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Quase metade do que o Brasil exporta é de produto básico. E tão cedo não vai mudar

Itens industrializados, que respondiam por 55,1% das vendas externas em 1997, hoje respondem somente por 36,1%, segundo a Secretaria de Comércio Exterior

  • Vandré Kramer
Movimentação de carga de soja no porto de Paranaguá | Ivan Bueno/APPA
Movimentação de carga de soja no porto de Paranaguá Ivan Bueno/APPA
 
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Quase metade do que o Brasil exportou no ano passado foi de produtos básicos. O percentual foi de 49,73% do total comercializado, o maior da série histórica, iniciada em 1997. 

 E não há expectativas de que, tão cedo, os produtos industrializados, que lideraram as exportações até 2009, voltem a liderar a pauta de produtos vendidos no exterior. “Dependemos muito das commodities”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). 

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2018, o Brasil exportou US$ 119,3 bilhões em mercadorias desse tipo, 18,1% a mais do que no ano anterior. 

 O peso dos produtos básicos na pauta vem ganhando força nos últimos anos. Em 1997, as exportações de produtos básicos correspondiam a 27,3% do total e a de industrializados, 55,1%. No ano passado, as vendas de industrializados no exterior corresponderam somente a 36,1% do total exportado.


Castro avalia que o Brasil se acomodou com a explosão nos preços das commodities, a partir de 2000. E, segundo ele, o Brasil também não fez a lição de casa no que se refere a criar condições para incentivar o comércio internacional. Segundo o Fraser Institute, o Brasil é o 91° país em facilidade para fazer negócios com outros países. 

 “A consequência é que Brasil não tem preços competitivos”, destaca Castro. E, segundo ele, uma melhora que facilite a exportação de manufaturados depende da realização de investimentos em infraestrutura e com a adoção de reformas estruturais.

Dificuldades 

Soluções para esse problema, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), só no médio e longo prazo. “Mas os primeiros sinais dados pelo novo governo, ao estimular a agenda de reformas, são bem positivos”, diz Carlos Eduardo Abijaodi, diretor de desenvolvimento industrial da entidade empresarial. A reforma do sistema previdenciário é um dos principais pontos da agenda do ministro da Economia, Paulo Guedes. 

 O andamento do programa de concessões de infraestrutura e a desburocratização também poderiam contribuir para facilitar as vendas de produtos manufaturados, destaca o dirigente. “Isto ajudaria a melhorar a nossa competitividade e reduziria o Custo Brasil. Não temos a competitividade que os chineses têm.” 

 Outra dificuldade que os produtos manufaturados têm para retomar sua participação na pauta de exportações brasileiras é a vantagem competitiva que os produtos básicos adquiriram no exterior, apesar dos gargalos de infraestrutura. 

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 As empresas brasileiras também enfrentam dificuldade de as empresas brasileiras se inserirem nas cadeias internacionais de produção, destaca Lívio Ribeiro, pesquisador sênior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). 

 Esta inserção depende de uma maior aproximação por parte dos empresários brasileiros e de uma mudança no foco da política externa, passando a priorizar acordos comerciais com outros países. 

 Um dos modelos de inserção nas cadeias internacionais a ser seguido é o australiano, que de acordo com o pesquisador, tem um perfil exportador parecido com o do brasileiro. Cerca de 70% das exportações australianas são de commodities, aponta a The Economist. E o país da Oceania tem algumas das principais economias mundiais como principais clientes: a China, o Japão, os Estados Unidos e a Coreia do Sul.

Perspectivas desfavoráveis no curto prazo 

 No curto prazo, um fator que também contribuirá para manter o domínio dos produtos básicos na pauta de exportações é a crise na Argentina, um importante cliente de produtos manufaturados made in Brasil. 

 A expectativa do FMI é que o PIB do país vizinho encolha 2,6% neste ano. “A Argentina está passando por uma desaceleração intensa. Vai haver uma queda nas exportações para lá”, diz Ribeiro, do Ibre. No ano passado, segundo a Secex, foram comercializados US$ 14,95 bilhões em mercadorias para lá, 15,14% a menos do que em 2017, 

 Um dos segmentos que mais será afetado é a indústria automobilística. No ano passado, as exportações caíram 8,6%, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). E, para este ano, a perspectiva de retração é de 6,2%, com a venda de 590 mil unidades. 

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 Mesmo para os produtos básicos, o cenário não está dos mais fáceis para o Brasil. A AEB) projeta que as exportações brasileiras de produtos básicos devem cair 9,6% em 2019. 

 Uma série de fatores deve impulsionar essa queda: guerra comercial entre Estados Unidos e China, um eventual aumento nas taxas de juros americanas, problemas políticos e econômicos na União Europeia (UE), retração na taxa de crescimento da economia chinesa, além da crise na Argentina. 

 Este cenário favorece a queda no preço das commodities. Entre as exportadas pelo Brasil, a única que deve aumentar é a celulose. A entidade projeta um preço médio de US$ 550 por tonelada para 2019, 0,9% a mais do que no ano anterior.

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