivos de MDF, na fabricação de fibra de carbono, na aplicação em papéis para funcionar como barreira contra umidade, vapores, gordura, etc, e na substituição de termoplásticos, atualmente produtos originados a partir de matéria-prima fóssil. Um dos diferenciais da Klabin é sua capacidade de produzir lignina a partir de duas espécies, o pinus e o eucalipto.

Atualmente, a Klabin investe 0,25% de seu faturamento líquido em pesquisa e desenvolvimento, mas pretende aumentar esta parcela para 0,5%, porém ainda sem uma previsão certa de quando isso deve acontecer.

“Entendemos que são estes investimentos que nos direcionam para o futuro, mas fazemos inovação com propósito, quando enxergamos uma nova possibilidade no setor”, alega Razzolini. A empresa investe, anualmente, cerca de R$ 350 milhões em continuidade operacional, em suas 17 unidades industriais no Brasil e uma na Argentina.

Na plataforma de papel e celulose, com base no Paraná, a produção é majoritariamente voltada para exportação. Questionado se, com esta característica, a empresa não fica vulnerável às variações cambiais, o CEO da Klabin, Cristiano Cardoso Teixeira, afirmou que o dólar alto chega a ajudar os resultados da companhia. “Em uma visão egoísta de empresa, como somos exportadores, esta variação cambial não interfere na capacidade de geração de caixa no final do mês, e é nisso que geralmente as empresas percebem os efeitos”, disse.

Novos copos biodegradáveis mais resistentes

Além do novo Parque, a Klabin anunciou um novo produto com previsão para começar a circular no início de 2019. Trata-se de um novo copo biodegradável, feito a partir da produção de um novo papel-cartão específico para o mercado de cup stock. Batizado de KlaCup Bio, ele será produzido com fibras de pinus e eucalipto, mistura que garante maior resistência e qualidade de impressão. O novo papel-cartão possui também uma barreira biodegradável que elimina a aplicação de polietileno.

Na foto, o copo já fabricado pela Klabin, o Klacup. O novo Klacup Bio será mais resistente e todo branco, permitindo uma melhor qualidade de impressão.Divulgação

“É um produto que já estamos estudando há algum tempo, não só em termos de tecnologia, mas também da demanda do público por produtos sustentáveis. Nosso objetivo é ter um produto à base de papel, com fonte renovável desde o início da cadeia”, afirma André de Marco, gerente de Desenvolvimento de Produto.

Atualmente, a Klabin já fabrica e exporta o “KlaCup Natural Kraft”, com um dos lados na coloração marrom semelhante aos papéis kraft, também de olho na tendência de embalagens mais sustentáveis e com menor impacto no meio ambiente.

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A empresa exporta, anualmente, 2,4 milhões de tonelada de copos de papel e tem visto crescer fortemente a demanda pela substituição de outras matérias-primas, como plástico e isopor, por produtos à base de papel, em especial no mercado de alimentos.

Exemplificando, o CEO conta que a maior fabricante de canudos plásticos do Brasil procurou a Klabin para uma conversa, informando que vai começar a produzir também canudos de papel. “A indústria vai se transformar, e o papel é uma alternativa real para este tipo de segmento. Vamos ver acontecer uma mudança de cultura e de forma rápida”, acredita Teixeira.

Em termos de custos, o CEO informou que a produção do copo biodegradável é equivalente a dos demais.

Novas máquinas no Projeto Puma?

Em Telêmaco Borba, corre boca a boca a informação da construção de nova fábrica e para duas novas máquinas dentro do Projeto Puma. A expectativa era de que o conselho de administração da companhia aprovasse o investimento no início do quarto trimestre e de que um anúncio nesse sentido fosse feito nesta quarta-feira (12), durante o Inova Klabin.

Este projeto, estimado em US$ 2 bilhões (R$ 8,2 bilhões na cotação atual), entretanto, ainda está em fase inicial. O que foi feito foi apenas um aporte para a compra da engenharia, segundo informações da diretora de Papelão Ondulado e Reciclados, Gabriella Michellucci, em almoço com jornalistas.

A diretora informou que o projeto deve ser apresentado ao conselho de administração da Klabin apenas no fim deste ano.

A Klabin é uma empresa de capital aberto e fez sua entrada na bolsa de valores de São Paulo em 1979. No primeiro semestre de 2018, investiu R$ 423 milhões, sendo R$ 193 milhões apenas ao longo do segundo trimestre, divididos da seguinte forma: R$ 63 milhões nas operações florestais, R$ 79 milhões na continuidade operacional das fábricas e R$ 51 milhões em projetos especiais e expansões.

No segundo trimestre deste ano, o EBITDA ajustado atingiu R$ 884 milhões, um crescimento de 49% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa possui 14 mil funcionários diretos e chega a 19 mil com os indiretos.

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