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Indústria - No Brasil, emprego cai 0,1%

Rio de Janeiro – O emprego industrial caiu 0,1% em junho ante maio, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em maio, a ocupação na indústria subiu 0,3% na comparação com abril. O IBGE avalia que a taxa negativa "reflete acomodação após seqüência de cinco altas consecutivas".

Nas demais comparações, os resultados em junho deste ano foram positivos, com elevação de 2,1% em relação a junho do ano passado, aumento de 2% no segundo trimestre, ante igual período de 2006, e elevação de 1,6% no acumulado do ano até junho. O instituto considerou ainda que "a tendência de crescimento é observada no indicador acumulado nos últimos 12 meses, que prossegue em expansão desde outubro de 2006, passando de 0,8% em maio para 1,0% em junho".

Ao detalhar o resultado, o IBGE informou que, na comparação com junho de 2006, todos os 14 locais pesquisados aumentaram o contingente de trabalhadores em junho deste ano. Na mesma comparação, os principais destaques regionais foram São Paulo (alta de 2,9% na ocupação), Minas Gerais (aumento de 2,1%) e região Norte e Centro-Oeste (elevação de 2,3%).

O Paraná e as Regiões Norte e Centro-oeste registraram em junho crescimento de 2,6% no número de horas pagas ao trabalhador da indústria, em relação a junho do ano passado. O número, acima da média nacional de 1,5%, é influenciado pelos fabricantes de meios de transporte (aumento de 28,5%) e segue bons resultados também registrados em maio (3,2%) e abril (2,5%). A folha de pagamento, que inclui salários e benefícios, cresceu 3,1%, por causa de novas contratações.

A Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisa os 18 principais ramos da indústria, que ampliaram o número de trabalhadores ocupados no estado em 2% no primeiro semestre.

"Os números refletem o aumento de crédito na praça, que por sua vez favorece as vendas de bens de consumo duráveis, em que se enquadram os automóveis", diz a economista do IBGE, Denise Cordovil. O dinamismo da indústria se intensifica desde o fim do ano passado. O emprego cresce num processo de recuperação, após a crise de dois anos causada por revezes agrícolas e a valorização do real. Ele segue, num ritmo mais lento, o bom resultado da indústria paranaense, que cresceu em junho 1,4% em relação a maio, 4,1% em relação a junho de 2006 e 7% no primeiro semestre.

Segundo pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados 2,3 mil empregos de janeiro a junho no setor automotivo da região de Curitiba – ante 723 no mesmo período do ano passado. Uma das influências foi a contratação de 600 metalúrgicos para a produção do recém-lançado Logan, da Renault, que deu início ao segundo turno de produção de veículos de passeio na montadora.

A fabricante de máquinas agrícolas Case New Holland contratou 400 pessoas no primeiro semestre deste ano, elevando seu quadro para 1,6 mil trabalhadores – necessários para dar conta do aumento de 30% esperado para o ano na fabricação de tratores.

O setor de alimentos e bebidas foi o segundo maior responsável pela variação no número de trabalhadores no semestre. O principal destaque foi a indústria do açúcar, que contratou 11,2 mil pessoas. A boa notícia para os trabalhadores, conforme o superintendente da associação de produtores Alcopar, José Adriano Dias, é que "ultimamente não se dispensa tantos deles na entressafra, aproveitando-se a mão-de-obra para a manutenção interna das usinas". O abate e preparo de carnes gerou 3,2 mil empregos no período.

Na comparação de junho ante junho do ano passado, o segundo setor que mais elevou seu estoque de trabalhadores foi o de produtos químicos, que inclui fertilizantes e adubos (aumento de 21,1%) – o primeiro foi o de meios de transporte. A fabricante de fertilizantes Solo Vivo, com fábricas em Araucária (RMC) e Paranaguá (litoral), iniciou o terceiro turno de produção na semana passada, com 40 novos funcionários no estado, o que elevou a folha para 180 pessoas. No ano passado, o número no período era de 130. A indústria de adubos, sazonal, concentra dois terços da produção anual no segundo semestre, quando exige contratações. "Esse ano houve crescimento maior, devido à ampliação da safrinha de milho, a possível expansão da soja e de culturas emergentes como a cana, que usa muito fertilizante", explica o gerente de marketing, José Roberto da Fonte.

A mudança no estoque de trabalhadores da indústria é gradual mas consistente. Nos 12 meses encerrados em abril, o indicador foi negativo (-0,6%), mantendo padrão iniciado no segundo semestre de 2005. Não variou no período encerrado em maio, mas já registra crescimento no período terminado em junho (0,4%).

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