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Estudos apontam que gentrificação diminuiu a segregação em escolas

Entre 2000 e 2015, a população branca nessas áreas cresceu de 5% para quase 50%, e o índice de matrícula de estudantes brancos nesses bairros aumentou de 1% para 8%

  • Valerie Strauss
  • Washington Post
Último estudo aponta que o movimento de gentrificação pode estar acelerando a integração em Washington. | Holistic Life Foundation
Último estudo aponta que o movimento de gentrificação pode estar acelerando a integração em Washington. Holistic Life Foundation
 
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A segregação racial caiu em um período de quinze anos nas escolas de Washington, D.C., nos Estados Unidos, nos bairros em processo mais rápido de gentrificação - com as escolas públicas tradicionais vendo mais mudanças do que as charter schools, de acordo com um relatório publicado pelo UCLA Civil Rights Project. 

Os resultados do estudo trazem implicações para o experimento de opções de escolas na capital do país. 

Apesar da segregação na capital ainda ser grave, o relatório diz que “a tendência de declínio de segregação racial em algumas das áreas mais gentrificadas da cidade é promissora”. Entre 2000 e 2015, a população branca nessas áreas cresceu de 5% para quase 50%, e o índice de matrícula de estudantes brancos nesses bairros aumentou de 1% para 8%, de acordo com o relatório. 

O estudo também constatou que entre 2007 e 2014 a parcela de escolas públicas tradicionais quase totalmente segregadas em áreas gentrificadas caiu de 67% para 41%. Durante aquele período, a parcela de charter schools hipersegregadas em áreas gentrificadas caiu mais discretamente, de 77% para 70%. 

O distrito passou por mudanças demográficas drásticas, com a população negra caindo de quase 70% para menos de 50% nos últimos 25 anos e a população latina mais que triplicando. Desde 2000, a população branca aumentou de 27% para mais de 33%. 

O relatório – chamado “White Growth, Persistent Segregation: Could Gentrification Become Integration?” (“Crescimento Branco, Segregação Persistente: Gentrificação poderia se tornar integração?”, em tradução livre) – esclarece a opção de escolas no distrito, que tem um setor de charter schools em crescimento e o único programa que usa recursos públicos federais para pagar mensalidades de escolas particulares. 

As charter schools, que tem financiamento público, mas são operadas de modo privado, receberam quase 42 mil estudantes no distrito durante o ano letivo de 2016, um crescimento em relação aos 30 mil no ano letivo de 2011 - e mais charter schools estão sendo abertas. As escolas públicas tradicionais receberam 48,5 mil estudantes em 2016 e por anos vem lutando para manter a sua parcela de matrículas. 

Enquanto escolas públicas em todo o país vem ressegregando por raça e classe nas últimas décadas, de acordo com uma análise federal de 2016, o último estudo aponta que o movimento de gentrificação pode estar acelerando a integração no distrito.

Pesquisas mostram ainda que as crianças de famílias de baixa renda que frequentam escolas com estudantes de condições socioeconômicas diversas têm resultados acadêmicos melhores do que aquelas que frequentam escolas com alto índice de pobreza; isso também indica que o desempenho acadêmico de escolas afluentes não é prejudicado por tal integração. 

O relatório foi escrito pelos pesquisadores Kfir Mordechay e Jennifer Ayscue para o “Civil Rights Project/Proyecto Derechos Civiles” na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), que tem como objetivo construir um corpo de pesquisa em ciências sociais e direitos civis e igualdade de oportunidades.


No último de uma série de relatórios sobre segregação em escolas de Washington publicados em 2017, incluindo um publicado em fevereiro, também pelo Civil Rights Project, foi constatado que 71% dos estudantes negros do sistema educacional público de Washington e do setor de charter schools da cidade frequentaram escolas em 2013 com virtualmente nenhum colega branco. Mas esse número havia caído em relação a quase 90% em 1992. 

Algumas outras constatações do último relatório: 

● Entre 2000 e 2014, o índice de matrículas de estudantes negros caiu, enquanto o índice de estudantes hispânicos quase dobrou nas escolas localizadas em áreas gentrificadas e não gentrificadas. 

● Em 2014, mais de 75% das escolas em áreas gentrificadas e não gentrificadas eram intensamente segregadas, com estudantes não brancos representando mais de 90% das matrículas. Naquele mesmo ano, uma parcela um pouco maior de escolas estavam hipersegregadas – com estudantes não brancos correspondendo a pelo menos 99% das matrículas – em bairros que não estavam sendo gentrificados (63%) do que em áreas gentrificadas (55%). 

*Valerie Strauss é repórter de educação e escreve o blog The Answer Sheet.

Tradução: Andressa Muniz

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