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Competitividade

Startups brasileiras disputam o próprio quintal com gigantes globais

Rivais estrangeiros de grande porte, como o Uber, pressionam empresas do país com poucos recursos para reagir

  • São Paulo
  • Estadão Conteúdo
Apps de táxi sentiram o golpe quando o Uber chegou ao país, em 2014. | Henry Milléo/Gazeta do Povo
Apps de táxi sentiram o golpe quando o Uber chegou ao país, em 2014. Henry Milléo/Gazeta do Povo
 
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TOPO

Uma batalha de cupons de descontos tomou de assalto a internet em dezembro de 2016. O confronto opunha dois rivais: o serviço brasileiro Spoonrocket — irmão mais novo do iFood — e o recém-chegado Uber Eats, braço “de comida” da gigante avaliada em US$ 62,5 bilhões. Ambos fazem entrega de pratos de restaurantes gourmet. O embate também ganhou as ruas: antes da estreia do Uber Eats no País, motoboys eram disputados um a um pelas empresas.

Dois meses depois, o conflito direto deu lugar a uma guerra fria. “Ainda vai levar tempo para a rivalidade ficar forte”, avalia Roberto Gandolfo, presidente executivo do Spoonrocket, que estreou em São Paulo em setembro. De lá para cá, a empresa chegou ao Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília — além de fazer testes em Porto Alegre. Seu rival está apenas na capital paulista.

Principal receio que a chegada de um rival de porte pode trazer, a desaceleração no crescimento não chegou à Spoonrocket. No primeiro mês após a estreia, a empresa teve 20 mil pedidos — em dezembro, chegou a 60 mil. Segundo apurou o Estadão Conteúdo, a empresa fatura cerca de R$ 2 milhões por mês. O Uber Eats não revela números, mas vê um mercado amplo para explorar. “Todos que têm um celular são possíveis usuários do Uber Eats”, diz um porta-voz da empresa.

Fogueira

Até mesmo empresas mais consolidadas sofrem com rivais que vêm de fora. É o que ocorreu com os apps de transportes: após unir taxistas e passageiros, as startups Easy e 99 (ainda com o sobrenome “Táxi”) sentiram o golpe quando o Uber chegou ao país, em 2014. Além de ser mais barato, o Uber elevou o padrão de atendimento: água e balas nos carros viraram regra.

Sem muito dinheiro no bolso, Easy e 99 demoraram para reagir. As duas empresas lançaram seus serviços de carros particulares (Easy Go e 99 POP) em meados de 2016, apenas em São Paulo. “Foi um período modesto em investimentos”, diz Paulo Veras, cofundador e presidente do conselho da 99. “É difícil concorrer em pé de igualdade com os estrangeiros em investimentos.”

A sorte da 99 mudou em dezembro de 2016, quando recebeu um aporte de mais de US$ 100 milhões, liderado pela chinesa Didi Chuxing. “Temos 250 vagas abertas para dobrar nossa equipe. Vamos lançar o 99 POP em pelo menos dez cidades até o fim do ano”, diz Veras. Além de dinheiro, os chineses também trazem conhecimento à 99 — não só tecnológico, mas também sobre como frear o Uber. Em junho de 2016, a Didi comprou a operação chinesa do Uber, se tornando a primeira empresa a desbancar a rival norte-americana.

Ainda sem uma grande parceria definida, a Easy passou 2016 tentando equilibrar as contas. “Em setembro, tivemos nosso primeiro mês de lucro em todos os países onde estamos”, diz o venezuelano Jorge Pilo, copresidente executivo da startup, que está em 30 países.

Para 2017, o plano é voltar a investir para não ficar para trás. A empresa pretende expandir sua equipe de tecnologia e vai apostar em novas fontes de receita, como usar o app para medir a qualidade do sinal de banda larga móvel (3G/4G) — e vender os dados para as operadoras. “Posso subsidiar o negócio e chegar ao ponto de não cobrar uma corrida para conquistar usuários”, exemplifica Pilo.

No passado, a falta de capital para investir matou negócios antes mesmo de ameaças estrangeiras chegarem no país. Em 2012, o serviço de streaming de música Sonora, do portal Terra, enfrentava apenas o finado Rdio — nomes como Deezer e Spotify ainda não estavam no País. Na época, o Sonora tinha 500 mil usuários e os executivos anteviam a vinda dos “gringos”.

“Precisávamos investir no catálogo e na experiência do usuário para crescer”, lembra o executivo Flávio Sousa, que trabalhou no serviço. No entanto, faltava dinheiro e o Sonora acabou desligando toda a equipe no final de 2012. Dois anos depois, vendeu sua base de usuários ao norte-americano Napster.

Cultura

Dinheiro na mão nem sempre é suficiente. Conhecer a cultura local e investir em atendimento pode ajudar empresas brasileiras. É no que crê a Easy, que elevou a barra para recrutar motoristas: “O Uber teve crescimento importante, mas há queda na qualidade”, diz Pilo.

Estar próximo do governo também pode ser útil — a 99 aposta em boas relações com prefeituras para diversificar seus negócios. Questionado, o Uber não revela planos, mas diz estar “sempre em busca de novos mercados para seus produtos”.

Às vezes, porém, é preciso trocar de pele para bater a concorrência. O Peixe Urbano fez isso: o site de compras coletivas disputou o mercado com o gigante Groupon, mas os dois cresceram rápido demais e tiveram problemas com fornecedores.

Em 2013, o Peixe se transformou em um site de venda de serviços — sem número mínimo de compradores para ativar uma oferta. O movimento chamou a atenção da chinesa Baidu, que comprou uma fatia majoritária da empresa (o valor da transação não foi divulgado). Com dinheiro em caixa, a empresa voltou a crescer. Em 2016, registrou o maior faturamento da história.

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