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É possível aprender História com youtubers?

Vlogueiros que dão lições em vídeo e atraem milhões de internautas não têm formação na área. E isso não é necessariamente ruim

  • Gabriel de Arruda Castro
Felipe Castanhari: palavrões e milhões de seguidores | Reprodução / YouTube
Felipe Castanhari: palavrões e milhões de seguidores Reprodução / YouTube
 
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Nem livros didáticos, nem apostilas. A julgar pelos números, a plataforma mais popular para aprender lições de história é o YouTube. São muitos os canais que dedicam ao menos parte do conteúdo a explicar acontecimentos históricos de maneira clara e informal. 

O maior deles é o  Nostalgia (9,7 milhões de seguidores), mantido pelo paulistano Felipe Castanhari. Embora seu trabalho seja voltado para temas da cultura pop e atualidades, Castanhari também se popularizou por publicar vídeos longos, de mais de uma hora, sobre temas como a ditadura militar e a Segunda Guerra Mundial

Cortes rápidos, comentários sarcásticos (palavrões incluídos) e uma linguagem facilmente compreensível atraíram crianças e adolescentes. Os vídeos sobre História de Castanhari chegam a ultrapassar 5 milhões de visualizações, bem acima da média das outras publicações do canal.

Na mesma trilha, canais como o Nerdologia (1,7 milhão de seguidores) e reVisão fazem incursões pela História. 

Com 170 mil seguidores, o reVisão costuma convidar vlogueiro populares para dar suas lições, sempre em vídeos curtos: os vídeos de história são apresentados por figuras como o vlogueiro Pirulla (cujo canal pessoal tem 553 mil seguidores). O canal diz que sua missão é ensinar para quem está cansado “daquele esquema velho e chato”.

O que pode haver de errado em tornar a História mais atraente para os estudantes? Um problema de currículo. Ao contrário dos responsávies por outros canais (como o Se Liga Nessa História), Castanhari não é historiador: estudou animação. Já Pirulla é biólogo; Atila Iamarino, que mantém o Nerdologia, também - embora muitos vídeos do canal sejam feitos por Filipe Figueiredo, formado em História.

“Como ele não é historiador, posso me interessar por assistir um vídeo ou outro dele, mas não tomaria como fonte confiável de informação”, diz o professor Daniel Medeiros, do Curso Positivo, em Curitiba, referindo-se a Castanhari. 

Medeiros dá aula há 35 anos e tem 5.000 alunos. Para ele, a internet é uma plataforma para a qual valem as mesmas regras dos outros meios : checar a fonte, ouvir os dois lados e discernir o que é correto. 

Gilberto Lacerda Santos, pedagogo e professor da UnB (Universidade de Brasília), acrescenta que a escola precisa ensinar os alunos a separar o bom do mau conteúdo. “Um dos papeis da escola é desenvolver discernimento nas pessoas”, afirma ele, que prossegue: “Quanto mais jovem é o usuário da internet e desses meios, mais ele deveria ser acompanhado, guiado e orientado, o que não acontece”.

Já para Virgílio Caixeta Arraes, professor do Departamento de História da UnB, a existência de novas fontes sobre a História não é razão para se preocupar – mesmo quando a lição não vier de alguém com formação na área.

“Em principio, não vejo problema. Nos próprios comentários que são feitos no YouTube, as pessoas vão apontar os pontos equivocados”, diz.

Foi o que aconteceu com Felipe Castanhari. Em um vídeo publicado no início do mês, ele atribuiu a crise na Venezuela exclusivamente à queda no preço do petróleo, o que é incorreto. Depois de ser criticado (inclusive por outros youtubers populares, como Nando MouraRaphaël Lima), ele apagou o vídeo e pediu desculpas pelas imprecisões. “Tirei o vídeo do ar porque faltaram algumas informações essenciais para entender toda a questão da crise política na Venezuela”, disse

Mas, se os youtubers populares tiram 10 no aspecto visual, mas falham no conteúdo, não seria adequado a escola adequar a apresentação das lições  para se superar a “concorrência?” 

Para o professor Daniel Medeiros, o caminho é o oposto. “Os jovens acabam sentido falta da conversa, do ritmo mais calmo, como no ambiente da aula. É uma fonte diferente”, afirma.

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