Sede do Fed em Washington: expectativa pela alta dos juros. | KEVIN LAMARQUE/REUTERS
Sede do Fed em Washington: expectativa pela alta dos juros.| Foto: KEVIN LAMARQUE/REUTERS

Desde quarta-feira, o comitê de política monetária americano está reunido para decidir se eleva ou não a taxa de juros do país pela primeira vez em nove anos. O pronunciamento de hoje da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) é aguardado por investidores e políticos de todo o mundo. Analistas, no entanto, se dividem quanto à alta. Alguns acreditam que a normalização da política monetária começará agora, devido à força da economia americana. Outros apostam que os indicadores dos Estados Unidos ainda dão sinais mistos e que o contexto internacional, principalmente com a desaceleração da China e queda no preço das commodities, fará com que a elevação seja adiada para dezembro.

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“É como um unicórnio, uma criatura mítica que anda por aí”, disse Maggie Kirchloff, analista da Wisdom Wealth Strategies, à Bloomberg. “Pode ser que exista, pode ser que apareça, mas não se sabe quando.”

Se as taxas realmente começarem a subir este mês, em geral, seria uma boa notícia para os poupadores americanos e uma má notícia para os devedores lá. E aqui? como isso afeta a vida do brasileiro? O pesquisador do Ibre/FGV Marcel Balassiano explica essa relação e diz que o principal impacto da alta dos juros americanos no dia a dia das pessoas deve ser sentido por meio da alta do dólar e o consequente reflexo disso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, que em 12 meses até agosto acumulava 9,53%.

A alta dos juros nos EUA pode gerar uma fuga de capitais dos mercados emergentes. Não apenas do Brasil. Isso ocorre porque a elevação da taxa básica americana aumenta a atratividade dos títulos do governo dos Estados Unidos, que são de baixíssimo risco, provocando uma saída de dólares do país para investimento lá. Mas não é uma migração total. O Brasil, por exemplo, paga juros muito alto e isso mantém o capital especulativo. Apesar disso, com a menor oferta de dólares aqui o real tende a se desvalorizar. Consequentemente, a alta da moeda americana deve ser refletida na inflação, uma vez que os custos de importação e de uma série itens da cadeia produtiva serão elevados.

A forte alta do dólar que tem sido observada é uma resposta do mercado financeiro à crise política e econômica brasileira. Ou seja, tem uma origem doméstica. O rebaixamento do Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P), que retirou o grau de investimento – um tipo de selo de bom pagador – do país complicou ainda mais o cenário no Brasil. Mas a decisão do Fed pode puxar o dólar um pouco mais para cima.

Inflação

O Banco Central veio subindo os juros como forma de combater a inflação. A última vez que o IPCA fechou o ano dentro da meta do governo, que é de 4,5%, foi em 2009, com uma taxa de 4,3%. Desde então, está sempre perto do teto da meta, que é de 6,5%. Este ano, a inflação deve ficar na casa de 9,5%, por causa dos preços administrados pelo governo, que têm um peso de 25% sobre o índice. A alta dos juros pelo Fed deve pressionar ainda mais a inflação neste ano e em 2016, quando deve ficar na casa de 5,5%, mas cujas projeções vêm subindo.

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