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Concurso

Quem quer ser o próximo “Japonês da Federal”?

De olho no reconhecimento da profissão e no salário inicial de R$ 9 mil, estudantes lotam aulas que preparam para concurso, que sequer foi aberto, de agente da Polícia Federal

  • Rio de Janeiro
  • Agência O Globo
Newton Ishii, o Japonês da Federal, ficou ‘famoso’ por escoltar presos como o ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Newton Ishii, o Japonês da Federal, ficou ‘famoso’ por escoltar presos como o ex-ministro José Dirceu na Operação Lava Jato Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Eles são dentistas, advogados ou jornalistas, entre outras profissões, mas o que gostariam mesmo de fazer é ir atrás de corruptos para colocá-los atrás das grades. Confessam que já se imaginam em operações policiais, dando entrevistas na TV ou virando assunto na internet. O que falta, porém, para essa turma é passar num dos concursos mais disputados do país: o de agente da Polícia Federal. Para realizar o sonho, quem está em busca de um distintivo tem lotado as salas de aula.

Os “concurseiros” de plantão, como são conhecidos, desejam uma vida financeira estável, mas também reconhecimento e notoriedade – os maiores ídolos são o Japonês e o Lenhador da Federal, agentes que ficaram famosos ao participarem de operações da Lava Jato. A tarefa não é fácil. No horizonte dos concursos programados, não há qualquer indicação de quando serão abertas vagas para a PF – a última vez foi há dois anos. O grupo, no entanto, não esmorece. A procura por aulas preparatórias para as provas teve um aumento de cerca de 20% este ano, em comparação a 2015.

“Quando não há expectativa de abertura de novos editais, raramente há procura. Mas a Polícia Federal vem surpreendendo. Atribuo um pouco do aumento do interesse às grandes operações da Lava Jato”, afirma Lincoln Moura, professor e coordenador do curso Pra Passar.

O salário inicial de um agente, de mais de R$ 9 mil, é um dos motivos que levam os estudantes a investir no retorno a longo prazo. E também a focar nas aulas: os cursos preparatórios têm quinze disciplinas e oferecem simulados para que os alunos peguem o jeito de fazer a prova. Como o Governo Federal suspendeu temporariamente a abertura de novos concursos, a turma tem se inscrito em outros processos seletivos, que já estavam previstos, para testar os conhecimentos.

“É uma maneira de amenizar a ansiedade e de testar o que vem aprendendo, mesmo que não seja o plano A”, afirma o advogado Armando Neto, que vai fazer a prova do Tribunal Regional Federal, no ano que vem, enquanto aguarda o da PF. “Se eu passar não altera nada, eu quero ser policial”, diz.

Turmas reúnem 200 alunos

O desejo de sair por aí prendendo políticos e empresários com problemas na Justiça é o fator de união dessa legião de estudantes. Como eles enfatizam, a operação Lava Jato os motivou ainda mais. O sonho é sempre federal. Fazer concurso para a Polícia Militar ou Civil está longe dos planos dos “concurseiros”.

“Eu até faria concurso da polícia civil ou militar, mas o problema é que a falência do estado não me permite sonhar com uma profissão que se tornou instável. Prefiro aguardar a PF abrir as vagas”, afirma Fábio Amaral, outro advogado.

Com a demanda em alta, algumas turmas chegam a reunir até 200 alunos. Grande parte dos cursos oferecem aulas aos sábados, começando antes das 9h e terminando somente à noite. A opção pelo final de semana é porque grande parte dos alunos tem emprego. Como é o caso do auxiliar administrativo Ramon de Freitas, que decidiu entrar este ano no curso preparatório para o concurso da PF.

“O trabalho me impede de estudar durante a semana, por isso escolhi aulas aos sábados. Tive que me afastar um pouco dos amigos, de ir à festa e a bares, porque meu tempo livre é para estudo”, afirma Ramon. “Encarar o processo para passar em concursos não é fácil, mas virou meu sonho. Como a Lava Jato deve se estender pelos próximos anos, ainda pretendo entrar para a PF e fazer parte da operação”, afirma.

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