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Educação

Sala mofada põe escola na mira do MP

Para acomodar alunos da rede municipal, escola estadual colocou turmas em locais precários. Ministério Público quer solução rápida

  • PorVanessa Prateano, especial para a Gazeta do Povo
  • 11/03/2010 21:06
Quase centenária, a Escola Estadual Conselheiro Zacarias improvisou salão e biblioteca como salas de aula. Livros foram para o laboratório de Ciências | Antonio Costa/Gazeta do Povo
Quase centenária, a Escola Estadual Conselheiro Zacarias improvisou salão e biblioteca como salas de aula. Livros foram para o laboratório de Ciências| Foto: Antonio Costa/Gazeta do Povo

Estado diz não haver prejuízo para alunos

A diretora de Administração Escolar da Secretaria de Estado da Educação, Ana Lúcia Schulhan, informou que o órgão, em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação, já está tomando as medidas cabíveis para realojar as crianças, além de formular um plano para readequar a infraestrutura do local, com melhorias de segurança, acessibilidade e redistribuição do mobiliário.

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Sem condições

De acordo com pais, alunos e funcionários, a acomodação de estudantes da rede municipal prejudicou o ambiente escolar em vários sentidos.

Biblioteca e laboratório de Ciências

> O espaço onde funcionava a biblioteca agora serve de sala de aula. As obras foram transferidas para o laboratório de Física e Química, que precisou ser desativado. Os livros estão todos espalhados pelo local, que não tem prateleiras para acomodá-los. Com a mudança, também não há local para leitura e estudo.

Falta de concentração

> O intervalo das crianças da rede municipal ocorre durante o período de estudo dos alunos da rede estadual, e vice-versa. O resultado é a falta de concentração. "Os mais velhos não conseguem se concentrar e se irritam. Os mais novos, quando estão em sala, escutam o barulho vindo do pátio e também não prestam atenção", diz uma funcionária.

Diferença de idade

> Um grave problema apontado pelos pais é a diferença de idade entre as crianças da rede municipal (6 a 10 anos) e as da rede estadual (10 a 17 anos). "A convivência entre um adolescente de 17 anos e uma criança de 6 geralmente não é nada pacífica e pode gerar conflitos", opina Djoni Schallenberger, pai de duas alunas.

Infraestrutura inadequada

> Além dos espaços inadequados para servir como salas de aula, o prédio como um todo não foi projetado para abrigar crianças pequenas.

"Há muitas escadas, então o perigo de eles se machucarem é grande", diz uma funcionária. As mesas e carteiras, adequadas a pré-adolescentes e adolescentes, também oferecem desconforto e riscos à segurança dos pequenos.

Termina hoje o prazo dado pelo Ministério Público Estadual para que a Escola Estadual Conselheiro Zacarias, no Alto da Glória, em Curitiba, resolva a situação de cerca de 150 alunos da rede municipal. Eles estão tendo aulas provisoriamente no colégio, mas usam salas em péssimas condições, com infiltrações e paredes mofadas, e sem ventilação. A realidade contrasta com a tradição de uma instituição quase centenária – completa 100 anos em 2011– e que já teve como aluno o ex-presidente Jânio Quadros.

De acordo com funcionários que não quiseram se identificar, o problema teve início no ano passado, quando a escola, que é estadual, cedeu à prefeitura de Curitiba quatro salas de aula. Com a introdução do ensino fundamental de nove anos, a de­­man­­da havia aumentado e a prefeitura não conseguia encontrar espaços físicos suficientes para todos os alunos. Em 2010, o município solicitou ao estado mais três salas. Como não havia mais salas suficientes para abrigar todos os alunos – são 600 da rede estadual e cerca de 150 da rede municipal –, muitos espaços que não foram planejados para funcionar como salas de aula foram improvisados.

A reportagem da Gazeta do Povo esteve no local e encontrou instalações precárias, paredes mofadas e espaços sem ventilação. Em um dos casos, a direção usou um salão em péssimas condições para abrigar os estudantes. A biblioteca também foi transformada em sala de aula, comprometendo o empréstimo dos títulos, transferidos para o laboratório de Ciências – que, por sua vez, está desativado. De acordo com uma funcionária, o empréstimo das obras ficou praticamente impossível. Também não há ambiente de estudo disponível por causa da desativação.

"Os pais estão revoltados. A dualidade administrativa mexeu totalmente com a rotina da escola. Simplesmente não há espaço. Se a escola tivesse salas de aula sobrando, até concordaríamos, mas não tem. Esse ano, inclusive, fomos obrigados a recusar a matrícula de 80 alunos porque não há espaço físico", diz um funcionário. Outro problema grave, segundo outro servidor, é a existência de duas salas – justamente a do salão e a que funciona na antiga biblioteca – que estariam acomodando crianças de turmas diferentes: há uma sala com crianças de 1.ª e 2.ª sé­­ries, e outra com alunos de 2.ª e 3.ª séries. "Isso é um retrocesso. Parecemos uma escola rural, não uma escola de uma capital riquíssima como Curitiba. Isso de juntar turmas em idades diferentes re­­monta aos anos 80", diz o funcionário.

O professor universitário Djoni Schallenberger, que tem duas filhas matriculadas na escola, diz que a medida afetou seriamente o ambiente escolar. "Nós, pais, não nos opomos ao empréstimo. Acreditamos que a escola deve se solidarizar com o município e com essas crianças. Mas isso não pode prejudicar os alunos do colégio", argumenta.

O Ministério Público informou, por meio de sua assessoria, que enviou na sexta-feira passada um engenheiro ao local, que constatou a insalubridade das salas. Na terça-feira, foi enviado um ofício às autoridades municipais e estaduais exigindo que os alunos fossem realojados, sem a interrupção das aulas. Caso não sejam tomadas providências, o MP entrará com uma ação judicial para fazer cumprir a determinação.

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