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O bioquímico espanhol Carlos López-Otín.
O bioquímico espanhol Carlos López-Otín.| Foto: Reprodução / Facebook

A revista científica britânica Nature acaba de revogar o prêmio de “mentor” que havia concedido ao bioquímico espanhol Carlos López-Otín, em 2017, após identificar irregularidades em 18 estudos publicados por sua equipe da Universidade de Oviedo. A retificação foi publicada nesta quinta-feira (26).

O caso reacendeu a discussão sobre as constantes fraudes encontradas em pesquisas veiculadas pelas melhores revistas acadêmicas do mundo.

No caso de López-Otín, após receber denúncias, a Nature investigou 97 pesquisas da equipe do espanhol, realizadas entre 2012 e 2019, e descobriu que algumas das imagens publicadas em 18 delas continham erros ou parecia haver a tentativa de melhorar os resultados. A partir disso, mesmo reconhecendo a qualidade da trajetória acadêmica do bioquímico, decidiu retirar o prêmio.

“A revogação do prêmio é um reflexo da opinião dos juízes de que a orientação de alta qualidade em uma equipe laboratorial não pode levar a problemas tão significativos”, escreveu a Nature.

Antes da Nature, em janeiro, a revista Journal of Biological Chemistry já havia retirado 8 estudos da equipe de Otín, diferentes daqueles analisados pela Nature, a pedido dos próprios coautores, com os mesmos argumentos. Outro paper também foi retirado da Nature Cell Biology. Um dos artigos retirados de López-Otín incluía George Q. Daley, hoje reitor da Harvard Medical School, como autor.

No início do ano, após a retirada dos 9 artigos, o bioquímico se disse vítima de uma perseguição misteriosa. “Durante um ano e meio, a situação se tornou insuportável. Alguém se dedicou por meses a examinar com mais detalhes os mais de 400 artigos que publiquei nos últimos 30 anos de minha carreira científica. Como resultado dessa gigantesca lupa colocada em nosso laboratório, foram detectados erros em alguns artigos”, afirmou ao El País.

A preocupação das revistas científicas contra fraudes acadêmicas não é nova. Em junho de 2018, Elisabeth Bik, então pesquisadora da Universidade de Stanford, levantou quase 35 mil casos de duplicação e manipulação de imagens em pesquisas de saúde e literatura médica. Suas descobertas foram publicadas em julho em artigo na revista Molecular and Cellular Biology, dos Estados Unidos.

Até hoje, a pesquisadora aponta semanalmente em seu Twitter suspeitas de fraudes em pesquisas e é consultora de diferentes publicações, como a revista Science.

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