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Literacia familiar

Beneficiários do Bolsa Família receberão kit do MEC voltado à alfabetização

  • Brasília
  • 17/09/2020 16:54
O programa “Conta pra Mim” tem um acervo de 40 livros em formato digital, além de cantigas e fábulas de Monteiro Lobato interpretadas pelo cantor e compositor Toquinho.
O programa “Conta pra Mim” tem um acervo de 40 livros em formato digital, além de cantigas e fábulas de Monteiro Lobato interpretadas pelo cantor e compositor Toquinho.| Foto: Agência Brasil

Uma parceria entre o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Cidadania levará às famílias beneficiárias do programa Criança Feliz, cujo alvo prioritário são beneficiários do Bolsa Família e do BPC2, kits de literacia. O objetivo é estimular o envolvimento familiar na aprendizagem e contribuir para a melhoria do processo da alfabetização. Cerca de 394 mil famílias devem ser contempladas em 2,5 mil municípios brasileiros.

Os itens, que fazem parte do programa Conta pra Mim, primeira iniciativa voltada à valorização da leitura no âmbito da família no país, são materiais aos quais, em geral, elas não possuem acesso.

Achados científicos chancelados mundo afora apontam que a influência da família no desenvolvimento da linguagem dos filhos, sobretudo quando ancorada em programas dessa natureza, é um dos principais preditores do sucesso educacional e social das crianças. Especialistas como James Heckman, prêmio Nobel de Economia, afirmam que iniciativas como a do MEC são instrumentos capazes de romper o chamado ciclo da pobreza e superar vulnerabilidades sociais.

Compõem o kit a ser entregue às famílias dois livros literários, um caderno de desenho, giz de cera, calendário, encarte explicativo das principais práticas de literacia familiar e um template do mascote do programa. Os demais materiais, como o Guia de Literacia Familiar, os vídeos explicativos, as cantigas e a coleção de 40 livros literários podem ser encontrados no site do Conta pra Mim.

A literacia familiar, conjunto de práticas e experiências relacionadas com a linguagem, a leitura e a escrita vivenciadas entre pais/cuidadores e filhos, é tida como "carro-chefe" das ações da Secretaria de Alfabetização (Sealf) do MEC.

"Para essas famílias que não têm acesso aos materiais é que vamos trabalhar".

Wiliam Cunha, diretor na Sealf

Lançado em 2019, o Conta pra Mim não se resume à leitura junto aos filhos, mas oferece, aos pais, orientações sobre o conceito de literacia familiar (termo consolidado mundo afora e ainda pouco conhecido no país) e ferramentas para que famílias vulneráveis possam aplicar as práticas. A implementação do programa se dá por meio de ações que independem da adesão de entes federado.

Uma das práticas de literacia, a interação verbal, por exemplo, visa justamente combater uma conjuntura evidenciada pelo estudo Meaningful differences in the everyday experience of youg American children (Contrastes significativos na experiência cotidiana de crianças norte-americanas, em tradução livre).

Entre outras coisas, a pesquisa diagnosticou o chamado "abismo de 30 milhões de palavras". Isso é, quando comparadas com crianças de famílias de classe média alta, crianças de famílias pobres, pelo menos até os 4 anos de idade, são submetidas a 30 milhões de palavras a menos durante seu desenvolvimento no seio familiar. Conjuntura essa que provoca impactos significativos na aprendizagem dos filhos. Mais tarde, eles tendem a ter dificuldades para consolidar a alfabetização e prosperar no ensino.

O governo distribuirá os materiais através das Secretarias de Assistência Social, no âmbito do programa Criança Feliz - a maior ação de visitação domiciliar do país - e não pelas Secretarias de Educação. Os mais de 21 mil visitadores receberão capacitação técnica do governo para implementar a ação.

Questionado, o MEC afirmou que não pretende ofertar às famílias, além dos livros, os materiais em formato audiovisual, mas não descartou a possibilidade de fazê-lo em uma eventual segunda fase do projeto.

Não há previsão para a implementação da ação.

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