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Otimismo ajuda a regular as emoções, tornando decisões mais prudentes. | Bigstock
Otimismo ajuda a regular as emoções, tornando decisões mais prudentes.| Foto: Bigstock

O fascínio sobre o “poder da mente” não é de hoje: o assunto vem ganhando espaço desde a década de 1960, auge da contracultura. Mais recentemente, o tema entrou no mundo dos negócios e do trabalho – muitos especialistas passaram a pregar que pensar positivo ajuda a mudar os rumos da carreira para melhor.

Parece clichê, mas a neurociência (que estuda o funcionamento do sistema nervoso central e periférico) vem comprovando as benesses do otimismo e da gratidão. As atitudes ajudariam a regular as nossas emoções, tornando as decisões mais prudentes.

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“A metodologia do neurocoaching, criada por David Rock [fundador do Neuro Leadership Institute], parte do princípio que nosso cérebro tem um mecanismo primitivo, que ele chama de oportunidade e perigo. Quando nosso cérebro reconhece uma oportunidade, ele entra em um modo de aproximação. No modo perigo, de afastamento”, explica a neurocoaching e especialista em neurociência Lívia Humaire.

Por conta dessa origem, emoções positivas e negativas também afetam a maneira como lidamos com situações cotidianas. “O foco para se direcionar ao predador gera um afunilamento da nossa atenção. A emoção negativa serve para a sobrevivência, mas, às vezes, pode ser disfuncional. Do lado da emoção positiva, o efeito é o contrário: ela amplia a atenção e conseguimos perceber mais coisas do ambiente, o que pode ter efeito na criatividade, por exemplo”, explica o professor Paulo Sergio Boggio, responsável pelo curso de Neurociência e Psicologia Aplicada, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

De acordo com Lívia, quando estamos em um processo de pensamento negativo, nossa concentração se direciona para essas questões pessimistas o tempo todo. “Se algo der 10% certo e 90% errado, a pessoa só se volta para o negativo, o que impacta diretamente em como ela age no dia a dia.” O professor da área de Programação Neurolinguística do Isae/FGV Marco Túlio Costa salienta que esse com- portamento também afeta o nosso campo das crenças. “Se acredito que não é bom conversar com o fulano, de forma inconsciente, nem chegarei perto dele. Se acho que a minha carreira está estagnada, é a mesma coisa. A não ser que se use essa frustração para mudança.”

Resistência, inflexibilidade e imaturidade são outros fatores, além da postura negativa, que influenciam os objetivos profissionais, explica o presidente do IBC Coaching, José Roberto Marques. “A pessoa que não conhece suas habilidades e competências tem dificuldades em chegar a resulta- dos. Lembrando que a vida profissional deve ter congruência com aquilo em que acreditamos. Quando a pessoa não se reconhece naquela posição profissional, menos chances de sucesso.”

Metas

Só pensar que “tudo vai dar certo” sem atitudes concretas, dizem os especialistas, não resolve nada. Por mais que a nossa mente esteja com a atenção ampla quando otimistas, criar um plano de tarefas que levará ao propósito é mais efetivo. “Coloque tudo no papel. Veja quanto tempo vai gastar, quais os recursos vai precisar e o que é necessário fazer para correr atrás do que quer – sempre analisando o que é possível ou não. E deixe essas metas visíveis”, sugere Marco.

Também é importante dar o passo adiante depois de formular os objetivos. “Vejo que, no meio do processo de coaching, muitas pessoas param de fazer as ações”, conta Lívia. E mudar um costume requer, segundo ela, ao menos três meses, e com esforço contínuo. “É importante identificar o hábito que não quer mais, e substituir por outro que traga ganhos”, recomenda.

E não se preocupe quando o pessimismo dominar: o professor Paulo Boggio acredita que há certo exagero em bater na tecla de que é preciso pensar sempre positivo. “Fica uma coisa meio ‘Pollyanna’, onde não pode ter mais raiva, tristeza, sentimento de solidão. As emoções negativas também são importantes e excelentes para se guiar no mundo.”

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