Plouffe durante a palestra “A arte do possível”: trabalho contou com o engajamento dos eleitores | Alain Issock/Reuters
Plouffe durante a palestra “A arte do possível”: trabalho contou com o engajamento dos eleitores| Foto: Alain Issock/Reuters

Notas sem valor

Uma campanha do jornal "The Zimbabwean" está entre os premiados da categoria Media. O jornal – que faz oposição ao presidente Robert Mugabe – exibiu outdoors utilizando notas que somavam 1 trilhão de dólares do Zimbabue. Os anúncios traziam frases como: "É mais barato imprimir [o outdoor] em dinheiro do que em papel". A inflação no Zimbábue ultrapassa os seis dígitos

Aplaudido fervorosamente pelos delegados que lotaram a sala de palestras, o chefe da campanha presidencial de Barack Obama, David Plouffe, roubou a cena ontem no Palais – sede do Festival Internacional de Cannes, que acontece ao longo desta semana na cidade francesa. Na apresentação intitulada "A arte do possível", ele mostrou como o conceito digital teve papel essencial na "grande campanha presidencial", como definiu.

"Nós começamos praticamente com nada. Mas isso teve um lado benéfico, o do frescor", afirmou, durante a apresentação. Os números apresentados por Plouffe dão uma noção do tamanho da "grande campanha": 150 mil eventos, 13 milhões de e-mails coletados, 1 bilhão de e-mails enviados e US$ 750 milhões doados.

Para construir a campanha, explicou, o norte do trabalho era fazer com que as pessoas se envolvessem. Um dos conceitos, portanto, era criar um verdadeiro engajamento com o público. Não se tratava de alguém se referir à campanha de Obama, e sim de falar da "nossa campanha". "As pessoas tinham que se sentir parte dela."

O chefe da campanha disse ainda que as pessoas que aderiram à proposta de Obama tiveram peso fundamental no sucesso do trabalho. Eles queriam que as posições do candidato fossem apresentadas por esses cidadãos, os voluntários. "Muitos deles eram pessoas que nunca antes tinham se interessado por política", disse. "Isso se trata realmente de uma história de pessoas."

Digital

O presidente da Microsoft, Steve Ballmer, também fez uma apresentação ontem em Cannes. Segundo ele, o desafio do futuro é fazer as pessoas pagarem por conteúdo no mundo eletrônico. Ballmer acredita que o mundo será completamente digital nos próximos dez anos, e a tarefa da propaganda, nesse contexto, será encontrar o caminho para produzir conteúdo relevante. "Haverá uma inversão de papéis", disse. "O modelo não será mais pautado pela propaganda patrocinando os conteúdos, mas os conteúdos oferecidos é que terão de ser relevantes para que o público pague."

Ballmer aproveitou sua palestra para divulgar o mais novo investimento da Microsoft: o buscador Bing. Lançado há duas semanas nos Estados Unidos, o programa de busca já detém 8% do mercado americano.

Para mostrar que seu produto é mais eficiente do que o concorrente Google, nome que evitou pronunciar, Ballmer disse, de forma genérica, que os atuais mecanismos de busca vivem um processo de evolução. "Afinal, 50% do que se procura na internet não se acha", disse. "A busca vai ficar mais inteligente. As pessoas não vão abrir uma tela e ver um monte de links azuis, sem conseguir chegar aonde querem." Uma referência ao sistema do Google, o que arrancou risos da plateia.

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