Em assembléia realizada na manhã desta terça-feira (11), pelo menos um terço dos 4,4 mil metalúrgicos da fábrica da Bosch da Cidade Industrial de Curitiba (CIC) decidiram encerrar a greve, iniciada na última sexta-feira (7). A votação da nova proposta da empresa aconteceu às 6 horas, apenas entre os funcionários do turno da madrugada da fábrica. Por volta das 15h, os trabalhadores do turno tarde também concordaram em acabar com a paralisação, informou o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC).

Segundo o presidente do SMC, Sérgio Butka, apesar do acordo, o resultado não foi o melhor para classe. "Não é o que pedimos, mas, a essa altura, é melhor um pássaro na mão do que dois voando", diz Butka. Os trabalhadores pediam um reajuste salarial de 10,75%, sendo 7,15% referentes à inflação dos últimos 12 meses e um aumento real de 3,6%,e um abono de R$ 1,5 mil a serem aplicados em dezembro, data-base da categoria.

Na proposta apresentada pela Bosch pouco antes da assembléia desta quarta-feira, a empresa se comprometeu a pagar o abono de R$ 1,5 mil em dezembro e a aplicar o reajuste salarial de 10,75%, no mês de março de 2009, além de não descontar dos salários os cinco dias parados por causa da greve.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da Bosch não deu informações sobre as negociações ou sobre os prejuízos causados pela paralisação.

O sindicato também não estima os valores que a empresa deixou de arrecadar, uma vez que não há um controle preciso sobre a quantidade de peças que são fabricadas por dia. A fábrica de bombas injetoras e componentes para sistemas a diesel tem cerca de cinco mil trabalhadores, dos quais apenas 600, da área administrativa, não aderiram à greve.

Segundo o presidente do SMC, as reivindicações são específicas dos metalúrgicos da empresa, e não há previsão de paralisações em outras fábricas.

Negociações

Os trabalhadores da Bosch, maior indústria do setor metalúrgico no Paraná, decidiram paralisar as atividades em assembléia realizada na sexta-feira. Na tarde de segunda-feira (10), diretores do SMC e representantes da Bosch se reuniram no Ministério Público do Trabalho, mas terminaram o encontro sem um acordo. Segundo o SMC, a empresa apresentou duas propostas.

Na primeira, se comprometia a pagar o abono de R$ 1,5 mil no mês de janeiro de 2009, aplicar o reajuste relativo à inflação, de 7,15%, em fevereiro, e o aumento real de 3,6% em agosto. Os trabalhadores rejeitaram a proposta.

A segunda sugestão da empresa foi de dar o aumento real e o reajuste inflacionário no mês de dezembro, mas sem conceder o abono salarial. O sindicato da categoria voltou a rejeitar o acordo e apresentou uma contraproposta, que pedia os R$ 1,5 mil de abono para dezembro e o reajuste total, de 10,75%, para fevereiro de 2009, mas a Bosch alegou que não seria possível.

Pouco antes das 8 horas da manhã de terça-feira, a empresa apresentou uma nova proposta: R$ 1000 de abono em dezembro e o reajuste total em março. Os valores foram rejeitados e os trabalhadores decidiram manter a paralisação por mais um dia.

Por volta das 6 horas desta quarta-feira, pouco antes da assembléia, a empresa apresentou a última proposta. Desta vez, foi aceita pelos trabalhadores.

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