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greve dos caminhoneiros

Fábrica parada, refeitório sem comida e estoque em baixa: os reflexos da greve nas empresas

Paralisação acaba gerando um efeito cascata na indústria e no setor varejista ao afetar fornecedores, produtores e lojistas

  • PorJéssica Sant’Ana
  • 28/05/2018 15:59
 | Albari Rosa/Gazeta do Povo
| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

A greve dos caminhoneiros, que nesta segunda-feira (28) entrou em seu oitavo dia, paralisou parte do setor produtivo e afetou a venda de produtos nos supermercados. Diversas indústrias estão com suas fábricas paradas devido à falta de insumos e muitas já dispensaram seus funcionários sem previsão de retorno. Até mesmo comida está faltando nos refeitórios das empresas. Já os supermercados estão com falta de itens perecíveis, como frutas, verduras e carnes, e temem que as prateleiras fiquem ainda mais vazias caso a greve se prolongue. E, mesmo que o protesto acabe ainda nesta segunda, vai demorar dias para normalizar a produção, a entrega e o consumo, o que deve aumentar ainda mais o prejuízo do empresariado.

A Atlas Eletrodomésticos, uma fabricante de fogões com sede em Pato Branco, no Sudoeste do Paraná, está com a sua fábrica parada desde a tarde da última quinta-feira (24). A empresa teve que parar a produção porque começou a faltar insumos como embalagens e vidros que são, normalmente, entregues a cada dois dias e meio. Essa matéria-prima vem, principalmente, de São Paulo e Minas Gerais, estados que estão com grande parte das estradas bloqueadas.

Mesmo que a entrega dos insumos fosse restabelecida, a fábrica não ia voltar a funcionar por falta de comida no refeitório. Desde a manhã de sexta-feira (25), a refeição que é servida aos funcionários não é mais entregue. O próprio deslocamento dos trabalhadores foi afetado, já que muitos municípios da região estão com o transporte público funcionando parcialmente. Os 800 funcionários que trabalham na fábrica da Atlas Eletrodomésticos já foram dispensados e, pela estimativa do presidente da empresa, não devem retornar nesta semana.

“Mesmo que as estrada fossem liberadas hoje, a semana já está perdida. Vai demorar dias até normalizar a distribuição e quinta-feira é feriado”, diz Luiz Afonso Wan-Dall Júnior, CEO da Atlas Eletrodomésticos . “Estamos tentando negociar com o sindicato dos funcionários para que a gente consiga repor esses dias em que a fábrica está parada. Mas o que a gente deixa de vender para o varejo não recuperamos mais.”

Wan-Dall Júnior diz que, pela primeira vez, a empresa de 67 anos teve que paralisar a produção totalmente. “Essa greve foi muito rápida e não teve meio termo, nas anteriores a adesão não era plena.” O executivo completa que não espera recuperar totalmente os prejuízos causados pelos dias parados. “Eu acredito que a gente não vai conseguir recuperar tudo. Isso tira um pouco o ânimo de continuar expandindo, porque a gente já vem de dois anos muito difíceis para o setor de linha branca. Quando não é a alta de custo dos insumos atrelados ao dólar, é o desânimo do consumidor ou as mudanças econômicas”. A Atlas faz, em média, 6 mil fogões por dia.

Efeito cascata

A greve dos caminhoneiros acaba gerando um efeito cascata na indústria. A Ferramentaria Tramontini, que fornece peças para a linha branca, teve que parar a produção nesta segunda-feira (28) porque seus clientes, como a Atlas Eletrodomésticos, interromperam a produção. A empresa tem sede em Pato Branco.

“Até sexta-feira, estávamos funcionando parcialmente, com cerca de 40% da fábrica. Isso porque temos clientes muito próximos e não há bloqueios nessas estradas. Mas nenhum cliente está absorvendo a produção e todos eles tiveram que parar a produção. Então, tivemos que parar totalmente também”, afirma Olcimar Tramontini, presidente da Ferramentaria Tramontini.

A empresa tem 55 funcionários e faz cerca de 200 mil peças por dia. Por enquanto, ela não tem previsão de retomar a produção. “Fica tudo muito indefinido, porque os grevistas não têm um líder, não têm uma pauta bem definida. É tudo muito abstrato”, diz Tramontini. Ele acredita que o prejuízo dessa greve vai acabar caindo nas mãos dos consumidores: “Todos esses custos que estão sendo adicionados pelo governo e pelas empresas serão repassados. Certeza que é o consumidor que vai pagar o pato”.

Supermercados também são afetados pela greve

No varejo, os maiores prejudicados são os supermercados. As redes não estão recebendo produtos perecíveis como frutas, verduras e carnes em quantidade suficiente e já há falta desses alimentos em muitas unidades. Algumas lojas, inclusive, estão limitando a compra de produtos por clientes.

Uma rede de supermercados com atuação no Paraná e em Santa Catarina tem apenas 40% do estoque previsto para frutas e verduras. No setor de açougue, carnes com osso já não existem mais. O mesmo acontece com frango. Só é possível encontrar carnes a vácuo e frango congelado. Linguicinha ainda tem, mas o produto deve acabar nos próximos dois ou três dias.

“Algumas cidades do interior sofrem mais porque estão localizadas em regiões com bloqueio muito intenso. Já aquelas em que há abatedouro e produtores locais, o sofrimento é menor”, diz o gerente da rede de supermercados, que pediu para não ser identificado.

Para driblar a greve, a rede teve que recorrer aos produtores locais. Nas lojas mais afetadas pela paralisação, metade dos produtos perecíveis está sendo fornecida por produtores regionais. Alguns desses pequenos comerciantes já eram fornecedores, mas boa parte deles acabou virando na semana passada, quando a greve se intensificou.

“Grandes fornecedores acabaram ficando parados, principalmente quem precisava passar por pontos de bloqueios. Então, começamos a ligar para produtores locais, pegar telefone deles com parceiros e muitos deles, já sabendo que estamos com dificuldade de reposição, se ofereceram para vender para gente. Eles têm caminhões menores e carros particulares e conseguem fazer as entregas”, conta o gerente. Ele diz que acaba pagando um pouco mais alto pelos produtos, mas é a maneira de conseguir manter parcialmente as prateleiras de perecíveis ocupadas.

Os produtos industrializados ainda não são uma preocupação para a rede, pois ainda há estoque para 15 dias. A maior preocupação da empresa agora é com o fornecimento de gás. “Gás é um item que vai preocupar se não voltar a normalizar o abastecimento até quinta ou sexta-feira. Vamos acabar ficando sem gás para nossos setores de restaurante e panificação.”

Produtos parados na estrada

Os lojistas, em geral, estão sofrendo menos pela paralisação, o que não significa que eles não estão sendo afetados. O maior problema está na entrega programada de produtos. Um proprietário de lojas de calçados em Curitiba afirma que um pedido feito há 40 dias está com problemas para chegar devido aos bloqueios nas rodovias. São botas, tênis e sapatos que já saíram da fábrica, mas ficaram parados no meio da estrada.

“Agora estamos tendo que renegociar as condições de pagamento, pois temos um prazo médio de 60 dias para pagar a partir da data da emissão da nota fiscal, mas a mercadoria está parada na estrada, por culpa nem minha nem do fabricante”, diz Idalberto Villas Boas, que também é presidente do Sindicato do Comércio de Calçados de Curitiba e região. “Ninguém está contra a greve, mas há penalidades. É preciso ter uma flexibilidade muito grande.”

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