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Eleições

Doria se lança ao governo de SP e pressiona Alckmin a desarticular prévias

Prefeito tucnao assumiu publicamente sua pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes com apoio de 47% dos delegados estaduais do PSDB

  • Folhapress
 | Cesar Ogata/Sescom SP
Cesar Ogata/Sescom SP
 
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Um ano e dois meses após assumir a Prefeitura de São Paulo se dizendo um gestor que não é político, o prefeito João Doria (PSDB) se lançou pré-candidato a governador nesta segunda-feira (12). Ato contínuo, seus aliados irão a Geraldo Alckmin (PSDB) pressioná-lo para desarticular as prévias marcadas para domingo (18). A expectativa do grupo de Doria é que Alckmin demova dois dos três pré-candidatos de disputar, Floriano Pesaro, que é secretário do governo, e Luiz Felipe d’Avila, de boa interlocução com o tucano.

Nos próximos dias, o plano é que o presidente do PSDB paulista, Pedro Tobias, e o presidente da Assembleia, Cauê Macris, procurem o governador com o pleito. Conselheiros do prefeito paulistano dizem que, ficando apenas o ex-senador José Aníbal nas prévias, crescem as chances de ele desistir.

Em ato no diretório estadual, nesta segunda, aliados de Doria entregaram um pedido de inscrição do tucano nas prévias. Eles colheram o dobro de assinaturas necessárias para inscrevê-lo – 1.704 dos 3.600 delegados estaduais do PSDB, ou 47% do total endossaram a iniciativa.

Com isso, procurou-se contar a narrativa a qual Doria foi aclamado candidato e, atendendo a pedidos, aceitou. “Aceito essa condição”, disse. “Vamos juntos para a vitória e contribuir para dar ao Brasil o presidente chamado Geraldo Alckmin.”

Para tentar obter um gesto simpático de Alckmin, estrategistas do prefeito argumentam que o governador sairá como derrotado se não atuar. Dizem que o calendário de prévias adotado era favorável a Doria e contrariou interesse do próprio Alckmin. Portanto, afirmam, se o governador resolver ajudar o prefeito a acabar com as prévias, ele, em vez de derrotado, ficará como credor.

Pela demora de Alckmin para entrar em campo, o entorno de Doria teme que o governador adote a mesma postura na campanha e não apenas não ajude o prefeito como ainda seja simpático ao seu vice-governador, Márcio França (PSB).

Aliados de Doria reconhecem que a relação com a equipe de Alckmin e com o próprio ficou desgastada com as movimentações frustradas do tucano para se viabilizar candidato à Presidência. Teme-se que o prefeito volte a mirar o Planalto se houver brecha.

Para passar confiança, Doria insistirá que o governo paulista é o seu único plano.

‘João Trabalhador’

Com boa parte dos secretários municipais e assessores no ato no PSDB desde pelo menos as 17h, adversários do tucano ironizaram o fato de a prefeitura ter se esvaziado para lançar o prefeito candidato mais uma vez.

No diretório, militantes vestiram camisetas pedindo Doria governador e cartazes ressuscitaram a marca “João trabalhador” da campanha do tucano à Prefeitura de São Paulo, em 2016.

Líderes tucanos presentes ao ato trataram de elogiar o vice-prefeito Bruno Covas (PSDB), que assumirá o posto, e sublinhar que a decisão de lançar Doria partiu da militância. Cauê Macris e Bruno Covas entoaram o mote “Aceita, João”. “João Doria é um trabalhador e vai deixar em seu lugar Bruno Covas, que orgulha a todos nós”, disse o prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando (PSDB).

“Candidatura majoritária não é vontade pessoal, é coletiva”, disse o deputado federal Ricardo Tripoli. “Você tem hoje o grande desafio de aceitar a vontade da maioria partidária”, afirmou a Doria.

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