Estudante de Música, o boliviano Jaime Alex Mamani Mamani aprova a proposta da Unila. | Christian Rizzi / Gazeta do Povo
Estudante de Música, o boliviano Jaime Alex Mamani Mamani aprova a proposta da Unila.| Foto: Christian Rizzi / Gazeta do Povo

Diploma

O reconhecimento dos diplomas dos alunos estrangeiros é de responsabilidade dos países de origem que também se encarregam do processo seletivo, conforme as diretrizes da universidade. Para os brasileiros, na próxima seleção a Unila utilizará notas do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) a partir do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Com alunos vindos de 11 países e aulas em espanhol e português, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, começa a quebrar as amarras do modelo tradicional da educação superior. De caráter temático, a universidade de DNA latino-americano oferece aos estudantes aulas que vão além das diretrizes curriculares comuns a outras instituições.

O chamado Ciclo Comum permeia todos os 16 cursos da Unila. Nesse módulo, há aulas sobre América Latina, Metodologia e Línguas – Português ou Espanhol. O ciclo dura três semestres e é ofertado em paralelo às disciplinas específicas de todas as formações.

Na disciplina América Latina, o estudante é instigado a entender o continente com seus desafios e potencialidades. Nas aulas de Línguas, brasileiros cursam Espanhol e estrangeiros estudam Português, o que oportuniza um aprendizado bilingue. Quanto à disciplina de Metodologia, a proposta da universidade é oferecer ao aluno uma formação investigativa para que ele seja capaz de propor e fazer críticas com bases científicas.

Pró-reitor de Graduação, Marcos Antonio de Moraes Xavier explica que, apesar das diferenças, os cursos da Unila seguem as diretrizes do Ministério da Educação (MEC) e resguardam a formação profissional de acordo com a legislação brasileira. "O nosso engenheiro, além de ter a formação específica, também compreende as grandes questões da América Latina, bem como os historiadores e arquitetos", exemplifica o professor. A opção pelo Ciclo Comum é um acréscimo ao currículo e não representa prejuízo aos alunos porque as instituições têm a liberdade de propor disciplinas próprias, desde que sigam as determinações do MEC.

Tematização

A tematização da universidade, segundo o professor, tem ressonância com a ideia de promover a integração latino-americana, fato que figura como um diferencial da universidade. Em razão da proposta, alguns cursos têm "nomes e sobrenomes". Entre os exemplos, estão os cursos Antropologia – Diversidade Cultural Latino-Americana; Ciência Política e Sociologia – Sociedade, Estado e Política na América Latina; Relações Internacionais e Integração; e Letras – Artes e Mediação Cultural.

Os alunos aprovam a iniciativa. A estudante uruguaia de Ciência Política Besna Yaconvenco, 25 anos, diz que o Ciclo Comum é o que faz a diferença na instituição e a disciplina de América Latina tem muito peso. "Não existe integração cultural sem uma mediação." Aluno do curso de Música, o boliviano Jaime Alex Mamani Mamani, 21 anos, diz que pretende sair trilingue da universidade. "Já falo espanhol e aimará e agora português", comemora.

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