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O desaquecimento da economia norte-americana tende a ter impacto no mundo, começando pela China – que exporta muito para os Estados Unidos – e se espalhando por países que participam ativamente do comércio internacional, como o Brasil. Se o mundo cresce menos, consome menos. Resultado: as exportações brasileiras, que vêm batendo seguidos recordes, podem cair ou pelo menos perder ritmo.

"Se a crise piorar e chegar ao Brasil, seu principal canal será câmbio, o que afetaria a balança comercial", diz Régis Abreu, diretor da Mercatto Investimentos. Saldo menor da balança significa, naturalmente, alta do dólar e pressão sobre os preços dos produtos comprados lá fora ou que são produzidos aqui mas dependem de matérias-primas importadas.

Detalhe: o país, que há tempos havia espantado o "dragão" da inflação, vem assistindo, nas últimas semanas, a uma alta mais acelerada dos preços, principalmente por conta do aumento de alimentos como leite, carne e soja. Com uma piora da crise externa, o câmbio, que tem servido como "âncora" dos preços, pode virar vilão. "O dólar baixo barateou a importação e vinha colaborando para impedir altas mais fortes. Se ele subir muito, deixará de dar essa contribuição", prevê o economista Otávio Aidar, da Rosenberg & Associados.

Alcides Leite, professor de Mercado Financeiro e Economia Brasileira da Trevisan Escola de Negócios, lembra que os serviços também estão mais caros. "O crédito subiu, os juros estão mais baixos, os salários aumentaram. Naturalmente, a demanda por serviços de todo o tipo – empregada doméstica, cabeleireiro, dentista, médico, turismo – também subiu, elevando os preços", explica. Na última segunda-feira, a expectativa do mercado para o índice oficial de inflação, o IPCA, subiu de 3,67% para 3,71% no acumulado dos próximos 12 meses, segundo o Boletim Focus, do Banco Central. (FJ)

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