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Educação

A fórmula nada secreta das escolas campeãs

Não existe milagre. As escolas com as melhores notas no Ideb 2011 têm receitas simples como disciplina e diretores comprometidos

  • PorAnna Simas e Denise Paro, da sucursal de Foz
  • 18/08/2012 21:03
A baixa rotatividade de professores é uma das medidas adotadas na Escola Municipal São Luiz, de Curitiba | Antônio Costa/Gazeta do Povo
A baixa rotatividade de professores é uma das medidas adotadas na Escola Municipal São Luiz, de Curitiba| Foto: Antônio Costa/Gazeta do Povo

Check list

Ao visitar uma escola, esteja atento a características que ajudam as instituições a alcançarem ótima colocação no Ideb:

• Disciplina.

• Aula de reforço em contraturno em todos os bimestres.

• Limpeza e organização do espaço físico.

• Valorização do professor, incentivando que ele trabalhe por muitos anos na mesma escola.

• Participação dos pais nas reuniões bimestrais.

• Turmas pequenas, o que possibilita o professor dar atenção igual a todos os alunos.

• Diretores comprometidos e exigentes.

• Planejamento pedagógico seguido à risca.

• Recurso da APMF para a compra de materiais que faltam.

• Atividades extracurriculares que complementam assuntos vistos em sala.

• Colaboração da comunidade, como a liberação de espaços que faltam nas escolas, a exemplo de quadras de esporte e salão de eventos.

Valorização

A valorização do professor e o reconhecimento do seu trabalho fazem com que ele se sinta motivado a continuar os estudos e aprimorar o currículo. No Colégio Militar de Curitiba, por exemplo, 63% dos docentes civis têm mestrado, sendo que parte deles tem dedicação exclusiva. Já em Foz do Iguaçu, os professores de todas as escolas da rede municipal recebem 14º salário quando a instituição em que trabalham atinge uma meta estabelecida para o Ideb. Dependendo do resultado, até um 15º salário pode ser incorporado.

  • Turmas da Escola Municipal Santa Rita de Cássia, de Foz, têm dois professores em sala

O segredo do sucesso das escolas que tiveram as melhores colocações no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2011 não se trata de nenhuma inovação educacional ou tecnológica. Pelo contrário. Todas seguem um modelo tradicional de organização, disciplina e cobrança de resultado, uma fórmula que pode ser aplicada em qualquer lugar, sem mistério.

Para que esse modelo funcione, o primeiro passo é uma boa gestão. Diretores comprometidos e rigorosos são capazes de transformar o espaço escolar e conquistar bons resultados. Na Escola Estadual Ângelo Trevisan, de Curitiba, – 3.º lugar do Paraná nos anos finais do ensino fundamental, com nota 6,1 – a diretora Gorete Stival Paula cobra a participação dos pais na educação dos filhos.

Ela chega a fazer mais de quatro sessões de uma mesma reunião até que todos os pais compareçam. "Faço assim [convoca quantas reuniões for preciso] até que todos venham e conversem com as professoras para saber como seu filho está na escola", comenta.

Na Escola Municipal Pre­sidente Pedrosa – nota 7,5 nos anos iniciais do ensino fundamental (mesmo desempenho de outros oito colégios do estado), 1.ª de Curitiba e 12.ª do Paraná –, a cobrança é semelhante, só que com os professores. As diretoras Rosângela de Jesus Narciso e Viviane de Fátima Estegues exigem que todos sigam à risca o planejamento pedagógico elaborado semanalmente. Lá, tudo é pré-avaliado, desde as tarefas de casa até o livro a ser lido por um contador na biblioteca. Essa metodologia contribuiu para que a nota saltasse 2,1 pontos em seis anos.

Um dos problemas apontados pela superintendente da Educação da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Meroujy Giacomassi Cavet, para o baixo desempenho de uma escola é a alta rotatividade de professores. Na maioria dos colégios que se destacou no Ideb no Paraná, isso é algo bem longe de ocorrer. O quadro efetivo de docentes permite que eles tenham maior comprometimento com a proposta pedagógica e, com isso, possam acompanhar de perto o desempenho de cada estudante.

Essa supervisão, aliada à vontade do professor de estar em sala e ensinar, resulta em qualidade. "Aqui, o profissional cumpre o seu papel. Cobra tarefa, dá aula de reforço, conversa com a família do aluno e pede que ela, em casa, acompanhe as atividades do filho", conta a diretora da Escola Municipal São Luiz, Simone da Cunha, que também teve nota 7,5 e divide colocação com a Presidente Pedrosa.

Equipe multidisciplinar

Nas escolas Santa Rita de Cássia, João Paulo I e Benedicto Cordeiro, de Foz do Iguaçu – que ficaram entre as dez melhores do Brasil, entre 51.809 colégios de anos iniciais –, além das aulas de reforço e das turmas reduzidas, os alunos são acompanhados por uma equipe de fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais.

Na campeã nacional do Ideb, a Escola Santa Rita de Cássia, alunos do 5.º ano têm duas professoras, em vez de uma. Cada profissional trabalha com as disciplinas que mais tem afinidade. A experiência, em prática desde 2007, tornou-se um diferencial porque possibilita ao aluno interagir com diferentes abordagens. "Os estudantes dialogam com dois professores e isso estimula o conhecimento. Às vezes, eles se cansam de ouvir um só", diz a professora Leda Márcia Dias Dal Lin, responsável pelas disciplinas de Português e Ciências.

Espaço conservado: um bom começo

Uma escola bem conservada, sem pichações e sem carteiras e janelas quebradas faz toda a diferença no desempenho do aluno. Das oito escolas visitadas pela reportagem, em Curitiba e Foz do Iguaçu, todas são exemplos de que – mesmo com estrutura antiga, mas limpa e organizada, e sem recursos para comprar equipamentos modernos – é possível deixar o local confortável e acolhedor para os estudantes.

O consultor educacional Renato Casagrande explica que esse fator reflete na forma como os alunos enxergam o lugar em que estudam e gera respeito tanto pelo ambiente como pelo responsável por ele, que é a figura do diretor.

Porém, nem sempre o recurso destinado pelo governo dá conta de suprir todas as necessidades. É aí que entra, mais uma vez, a família. Boa parte do que as escolas gastam com material de limpeza e de papelaria é proveniente de recursos da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF). Na última festa junina da Ângelo Trevisan, por exemplo, a associação arrecadou R$ 47 mil, dinheiro usado na escola ao longo do ano.

O tamanho da escola também afeta o desempenho de alunos e professores. As três campeãs de Foz são pequenas e contam com no máximo 30 alunos em cada sala, modelo que recebe elogios da professora do setor de Educação da UFPR Araci Asinelli da Luz. "Não tem como você fazer vínculos e dar um atendimento personalizado em uma sala com 50 alunos", diz.

Aliadas ao ambiente estruturado, todas essas escolas provam ainda que a disciplina não é coisa do passado. Em todas, diretores e professores estão preocupados em manter o local sem bagunça e fazer o aluno respeitar e obedecer ao professor, seja no cumprimento das tarefas ou na postura no pátio e em sala.

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