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Projeto social

Tapete movimenta comércio de Tijucas

Tijucas do Sul – Um trabalho artesanal com origem na Turquia e nome pouco conhecido no Brasil – o Smyrna – está, aos poucos, mudando a vida da ex-dona de casa, agora artesã, Aparecida Fernandes de Oliveira. Recentemente ela batizou os dois filhos e subiu ao altar – desejos adiados há pelo menos 12 anos, idade do mais velho. "Eu queria batizá-los, mas pra isso precisava casar na igreja."

A cerimônia vinha sendo adiada porque o salário do marido, o artífice de manutenção Pedro de Oliveira, conseguia cobrir apenas despesas da casa. Mas a renda da família ganhou reforço há um ano, quando Aparecida começou a participar do projeto social Vivat Tapetum trabalhando na confecção de tapetes com a técnica turca. "Consegui também comprar uma máquina de lavar roupa", comemora.

O projeto, resultado de uma parceria entre a Instituição Filantrópica Sergius Erdelyi e a Pontifícia Universidade Católica (PUC PR), está reforçando a renda familiar de Aparecida e de outras 34 famílias da comunidade da Lagoa, na cidade de Tijucas do Sul, Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A maioria vivia do trabalho nas lavouras de fumo e batata, principal atividade econômica da região. "O objetivo é profissionalizar os artesãos para tornar essa atividade auto-suficiente, gerar empregos locais e preservar a cultura", conta o idealizador do projeto, o artista plástico austríaco Sergius Erdelyi. "Não queremos que eles troquem de atividade, mas tenham outra, para completar a renda."

É pelas mãos de Erdelyi que a produção começa. Ele desenha cada um dos tapetes em uma tela que serve de base para a confecção. Cada estampa é exclusiva e dá origem a um produto com desenho e forma únicos. Os participantes retiram o material necessário para a produção e fazem o trabalho em casa. Segundo a coordenadora do projeto, Glória Xavier Pedro, as famílias recebem a remuneração na entrega do trabalho, de acordo com o número de pontos de cada tapete. "É difícil estimar quanto cada um ganha em média porque esse número varia muito", diz. "Mas temos retorno dos comerciantes de que esse dinheiro extra já está aumentando as vendas em supermercados e até nas lojas de materiais de construção", comemora.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Tijucas do Sul (Aetis), Antônio César Matucheski, e os lojistas da região confirmam o movimento. "As pessoas agora têm um dinheiro a mais no bolso e os comerciantes já sentiram essa diferença, inclusive nos setores de bens de consumo duráveis", diz Matucheski. "As pessoas daqui vivem uma realidade diferente daquela de capital, com necessidades de consumo distintas. Com esse dinheiro extra elas buscam mais conforto e bem-estar."

Segundo o proprietário do supermercado Lagoinha, Fernando Cezanoski, a diferença está na venda dos produtos supérfluos. "Antes as pessoas compravam apenas o necessário. Agora compram mais carne e sobremesas, por exemplo." O empresário conta que seu estoque ainda é suficiente para atender à demanda. "Mas se o número de famílias que participam do projeto crescer, vou precisar aumentá-lo", diz. "Seria muito bom se o projeto continuasse e fosse ampliado", torce a proprietária da loja de confecções Fada Modas, Francisca de Lourdes Machado.

Serviço: Projeto Viva Tapetum/Instituição Filantrópica Sergius Erdeley. Estrada São Marcelino Champagnat, s/n, Tijucas do Sul. Informações: (41) 3674-1161 ou www.vivatfloresta.org.

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