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Vácuo tecnológico no Brasil cria oportunidade para startups

Curitibana Mercafácil cresce com solução de tecnologia para o varejo; pesquisa mostra que executivos das indústrias querem inovação

  • Carlos Coelho
Cezar Augusto Romano, Silvana Weber e Paulo Oliveira, da incubadora da UTFPR | Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Cezar Augusto Romano, Silvana Weber e Paulo Oliveira, da incubadora da UTFPR Jonathan Campos/Gazeta do Povo
 
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A startup começou como muitas outras: pequena, com dinheiro próprio e uma ideia errada. Incubados na Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), onde também se formaram, George Christofis Neto e Bruno Vieira leal viram o foco da Mercafácil mudar de um comparador de preços de supermercado a um site de ofertas por geolocalização. Foi só após os primeiros anos que perceberam que o verdadeiro valor do seu negócio estava em vender a análise de dados para seus clientes. A partir daí o negócio deslanchou. Hoje a empresa tem 21 funcionários, novos sócios e um software online capaz de dizer como ganhar mais dinheiro, reter clientes, acertar no preço ideal de seus produtos e tudo isso que soa como música para qualquer varejista.

INFOGRÁFICO: o que os executivos de grandes empresas querem em uma startup?

A Mercafácil encontrou um vácuo que pouquíssimos pareciam ter percebido. Algo que pode ser traduzido por uma pesquisa conjunta do Movimento 100 Open Startups com apoio da Finep. A rede entrevistou cerca de 2 mil pessoas, executivos de grandes empresas, sobre o que eles desejam para seus negócios e cruzaram os dados com o que as startups ligadas ao movimento oferecem. Em alguns itens, sobretudo novas tecnologias, o gap é gigantesco. Exemplo: 40,1% dos executivos disseram querer investir em impressão 3D. Apenas 3,3% das startups estão atuando nesta área.

“Essa pesquisa mostra oportunidades de negócios para quem quer investir. Tem áreas que, naturalmente, vão ter menos empresas atuando pelo custo. Outras, mostram um potencial atrativo”, explica Rafael Levy, porta-voz da Open Innovation Week, evento organizado pelo movimento 100 Open Startups. Lógico, desenvolver veículos autônomos é para poucos, mas há outros caminhos. Cerca de 62,2% demonstraram interesse por Big Data e Analytics; 37,8 das startups estudadas atacaram nesta direção.

A Mercafácil atacou. O software da empresa usa os princípios do Big Data para gerar valor para os varejistas que atende. “Um supermercado não vive sem cliente, então eu consigo dizer para ele quem são os compradores novos ou os que deixaram de comprar. Em uma loja pequena e média [focos do negócio], há entre 9 mil e 15 mil produtos. Uso a análise de dados para dizer ao varejista que ele devera praticar determinado preço em determinado produto se quiser ter mais vendas e lucro. Se os clientes deixaram de comprar, mostro o grupo de produtos que eles adquiriam para se pensar estratégias em cima disso”, conta Christofis Neto, CEO.

Tal solução chamou a atenção de Marcel Malczewski , cofundador da Bematech, um case paranaense de sucesso, e investidor. A M3 Investimentos, do empresário, entrou no negócio oferecendo não só aporte financeiro. “Ele faz parte do nosso conselho. Ajuda com a experiência que ele tem, de canal de venda, remuneração para canais de venda, como escalar margens”, exemplifica Christofis Neto. O valor de investimento não foi divulgado. Mas era o passo que faltava para sonhar alto e impulsionar um crescimento já assombroso. Em um ano, a Mercafácil pulou de 14 lojas para 170 atendidas. “Queremos quadruplicar nossa base de clientes esse ano. Até 2020, queremos ter 3 mil lojas e faturar R$ 40 milhões por ano”, diz o CEO.

Soluções inovadoras

“É uma solução [o software da Mercafácil] que pode ser usada em qualquer lugar do mundo. Tem potencial de unicórnio [empresa com valor superior a US$ 1 bilhão]”, projeta a professora Silvana Weber, que coordena a incubadora da UTFPR.

E é nas instituições de ensino e incubadoras que o penhasco mostrado pela pesquisa da Finep pode se desmanchar. Na UTFPR, “a escolha das empresas incubadas tem enfoque na inovação tecnológica”, diz Cezar Augusto Romano, diretor do Câmpus Curitiba da universidade. “Precisamos colocar o país num patamar ainda acima do que um fornecedor de commodities. Queremos produzir inovação e tecnologia”.

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