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Entrevista

Aprendizagem de universitários é limitada, diz pesquisador

Após levantamento, sociólogo alerta para a incapacidade dos estudantes de produzir ciência

  • PorAndressa Muniz, especial para a Gazeta do Povo
  • 17/11/2018 20:24
“Pensar criticamente sobre a retórica política e pensar sistematicamente sobre os problemas complexos da nossa época são habilidades essenciais para a sociedade civil mais ampla”, diz Richard Arum. | Joseph Williams
Flickr/Creative Commons
“Pensar criticamente sobre a retórica política e pensar sistematicamente sobre os problemas complexos da nossa época são habilidades essenciais para a sociedade civil mais ampla”, diz Richard Arum.| Foto: Joseph Williams Flickr/Creative Commons

Estudantes universitários realmente estão aprendendo algo na graduação? Richard Arum, professor na Universidade da Califórnia em Irvine, tenta responder essa pergunta com o livro Academically Adrift: Limited Learning on College Campuses (Academicamente à Deriva: Aprendizagem Limitada em Campi Universitários, em tradução livre, ainda sem edição no Brasil). 

Segundo Arum, os estudantes estão cada vez menos envolvidos no processo de aprendizagem: o objetivo é conseguir um diploma, não aprender. Sociólogo de educação e estratificação, suas pesquisas focam em aprendizagem e investigam as causas para essa falta de envolvimento. 

Em entrevista à Gazeta do Povo, ele fala sobre a relação atual entre estudantes e universidade e o valor do conhecimento.  

O ensino superior está se tornando mais competitivo e caro, mas vale a pena para os estudantes? Eles estão realmente aprendendo? 

O ensino superior está se tornando cada vez mais essencial para alcançar sucesso econômico e bem-estar. Apesar disso, os estudantes estão passando pelo ensino superior com envolvimento acadêmico mínimo: estão se formando com uma credencial, mas também com aprendizagem limitada. 

Por que os estudantes não estão aprendendo mais? Há uma crise no ensino superior? 

Não existe uma crise no ensino superior em termos de sustentabilidade institucional, pois a demanda por diplomas está aumentando. Muitos estudantes não estão aprendendo porque não estão envolvidos no processo de estudar: eles não consideram o currículo e o ensino relevantes ou interessantes.

LEIA MAIS: A universidade está deprimindo os estudantes. Que tal ensinar “felicidade”?

Na pesquisa [que deu origem ao livro Academically Adrift], perguntamos aos estudantes quantas horas por semana eles estudaram e se prepararam para a aula. Descobrimos que, em média, os estudantes universitários em período integral nos EUA estudavam apenas 12 ou 13 horas por semana e um terço desse tempo era gasto com os amigos. Estudar com os amigos, porém, também não melhorou a situação. Na verdade, levou a um desempenho negativo. 

Também perguntamos a eles sobre seus requisitos de leitura e escrita em suas aulas. Metade dos alunos relatou que, em um semestre típico, eles não tinham nenhuma disciplina que lhes pedisse para escrever mais de 20 páginas ao longo do semestre, e 32% disseram que não tinham uma única disciplina em que eram solicitados a ler mais de 40 páginas por semana. 

Quais são os maiores problemas no ensino superior hoje e como eles afetam a experiência dos estudantes? 

Muitas instituições não estão acompanhando o desempenho dos alunos e o conteúdo acadêmico a que eles têm acesso. “Quantas horas você estudou? Que tipo de requisitos de leitura você tem? Que tipo de feedback você recebeu em seu artigo?” As instituições acabam tratando os estudantes como consumidores e não como protagonistas de um modelo que promova o rigor acadêmico e a excelência. 

Isso varia de instituição para instituição. Nem todas são julgadas por pesquisa e produtividade acadêmica e muitas das faculdades e universidades estão focadas apenas em tentar subir sua posição nos rankings. Isso tem pouco ou nada a ver com a excelência no ensino de graduação e o rigor acadêmico. 

Nesse cenário de baixo envolvimento dos estudantes na aprendizagem, como é a transição dos universitários para a vida adulta? 

A aprendizagem limitada em termos de pensamento crítico, raciocínio e comunicação complexos tem implicações na capacidade de, nada mais nada menos, manter um sistema democrático. Espera-se que os formandos de hoje sejam os líderes cívicos de amanhã. 

Os alunos que acompanhamos no mercado de trabalho foram questionados, por exemplo, com que frequência leem jornais impressos ou online e 36% deles disseram “mensalmente ou nunca”. Como pode existir um sistema democrático funcional quando a elite educada não está mais lendo notícias regularmente? 

VEJA TAMBÉM: Do Brasil a Alemanha: por que ninguém quer ser professor?

Pensar criticamente sobre a retórica política e sistematicamente sobre os problemas complexos da nossa época são habilidades essenciais para a sociedade civil mais ampla. 

Considerando esses fatores, o que os estudantes podem fazer para buscar uma boa formação? 

Ainda é essencial ingressar no ensino superior. Entretanto, isso não é suficiente. As instituições precisam fazer um trabalho melhor para envolver os estudantes. Os estudantes, por outro lado, precisam fazer um trabalho melhor para se envolver no processo de aprendizagem.

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