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Operadores do mercado de futuros agitam-se: desespero no auge da crise | Paulo Whitaker/Reuters
Operadores do mercado de futuros agitam-se: desespero no auge da crise| Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A turbulência financeira que assolou o mundo no ano prestes a terminar provocou perdas de R$ 871 bilhões na Bolsa de Valores de São Paulo. Isso significa que as empresas com ações listadas na Bovespa viram desaparecer 41,5% do seu valor de mercado. A queda, segundo levantamento da consultoria Economatica, equivale à destruição de duas empresas equivalente a Petrobras em um período de 12 meses ou ao desaparecimento de todo o setor bancário no país. Os dados mostram que o valor das ações das 323 empresas analisadas passou de R$ 2,097 trilhões em 26 de dezembro de 2007 para R$ 1,225 trilhão na mesma data neste ano.

Entre as nove principais praças mundiais – lista que inclui Estados Unidos, México, Inglaterra, Alemanha, França, Japão, China e Rússia –, a bolsa brasileira ficou em segundo lugar no ranking de perdas porcentuais de valor, atrás apenas da Rússia, que viu sumir 73,02% do mercado no período. A bolsa russa passou de um valor de US$ 996 bilhões para US$ 269 bilhões.

A derrocada financeira, que teve início com as hipotecas de alto risco, as chamadas subprime, nos Estados Unidos, já era anunciada pelo menos desde o começo de 2007. Mas poucos acreditavam que US$ 30,271 trilhões sumiriam dos mercados de ações em um ano. Isso representou uma perda da metade do valor de mercado das bolsas, que era de US$ 60,851 trilhões em 2007. Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Gradual, explica que a desvalorização do real a partir de agosto foi um dos motivos para que a bolsa brasileira se destacasse entre as mais críticas. Isso porque o câmbio passou de R$ 1,777 no fim do ano passado, para R$ 2,41 (alta de 36%). Ou seja, as companhias passaram a valer menos em dólares.

Outro fator preponderante é que a bolsa brasileira está fortemente ligada a commodities (matérias-primas, como petróleo e minerais metálicos), assim como na China e na Rússia. Juntas, as ações de Vale e Petrobras, as principais do pregão brasileiro, têm peso de 32,6% no Índice Bovespa (Ibovespa), referência do mercado. "O que ajudou nossa bolsa até 2007 e até meados de 2008 foram as commodities, subindo no mundo inteiro e catapultando as ações de Petrobras, Vale e siderurgia. Mas o que ajudou no passado prejudicou agora", faz coro Eduardo Roche, chefe de análise da Modal Asset.

No auge, as empresas brasileiras chegaram a acumular valorização de 13,08% em 2008, em dólares, depois de o país receber a nota de "grau de investimento" das agências classificadoras de risco Standard & Poor’s e Fitch. Na Rússia, a valorização máxima no ano, calculada em dólar, foi de 3,3%, em maio. "Elas não passaram por uma correção de preços antes do agravamento da crise. As outras bolsas mundiais já estavam se desacelerando gradualmente", diz Vieira, da Uptrend. "Até meados do ano, falava-se de um ‘descolamento’ de algumas bolsas, inclusive a brasileira, do contexto internacional. Mas a teoria acabou não se confirmando."

No cenário ainda de incerteza, fica difícil dizer quando virá a recuperação. Para Silveira, da Gradual, ainda não é possível traçar um quadro para 2009 sem saber a magnitude e a duração da recessão nos EUA, Europa e Japão. Para Jason Vieira, a bolsa terá boas oportunidades em 2009, mas o cenário é instável. "Dá para ganhar bastante, mas tem que trabalhar no giro diário [operações de compra e venda em curto espaço de tempo] e isso é coisa para profissional. Quem está fora e quer entrar deve buscar uma assessoria", diz.

Setores e empresas

O setor de telecomunicações, representado por 12 empresas, foi o menos afetado em 2008, com queda de 14,6% no seu valor de mercado. Em seguida vem o de energia elétrica, com 35 empresas, que registrou recuo de 22,6%.

Na outra ponta, o setor mais castigado foi o de construção, com queda de 72,4% no valor das ações de suas 29 empresas. A segunda área mais afetada foi a de papel e celulose, com desvalorização de 68,3% no período de 12 meses.

Entre as empresas da carteira teórica da Bovespa, a Rossi Residencial teve a maior queda porcentual no ano de 2008, com recuo de 80,6% do seu valor de mercado, seguida pela Aracruz, que no mesmo período perdeu 78,9%.

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