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ELEIÇÕES 2018

Com elogios a Sergio Moro, Alvaro Dias confirma pré-candidatura à Presidência

Senador paranaense adota discurso contra partidos políticos e elogia as ações da Lava Jato durante evento do Podemos, em São Paulo

  • Folhapress
Senador Alvaro Dias (Podemos-PR) , pré-candidato à Presidência da República em 2018. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Senador Alvaro Dias (Podemos-PR) , pré-candidato à Presidência da República em 2018. Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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Discursando contra os partidos políticos – que definiu como atores de um “quadro deteriorado”, que “mergulhou pais num oceano de dificuldades –, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) divulgou, neste domingo (19), a sua pré-candidatura à Presidência da República em 2018.

Dias participou de um evento na Assembleia Legislativa de São Paulo, promovido pela juventude de seu partido. Elogiou as ações de combate à corrupção do Ministério Público, da Justiça e da Polícia Federal. Citou dois “ícones da Justiça”: os juízes da lava Jato Sergio Moro e Marcelo Bretas).

“Ou [os políticos] mudamos, ou seremos atropelados por esse sentimento irresistível”, afirmou. “Organizações criminosas”, “lavanderias do dinheiro público”, “filhos do Petrolão” e “sanguessugas” foram alguns dos termos que o senador usou para se referir à classe política.

LEIA MAIS: Lava Jato faz do combate à corrupção tema obrigatório em 2018

À reportagem ele afirmou discordar de “muitos analistas” que veem, neste momento, uma possibilidade de polarização eleitoral entre o ex-presidente Lula (PT), à esquerda, e o deputado federal (Jair Bolsonaro), à direita. O senador registrou 4% das intenções de voto na última pesquisa Datafolha, em outubro. Lula tem 36% e Bolsonaro, 16%.

“Há no inconsciente coletivo um movimento que emerge, avassalador, contra os velhos conceitos, que estão arraigados ainda entre os analistas”, ele diz. “Imagino as pessoas lúcidas, conscientes de que a omissão pode ser tragédia política renovada.”

Ele diz apostar que o PSDB, que deixou em 2015, enfrentará rejeição nas urnas em 2018. Os tucanos veem algumas de suas principais lideranças, como os senadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG), atingidos pelas investigações da Lava Jato. Além disso, o partido tem vivido uma divisão interna sobre permanecer ou desembarcar do governo Temer.

“O PSDB já perdeu várias eleições e deve perder mais uma, como consequência exatamente do seu perfil de partido cartorial, com decisões impostas de cima para baixo. [A sigla] não exercita internamente a democracia e promove divergências internas.”

Para Dias, sua antiga legenda “está no campo dos partidos rejeitados, que a população indica que não pretende votar” e “sofrerá as consequências de suas últimas atitudes, especialmente quando aderiu ao PMDB no impeachment [de Dilma Rousseff], em vez de requerer o impeachment completo”.

Alianças

O Podemos, a que Alvaro Dias se filiou em 1º de julho deste ano, é o sétimo partido do senador. “Minha tese é de que não temos partidos no Brasil. Por isso, quando me indagam por que mudei de partido, digo que nunca mudei de partido”, ele explica.

LEIA MAIS: Alvaro Dias tenta aproveitar a onda do partido-movimento

Ainda não vislumbra alianças com outras legendas em sua campanha “irreversível” para disputar a Presidência.

“As alianças foram a causa dessa desgraça administrativa que se implantou no Brasil. Quero ficar distante desse conluio partidário promíscuo”, afirmou. As associações, no entanto, serão possíveis para viabilizar candidaturas regionais, como a do senador e ex-jogador de futebol Romário Faria ao governo do Rio.

Ideologicamente, diz rejeitar se classificar como político de esquerda ou de direita. Ou mesmo de centro: “Prefiro apresentar as credenciais e deixar que as pessoas me rotulem”. “Procuro valorizar ideias que são consideradas patrimônio da direita e ideias que são consideradas patrimônio da esquerda. Não entendo como elas não podem ser patrimônio de quem quer que seja”, ele comenta.

No campo que ele atribui à direita, defende um Estado mais enxuto, com um programa de privatizações que exclui empresas “estratégicas que dizem respeito à soberania nacional”, como a Petrobras e a Eletrobras. À esquerda, defende programas sociais de transferência de renda.

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