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A Companhia Vale do Rio Doce insiste em sua proposta de reajuste de 24% do minério de ferro nas negociações com seus clientes, apesar da resistência das siderúrgicas chinesas. O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse nesta quinta-feira que a maior produtora mundial de minério de ferro, que atualmente trabalha com contratos de longo prazo, pode começar a atuar mais no incipiente, mas crescente, mercado à vista, onde os preços são mais altos.

A Vale argumenta que os fornecedores de minério de ferro, que hoje operam no limite de sua capacidade em meio à alta demanda pelo produto no mundo, precisam da elevação do preço para investir em novas operações de mineração.

- Acho que eles vão aceitar nosso raciocínio... Se um cliente não quiser aceitar no longo prazo, vamos vender no mercado à vista e eu posso garantir que ganharemos mais dinheiro lá - disse Agnelli a jornalistas.

Ele acrescentou, no entanto, que isso não será uma escolha fácil.

- Como trabalhamos com uma visão de longo prazo, preferimos manter nossos clientes de longo prazo porque são eles que garantem nossa futura geração de caixa e investimentos - disse o executivo.

Para Agnelli, a proposta de reajuste é "absolutamente correta e fundamental" para os investimentos futuros. Ele explicou que o superaquecimento do mercado é resultado da falta de investimentos na década de 1990, quando os preços estavam baixos.

A Vale também busca fazer frente à valorização do real ante o dólar.

As 16 maiores siderúrgicas chinesas, lideradas pela Baosteel, realizaram a quarta rodada de negociações com as três maiores mineradoras do mundo, a Vale, a BHP Billinton e a Rio Tinto , no final de março, mas não houve acordo sobre os preços dos contratos para o ano fiscal que se iniciou no dia 1º de abril. Não é comum as negociações estourarem o prazo.

- As negociações continuam. Estamos coversando na Europa, na Ásia. Nossos clientes querem ouvir a posição chinesa e nós temos explicado a eles que precisamos investir muito fortemente e precisamos de recursos para isso - disse Agnelli.

O setor chinês de aço não está mais insistindo na redução do preço referencial do minério de ferro para este ano fiscal. No entanto, a indústria ainda busca o menor reajuste possível depois de uma elevação de 71,5% no ano passado.

Agnelli disse que os recentes problemas enfrentados pelo setor de mineração da Vale, como as fortes chuvas e problemas com equipamentos em um porto no norte do Brasil, não afetarão a meta de entregas da empresa para este ano.

A companhia espera elevar sua produção de minério de ferro para 264 milhões de toneladas neste ano, em comparação com os 234 milhões de toneladas produzidas pela companhia no ano passado.

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