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Professor constrange aluno durante palestra de ativista do PSOL em escola de SP
Caso ocorreu durante palestra de Sonia Guajajara, que foi candidata à vice-presidente em 2018 na chapa de Guilherme Boulos, a estudantes adolescentes| Foto: Reprodução

Durante uma palestra para cerca de 200 alunos da escola Avenues, instituição de alto padrão localizada na zona sul da cidade de São Paulo, um professor constrangeu um estudante de 17 anos que questionou argumentos da índia Sonia Guajajara, ativista e pré-candidata a deputada federal pelo PSOL, que palestrava para os alunos a convite do docente. Na ocasião, a ativista fazia uma série de manifestações políticas relacionadas, principalmente, à distribuição de terras e ao uso de agrotóxicos.

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Sonia Guajajara foi candidata a vice-presidência da República em 2018 na chapa de Guilherme Boulos (PSOL). Atualmente é coordenadora executiva da Articulação Nacional dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), entidade que militou pela candidatura de Fernando Haddad (PT) no segundo turno das últimas eleições nacionais. No final de março, reuniu-se com o ex-presidente Lula (PT) e manifestou apoio à sua pré-candidatura à presidência da República.

Em suas falas na escola Avenues, cuja mensalidade para os estudantes é de cerca de R$ 15 mil, ela teceu várias críticas ao setor agropecuário brasileiro e a opositores políticos. Em reação, um estudante cuja família tem ligações com atividades agropecuárias pediu a palavra para fazer contrapontos aos argumentos da ativista. Antes que ela própria respondesse aos questionamentos, o professor Messias Moreira Basques Junior, que é doutor em Antropologia Social e docente da escola, decidiu intervir. Sem contrapor os argumentos, o professor optou por apenas constranger o estudante e exaltar seus títulos acadêmicos.

“Deixa eu te dizer uma coisa, meu querido. Quando você entender o que é ser uma pessoa deste tamanho, você vai se lembrar deste dia com muita vergonha. (...) Então a minha recomendação é: me respeite, porque sou um doutor em Antropologia. Não tenho opinião, sou especialista em Harvard. No dia em que você quiser discutir com a gente, traga seu diploma e a sua opinião fundamentada em ciência, aí você discute com um especialista em Harvard”.

Ao final da fala do professor (que, ao contrário do que alega, não possui especialização pela Universidade de Harvard), parte dos alunos o aplaude efusivamente. Após o silenciamento do aluno, a índia Sonia Guajajara continuou falando sobre “democratização do acesso à terra” e, ironicamente, faz um enaltecimento à democracia. “Democracia é isso, é contemplar a diversidade”. No encerramento do evento, o professor ainda faz novo deboche do aluno. “No dia em que o (nome do aluno) for convidado a se pronunciar nas Nações Unidas, a gente conta aqui”.

 <em>Convidada por professor, Sonia Guajajara, pré-candidata pelo PSOL, trouxe diversas manifestações políticas pessoais</em> em palestra a adolescentes (Reprodução)
Convidada por professor, Sonia Guajajara, pré-candidata pelo PSOL, trouxe diversas manifestações políticas pessoais em palestra a adolescentes (Reprodução)

Posicionamento da escola Avenues

O episódio gerou revolta por parte de pais de alunos da escola Avenues, que pediram o desligamento do professor e uma retratação da instituição. As famílias também questionaram o fato de não ter havido outro convidado que fizesse contraponto às manifestações políticas da ativista e palestrante.

À Gazeta do Povo, a instituição enviou a carta encaminhada aos pais - com a assinatura do diretor Andy Willians -, que diz que o convite feito à candidata do PSOL se deu porque “uma conversa com uma líder indígena complementa nossos estudos sobre pegada ambiental e aumenta a visibilidade de lideranças femininas”. Na carta, o diretor questiona o fato de o aluno ter gravado as falas com seu celular sem autorização da escola e cita que a direção conversou com os envolvidos, mas não aponta nenhuma sanção ao docente ou ao aluno.

“Durante o momento reservado a perguntas no evento da semana passada, um aluno discordou da Sra. Guajajara de maneira desrespeitosa. Em seguida, um professor corrigiu o aluno de uma maneira que também foi inapropriada. Além disso, um aluno gravou a sessão sem autorização, e um trecho foi divulgado publicamente fora da nossa comunidade. Na Avenues, quando ocorre um conflito, trabalhamos diretamente com as partes envolvidas, de maneira reservada, para aprendermos juntos e nos respeitarmos. Infelizmente, essa questão veio a público de forma imprópria, e agora se torna necessário esclarecer os eventos”.

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