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fórum social mundial

Bancado com dinheiro de universidade, Fórum Social Mundial terá “Festival de Cerveja”

Universidade do Estado da Bahia reservou R$2,2 milhões de reais para evento promovido por entidades de esquerda

  • Ricardo Prado, especial para a Gazeta do Povo
 | EVARISTO SAAFP
EVARISTO SAAFP
 
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A programação do Fórum Social Mundial, que ocorrerá na Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e receberá R$2,2 milhões  da instituição de ensino, inclui até mesmo um “Festival da Cerveja Artesanal”.

O “Primeiro Festival de Cerveja Artesanal e Culturas de Resistência” será composto por oficinas, debates e shows voltados para a produção de cerveja artesanal como uma forma de resistência ao capitalismo e... captação de recursos.

De acordo com os organizadores, o festival é uma “iniciativa autogestionada (sic) por coletivos culturais que fomentam a produção de cerveja artesanal como cultura de resistência”.

LEIA MAIS: Onda de cursos sobre “golpe” expõe domínio “acachapante” da esquerda nas universidades

A programação do Fórum Social Mundial também inclui o painel “As tarefas da Esquerda frente ao Golpe no Brasil”, com participação da Senadora Fátima Bezerra (PT-RN), dos Deputados Federais Arlindo Chinaglia (PT-SP), Marco Maia (PT-RS) e Maria do Rosário (PT-RS), e do Deputado Estadual Marcelino Galo (PT-BA). 

Outras ações são a Frente Desenfeitiça Brasil, evento composto por mesas temáticas sobre a saúde de “uma sociedade biocentrada” e o “direito à diversidade” na medicina, e a Oficina de Envelhecimento e Gênero, que busca promover discussões sobre gênero em todas as etapas da vida, “do nascimento ao envelhecimento”. 

Já para promover uma reflexão sobre “as lesbianidades” no cinema, o seminário “Quando lésbicas filmam lésbicas: Lesbianizando as produções audiovisuais” abordará visões de feminismos, sexualidade e raça no processo criativo audiovisual. O objetivo é “alcançar um modo contra-hegemônico de fazer cinema, que retrate com maior fidelidade a realidade atual”. 

A oficina “Hacker: porque você precisa se tornar um(a)” pretende discutir a falta de valorização dos hackers brasileiros. O objetivo é “discutir o papel do hacker na Sociedade da Informação, demonstrar como qualquer pessoa pode usar o conhecimento hacker para a sua própria proteção online e conscientizar as pessoas para os riscos de não termos ‘hackers’ capazes de descobrir e revelar as estratégias maliciosas usadas online pelas grandes empresas e até por governos”. 

A mesa redonda “A Festa como Resistência Cultural” será composta por três pesquisadores que pretendem estabelecer “uma compreensão da arte como excesso, desmedida neste mundo global de tendência imperial” e analisar a dimensão política da festa como “resistência afirmativa”. 

Custos

Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria do evento não prestou maiores esclarecimentos sobre outras fontes de financiamento para o FSM. 

A assessoria, no entanto, diz que o Fórum Social Mundial (FSM) não é uma iniciativa da Uneb e que não está “autorizada a passar maiores informações sobre parceiros ou financiadores”. 

Além disso, afirmou que somente Mauri Cruz, membro da Diretoria Executiva da Abong (Associação Brasileira Organizações Não Governamentais) e integrante do Conselho Internacional do FSM, poderia responder aos questionamentos da Gazeta do Povo – Mauri não retornou as inúmeras tentativas de contato da reportagem. 

Já o escritório da Abong, localizado em São Paulo, informou que não há nenhum responsável pela instituição disponível nos próximos dias e que não estava autorizado a fornecer contatos dos responsáveis pela associação. 

Defesa

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou em entrevista à rádio Sociedade nesta segunda-feira (12) que a decisão do que fazer com a verba de mais de R$ 2 milhões é exclusiva da Uneb. 

“A decisão do que fazer ou não [com o dinheiro] pertence a universidade e não ao governo do Estado. Na minha opinião a decisão da Uneb foi correta”, disse Rui.

Ele ainda defendeu a onda de cursos que abordam o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como um “golpe de estado”. 

“É um cerceamento da circulação de ideias dentro da universidade. Quero prestar minha soliedariedade: a comunidade universitária precisa se levantar e protestar contra essa intromissão indevida”, completou o governador. 

O que a Uneb está financiando 

O Fórum Social Mundial promoverá debates sobre temas como identidade de gênero, “lesbianidades” e “desenfeitiço” e tem presenças confirmadas de personalidades como os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, Pepe Mujica, do Uruguai, e Cristina Kirchner, da Argentina. 

O evento, que acontecerá entre os dias 13 e 17 de março, no Estádio de Pituaçu, em Salvador, reunirá ações como marchas, assembleias, seminários e mesas de debate. 

De acordo com a organização, o objetivo é “debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes antidemocráticos e genocidas que diversos países estão enfrentando nos últimos anos”. 

Outro lado

Em nota, a Uneb afirma que os gastos não têm impacto no orçamento da instituição e que o recurso é proveniente de suplementação orçamentária do Governo do Estado da Bahia.

“Cabe a universidade a execução destes recursos para cumprimento das atividades estritamente relacionadas ao FSM”, diz. 

A instituição destaca ainda que a contratação dispensada de licitação seguiu os procedimentos legais após chamada pública divulgada no Diário Oficial do Estado.

“Todo o processo foi realizado dentro dos trâmites legais, a partir de consubstanciado parecer jurídico, e resguardou os princípios da transparência, lisura e responsabilidade na gestão dos recursos públicos”, conclui.

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