Brasília – Sem ver sinais de retomada no ritmo de atividade, o mercado financeiro reduziu de 3% para 2,97% sua projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, conforme pesquisa semanal divulgada ontem pelo Banco Central (BC). A queda, de acordo com o economista-chefe da Corretora Concórdia, Elson Teles, foi provocada pela informação, divulgada na semana passada, pelo IBGE, de que a produção industrial de setembro caiu 1,4% em relação a agosto.

A nova previsão do mercado ficou um pouco mais distante das previsões oficiais para a expansão da economia neste ano. O Banco Central prevê alta de 3,5% do PIB em 2006. Mais otimista, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda diz acreditar em 4%.Teles lembrou que muitas instituições financeiras já trabalham com previsões de expansão do PIB neste ano numa faixa entre 2,80% e 2,90%. "Uma taxa de crescimento abaixo dos 3% é um cenário provável", disse. Apesar disso, ele explicou que ainda mantém a expectativa de expansão de 3%.

"Preferimos aguardar a divulgação do resultado do PIB no terceiro trimestre para modificarmos nossa projeção para o ano", explicou. Ainda assim, a estimativa da Concórdia para o terceiro trimestre já foi reduzida de 0,8% a 0,7% para algo entre 0,4% e 0,5%. "Ficando neste patamar, o PIB dificilmente crescerá 3% neste ano", disse Teles. Para que isto viesse a acontecer, o PIB teria que crescer entre 1,20% e 1,30% no último trimestre de 2006, de acordo com o economista-chefe da Concórdia.

Para o ano que vem, o mercado financeiro manteve, pela 11.ª semana consecutiva, a aposta de crescimento do PIB de 3,50%. Apesar do cenário de atividade econômica moderada, as projeções do mercado financeiro para o IPCA deste ano subiram pela terceira semana consecutiva e passaram de 3% para 3,05%. O aumento ocorreu na esteira da alta da inflação de curto prazo puxada pelo comportamento dos preços agrícolas. Diante disso, o economista-chefe da Concórdia disse que parte do mercado financeiro já começar a ter dúvidas sobre a possibilidade de a taxa básica de juros (Selic) ser reduzida em 0,50 ponto porcentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) dos dias 28 e 29.

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