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A origem das universidades remonta à Idade Média, período no qual estas instituições se estabeleceram como centros aglutinadores do conhecimento humano. Caracterizando-se como polos de atração de estudantes oriundos das mais diversas nacionalidades europeias, a universidade proporcionava-lhes uma atmosfera única de integração e um ambiente acadêmico vibrante no qual se respirava o desejo pelo conhecimento (1). Conforme cita Haskins, as universidades atraíam

por sobre montanhas e através de mares estreitos jovens entusiasmados que alegremente aprendiam e ensinavam, para formar em Paris e Bolonha aquelas corporações acadêmicas que nos deram a primeira e melhor definição de universidade, isto é, uma sociedade de mestres e estudantes” (2).

O nascimento desta organização foi impulsionado pelo renascimento do século XII, durante o qual um grande afluxo de novos conhecimentos inundou a Europa Ocidental, transmitido principalmente por eruditos árabes, através as obras de Aristóteles, Euclides, Ptolomeu, dos médicos gregos, e textos do direito romano que permaneceram ocultos durante a Idade Média.

Assim, desde sua origem até a contemporaneidade, a instituição universitária apresenta como traço indelével e elemento definidor de sua essência a vocação em transpassar as fronteiras geográficas e as fronteiras do conhecimento. A efetivação desta vocação exige dos membros da academia aquele espírito desbravador, livre de antolhos, liberto de preconceitos, desafeto de dogmas, independente das agendas de quaisquer agremiações externas à academia. Um espírito que estima o método científico, intelectualmente autônomo, intrépido, perspicaz, questionador. Enfim, o verdadeiro espírito da mãe que nutre os estudos.

Em que pese a necessidade de que que tais concepções caracterizem a atmosfera cultural da comunidade acadêmica, recai também sobre a administração institucional um papel peremptório na garantia e preservação de um espaço verdadeiramente plural, não hostil ao dissenso, que permita e fomente o livre trânsito de ideias, o debate pautado nos princípios democráticos de respeito à diferença e de tolerância à divergência de opinião. Por conseguinte, incumbe aos gestores não compactuar com quaisquer formas de cerceamento da liberdade de expressão, não subscrever agendas que subvertam os objetivos e a missão institucional, bem como não agrilhoar a instituição a interesses político partidários.

A universidade que se pretende sem fronteiras deve se submeter à constante autocrítica, não se auto infligir fronteiras intelectuais, desprender-se de ilusões ideológicas, estar atenta às demandas locais e regionais da comunidade em que se insere, atrair docentes e discentes autóctones e estrangeiros, fomentar a pesquisa com igual prestígio nas mais diversas áreas, valorizar  o conhecimento contemplativo bem como o prático, preparar seus estudantes para a vida, a cidadania e também para o mercado, e irradiar seu entorno com os saberes e a pujança que somente a herdeira de uma tradição que superou as fronteiras do tempo traz consigo.

(1) Haskins, Charles Homer. The Life of Medieval Students as Illustrated by their Letters. The American Historical Review, Vol. 3, No. 2 (Jan., 1898), pp. 203-229

(2) Haskins, Charles Homer. A Ascensão das Universidades. Livraria Danúbio. Santa Catarina, 2015

*Gleisson Brito é Professor da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e encabeça a lista tríplice para reitor da instituição enviada ao MEC.

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