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A estudante Vitória Stainzack Figueiredo está no terceiro ano do ensino médio e procurou ajuda profissional para fazer do estudo uma rotina neste ano de vestibular | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
A estudante Vitória Stainzack Figueiredo está no terceiro ano do ensino médio e procurou ajuda profissional para fazer do estudo uma rotina neste ano de vestibular| Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Retirar do estudo o “status” de obrigação para transformá-lo em hábito não é das tarefas mais fáceis de serem realizadas pelos estudantes. Os benefícios alcançados por quem se empenha nesta missão, no entanto, são inúmeros e se refletem não apenas no boletim, mas em toda a vida escolar e profissional dos alunos.

Como estudar em casa?

Assim como a boa alimentação, criar o hábito de estudo não é uma tarefa fácil e envolve o comprometimento de uma rede formada pelo aluno, escola e família. Confira algumas dicas que contribuem para este processo.

  • Crie uma rotina de horários. Organize o tempo disponível para o estudo em cada dia e as atividades que podem ser realizadas nele.
  • Monte este calendário em quadros que a criança possa manipular para que ela se sinta parte do processo. Também marque nele dias de provas e de entrega de trabalhos.
  • Faça da tecnologia uma aliada. Use agendas eletrônicas e/ou aplicativos para organizar os estudos e mapear os elementos que podem contribuir com eles.
  • Identifique os furos no planejamento. Se algo não der certo, analise o motivo e realinhe as metas de estudo.
  • Escolha um ambiente calmo, iluminado e sem distrações para estudar.
  • Esteja alimentado e com todas as demais necessidades fisiológicas atendidas quando for estudar. Isso permite que o aluno mantenha a concentração e a linha de raciocínio.
  • Não deixe para estudar à noite. Se a criança vai à escola à tarde, o ideal é que estude em casa pela manhã, e vice-versa.

Os especialistas são unânimes ao afirmar que, quanto antes o estudo extraclasse passar a fazer parte do dia a dia dos estudantes, mais fácil se torna para eles fazerem dele uma tarefa natural.

“Primeiro que a criança precisa de organização e de rotina para tudo (comer, dormir), e para estudar não é diferente. Os alunos que constroem essa rotina desde [os primeiros anos do ensino fundamental] chegam à adolescência com isto consolidado”, explica Mabel Cymbaluk, assistente psicopedagógica do Colégio Marista Paranaense.

Para os adolescentes e jovens que não têm o estudo diário como prática, a boa notícia é que há formas de se recuperar o “tempo perdido”, o que exigirá doses extras de disciplina.

Confira outras dicas no box ao lado.

Tarefa de casa

A tradicional “lição de casa” é a principal ferramenta utilizada para incentivar os alunos a estudarem diariamente fora da escola.

A pedagoga Ana Karina Karam El Messane, professora da pós-graduação em Psicopedagogia e Neuropsicopedagogia da FAE Centro Universitário, explica que ela permite ao aluno manter o contato com o conteúdo, memorizando-o e, mais do que isso, conectando-o ao seu cotidiano.

“O sucesso escolar também vai depender de algumas habilidades executivas, como planejar, avaliar, focalizar a atenção e manipular informações mentalmente. A tarefa de casa também contribui para desenvolver a organização pessoal e melhorar essas habilidades”, acrescenta.

Rede de apoio

Protagonista deste processo, o aluno não responde, sozinho, pelo sucesso de transformar o estudo em algo natural à sua rotina. À escola, por exemplo, cabe orientar os pais sobre como organizar a rotina de estudos do filho e direcionar as tarefas segundo a faixa etária e o conteúdo que a criança está vendo em sala de aula.

“O ideal é pensar na quantidade certa de lição para cada idade e que todas as tarefas sejam compostas por conteúdos que já tenham sido vistos em sala”, explica a psicopedagoga Danielle Gross de Freitas, mestre em Educação e sócia-proprietária do Espaço Mediação.

Aos pais, por sua vez, fica a tarefa de fazer com que a rotina de estudos diários seja realmente cumprida. Para isso, mais do que cobrar que o filho estude, a família precisa dar o exemplo.

“Os pais podem estimular os filhos fazendo atividades parecidas com as deles [como ler um livro ou organizar o orçamento doméstico]. Se a família está se divertindo enquanto a criança está no quarto, estudando, ela começa a ver isso como um castigo”, acrescenta Mabel.

Todas estas medidas contribuem para que os pequenos tenham condições de fazer do estudo um hábito, o que terá reflexos sobre toda sua vida escolar e profissional. Segundo Danielle, isso ocorre porque, por meio da organização interna que a rotina de estudos proporciona, o aluno consegue concluir etapas e elevar sua autoestima, o que faz com que se sinta confiante e crie expectativas cada vez maiores em relação ao próprio desempenho.

Hábito que faz falta

Até este ano, a rotina de estudos da jovem Vitória Stainzack Figueiredo se resumia, basicamente, a ir à escola todos os dias e fazer algumas das atividades que os professores enviavam para casa. A proximidade com o vestibular e o desejo de cursar Engenharia Civil fez com que a estudante do terceiro ano do ensino médio se empenhasse em correr atrás do “tempo perdido” para fazer do hábito de estudo um aliado para a conquista da tão sonhada vaga na universidade.

Para que o objetivo fosse alcançado com êxito, Vitória optou por procurar ajuda profissional junto a uma psicopedagoga. “No final do ano passado comecei a estudar sozinha, mas não sabia como. Sou muito ansiosa, queria estudar tudo ao mesmo tempo e não conseguia definir prioridades, então começava a me desesperar”, conta.

Segundo Vitória, a profissional a ajudou a elencar as disciplinas nas quais ela tinha mais dificuldade – e que, por isso, exigiam mais tempo de estudo – e a organizar o calendário de estudo, que se estende de segunda-feira a sábado, levando em conta seus demais compromissos.

“Antes, eu ia para a aula, fazia um ou outro exercício que os professores passavam para casa e estudava um ou dois dias antes das provas. Agora, estudo diariamente cerca de 4h30 só em casa, fora o tempo em que fico na escola”, conta.

Depois de quase um ano de acompanhamento, Vitória diz que já fez do estudo um hábito, que pretende cultivar na graduação. Ela também diz que incentiva os amigos mais novos a iniciarem os estudos desde cedo. “Se eu tivesse começado a estudar no 1º ano do ensino médio teria conseguido resultados melhores do que os de agora”, avalia.

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