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Aprendizado em 140 caracteres

Mistura de blog e rede social, o Twitter tem sido utilizado como um auxílio divertido no processo de aprendizagem

  • Marcela Campos
A professora Giovanna Valenza utiliza o twitter para repassar o conteúdo com alunos como Viviane Maia dos Santos: “A gente até descobre interesses em comum com o Twitter. Quando a relação ficava só na sala de aula, acabávamos não tendo muito contato.”
Viviane Maia dos Santos, estudante do Ensino Médio |
A professora Giovanna Valenza utiliza o twitter para repassar o conteúdo com alunos como Viviane Maia dos Santos: “A gente até descobre interesses em comum com o Twitter. Quando a relação ficava só na sala de aula, acabávamos não tendo muito contato.” Viviane Maia dos Santos, estudante do Ensino Médio
 
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O que é possível fazer com 140 caracteres? Para professores que usam o Twitter nas aulas, aumentar a atenção dos estudantes, ampliar a interação e facilitar o processo de aprendizagem. Mistura de blog e rede social, o site só possibilita textos curtos – para efeito de comparação, a segunda frase dessa matéria tem exatamente o tamanho permitido. Embora seja muito utilizado para expressar opiniões, ele pode ter outras funções e nos últimos anos ganhou status de recurso pedagógico. “As escolas e os professores estão se modificando para acompanhar a realidade dos alunos. A ideia da aula com giz e quadro-negro já caiu”, afirma Jonas Pegoraro, 30 anos, professor de História do Colégio Positivo.Pegoraro conseguiu transformar a ferramenta de relacionamento, que muitos alunos usavam apenas para diversão, em mais uma mãozinha no aprendizado. Dentro de um amplo trabalho de pesquisa sobre a civilização egípcia, ele dividiu as turmas do primeiro ano do ensino médio em grupos e determinou que cada um postasse 50 mensagens sobre os conteúdos estudados. As turmas tiveram duas semanas para criar seus “tuites” sobre um subtema específico, entre eles mumificação, aspectos políticos, arquitetura e economia. O trabalho rendeu quase 30 mil postagens e virou o assunto mais comentado de Curitiba, na rede social, durante a manhã do dia 4 de abril. “Nunca vi os estudantes tão empolgados como naquele dia”, afirma Pegoraro.

As postagens foram feitas no laboratório de informática do colégio. A estudante Helena Chagas Salvador, 15 anos, conta que os alunos queriam criar tuites diferentes e curiosos, por isso se comprometeram com a pesquisa. O trabalho também permitiu que os alunos desenvolvessem capacidade de síntese. “Tínhamos de pegar informações e colocá-las em uma linguagem que todos entendêssemos e que coubesse em 140 caracteres. Tivemos de ler e reler os textos para poder simplificar”, diz.

Revisões pela internet

Na unidade Hauer do Colégio Sesi-Esic, quatro professoras do ensino médio aproveitaram o interesse dos alunos pelo Twitter para fazer uma revisão on-line na noite anterior ao simulado do segundo bimestre. Elas fizeram perguntas sobre os principais conteúdos trabalhados e responderam às dúvidas postadas pelos alunos. “Nós já havíamos feito revisão na sala, mas sempre ficam algumas dúvidas”, afirma Giovanna Valenza, 27 anos, professora de Língua Portuguesa. Também participaram do tira-dúvidas as professoras Hellen Gonçalves (Espanhol), Marta Savi (História) e Camila Boscardin Noering (Artes).

“Além de melhorar a relação entre alunos e professores, a revisão ajudou no simulado”, afirma Heidan Rodrigues, aluno do segundo ano. A estudante Viviane Maia dos Santos diz que mesmo com a revisão simultânea de quatro disciplinas os alunos conseguiram acompanhar as discussões. “Estamos acostumados a participar de várias conversas nas redes sociais, conseguimos responder a várias pessoas ao mesmo tempo”, afirma. Para organizar a revisão, as professoras utilizaram hashtags (expressões acompanhadas do símbolo #), que têm a função de agrupar as mensagens sobre um mesmo tema.

Ferramenta torna relação mais próxima

Além de utilizar o Twitter em atividades escolares, alguns professores aproveitam a ferramenta para melhorar a comunicação com os alunos e divulgar materiais complementares aos conteúdos. “O bom do Twitter é que você estende o aprendizado para a casa. A nossa professora de Artes, por exemplo, posta quadros e imagens, enquanto a professora de Português passa links de textos sobre a reforma ortográfica. Com isso, os professores criam interesse, os estudantes ficam curiosos e fazem buscas sobre os assuntos”, afirma Heidan Rodrigues, aluno do segundo ano do ensino médio do Colégio Sesi.

Segundo a estudante Viviane Maia dos Santos, a rede social aproxima os alunos dos professores. “A gente até descobre interesses em comum. Quando a relação ficava só na sala de aula, acabávamos não tendo muito contato”, diz. Para Mozer Anjos, 25 anos, professor de Língua Portuguesa e Redação do Curso Domínio, o Twitter, se bem aplicado, pode se tornar um recurso poderoso de apoio. “Eu sempre dou dicas de leitura e música ou coloco matérias que considero importantes. Mostro ao estudante que é possível ter informação de qualidade no principal meio de comunicação dele”, complementa.

O uso da ferramenta, porém, exige cuidado. “Quando o seu Twitter é tomado pelos alunos, ele deixa de ser uma via de expressão com liberdade total”, afirma Raphael Corrêa, 29 anos, professor de Física do Colégio Dom Bosco. Uma opção é criar um perfil pessoal e outro para se relacionar com os estudantes, como fez a professora Giovanna Valenza, do Sesi. A situação foi explicada aos alunos, que compreenderam a importância da separação.

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Interatividade

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