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inclusão digital

46 milhões de brasileiros só acessam a internet pelo celular

Pesquisa mostra que número de brasileiros que acessam a internet só pelo celular subiu de 20% em 2014 para 43% no ano passado

    • Folhapress
    • 05/09/2017 15:50
     | Lucas Pontes/Gazeta do Povo
    | Foto: Lucas Pontes/Gazeta do Povo

    Praticamente todo o crescimento nos domicílios conectados digitalmente no Brasil se deu por meio de conexões móveis, segundo a pesquisa TIC Domicílios 2016, divulgada nesta terça-feira (5). No ano passado, 9,3 milhões de residências dispunham de conexões móveis. Em 2012, eram 5 milhões de domicílios. Ao todo, 54% dos domicílios e 61% dos brasileiros com 10 anos ou mais já estão na internet.

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    De acordo com a pesquisa, entre os 107,9 milhões de brasileiros conectados, 43% dos usuários usavam só o celular para acessar a internet (eram 20% em 2014), enquanto 6% usam só o computador. Os restantes usam ambos, mas essa proporção vem caindo anualmente. Os usuários principalmente mobile são os mais jovens, mais rurais e mais pobres. O uso misto se concentra entre os mais ricos, mais urbanos e mais velhos.

    “O telefone móvel celular é um dispositivo relevante para a inclusão digital, mas o uso exclusivo no celular cria algumas limitações, por exemplo, no desenvolvimento de habilidades, como criação de conteúdos, programação e outros usos menos sofisticados”, diz Alexandre Barbosa, coordenador do Cetic.br, que realiza a pesquisa.

    Os acessos por meio de banda larga fixa se mantiveram estáveis pela primeira vez na história da pesquisa, usados por 23 milhões de domicílios, ou um quarto dos lares brasileiros.

    A maior proporção de usuários de internet no celular usa o wi-fi, em detrimento do 3G e 4G, redes que exigem plano de dados no celular. “É uma forma de usar a internet e não gastar tanto dinheiro”, diz Winston Oyadomari, coordenador da pesquisa. O uso exclusivo do wi-fi chega a 30% dos usuários das classes D/E, versus 9% da classe A. Entre as crianças de 10 a 15 anos, ele chega a 42%.

    Com isso - estabilidade fixa e crescimento móvel - aumentou a disponibilidade de internet nas classes D e E (de 16% para 23% dos domicílios e de 30% para 35% das pessoas) e na região norte do Brasil, onde a banda larga fixa tem dificuldade de chegar. As conexões móveis são 49% das classes D e E e 47% da região Norte do país. “O cenário é de desigualdade”, diz Oyadomari.

    No país inteiro, 14% dos domicílios já têm acesso á internet sem terem computador, ou seja, sua inclusão digital se deu por meio de dispositivos móveis. Em 18% dos domicílios conectados, a internet chega de “carona” com vizinhos, por meio do wi-fi compartilhado. Isso ocorre principalmente em áreas rurais e no Nordeste, especialmente nos domicílios de classe D e E e com renda familiar de 1 ou 2 salários mínimos.

    “Nos últimos anos houve crescimento exponencial do uso diário. Quem usa internet no Brasil praticamente usa todos os dias”, diz Barbosa.

    Internet cara

    Nos domicílios sem acesso, o principal motivo para estar desconectado é o custo. 57% dos domicílios apontam o preço como um dos motivos, e 26% afirmam ser esse o principal. O coordenador do Cetic aponta o preço da conexão como uma questão relevante de política pública e observa que as regiões Sul e Sudeste já parecem estar atingindo um certo grau de saturação da capacidade de crescimento das conexões por banda larga fixa. “Precisamos mudar o preço e outras condições também, como imposto”, afirma.

    Segundo a pesquisa, 89% das pessoas que usam a internet o fazem para enviar mensagens instantâneas, usando aplicativos como o WhatsApp, e 78% afirmam usar redes sociais. Essas proporções são semelhantes ao que foi verificado em 2015.

    Em 2016, aumentou a proporção de pessoas que divulgam ou vendem produtos e serviços. Os vendedores cresceram de 7% em 2012 para 17% em 2016, enquanto os compradores cresceram de 31% para 38% em cinco anos. No ano, apenas os vendedores cresceram, ainda que dentro da margem de erro.

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