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Curitiba – Clientes de cerca de 500 restaurantes de Curitiba não puderam pagar suas despesas ontem com tíquete-refeição, segundo balanço da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). No país, o boicote aos vales mobilizou 5 mil estabelecimentos. O protesto contra taxas cobradas por administradoras, porém, não provocou muitas reclamações por parte dos usuários. "A maioria dos clientes foi solidária porque entendeu que é um benefício para os próprios consumidores", diz o presidente da Abrasel no Paraná, José Henrique Carlan. De acordo com a entidade, a redução das taxas poderia baixar entre 5% e 7% o valor da refeição.

Carlan afirma que as taxas cobradas por três das quatro maiores administradoras do país – as multinacionais Sodehxo, VR e TR – chegam a 10% sobre o valor dos vales. "Elas assinaram um acordo em 2002 que não está sendo colocado em prática", diz. Esse documento, segundo o presidente da Abrasel, limitaria as taxas em até 3,5% a partir da entrada do mercado dos tíquetes eletrônicos.

O empresário Bruno Draghi, proprietário de um restaurante no Batel, diz que 20% do seu faturamento é pago em vale. "Ficamos surpresos com a boa reação das pessoas. Não perdemos clientes com o protesto, como alguns temiam." Para o proprietário do restaurante Itália Grill, no centro da cidade, Osni Xavier, o dia de boicote foi importante para informar os clientes. "Muitos não sabem como funciona. Acreditam que é uma obrigação nossa receber tíquete e que recebemos o valor total." Segundo ele, até 40% dos seus clientes pagam com vale e a taxa cobrada para o seu estabelecimento é, em média, de 8,5%.

A engenheira química Carolina Porciuncula confirma que não tinha conhecimento das taxas e tão pouco do protesto. "Fui pega de surpresa. Ainda bem que tinha dinheiro na carteira." Ela concorda que as taxas são elevadas, mas espera que haja uma solução, para que não sejam precisos novos boicotes. A funcionária pública Márcia Regina Robles também teve de substituir os vales que usa por dinheiro no pagamento do almoço ontem. "A reivindicação é justa. Não tínhamos conhecimento de que as taxas eram tão altas."

Segundo o presidente da Abrasel Paraná, a entidade espera agora uma atitude das administradoras para resolver o impasse. Em nota divulgada na quarta-feira, a Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert), que reúne as três muitinacionais, lamentou a atitude a Abrasel e disse acreditar que o melhor caminho para resolver a questão é o diálogo. Caso não tenha acordo, a Abrasel pretende apresentar uma denúncia ao Ministério Público e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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