051743

Seu app Gazeta do Povo está desatualizado.

ATUALIZAR

PUBLICIDADE
  1. Home
  2. Política
  3. República
  4. Eleições 2018
  5. “Erros memoráveis” do PSDB prejudicam candidatura Alckmin, diz cacique tucano

Eleições

“Erros memoráveis” do PSDB prejudicam candidatura Alckmin, diz cacique tucano

Ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati afirma que partido cometeu “conjunto de erros” depois da eleição de 2014. Entre eles, ter aderido ao governo Michel Temer após o impeachment

  • Fortaleza
  • Estadão Conteúdo
 | Marcos Oliveira/Agência Senado
Marcos Oliveira/Agência Senado
 
0 COMENTE! [0]
TOPO

O senador Tasso Jereissati, ex-presidente nacional do PSDB e presidente do Instituto Teotônio Vilela, braço teórico do partido, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que os tucanos cometeram um “conjunto de erros memoráveis” após a eleição de Dilma Rousseff (PT), com reflexos para o próprio PSDB nas eleições deste ano.

O experiente político cearense, que lançou Ciro Gomes (PDT) na política, enumerou três equívocos de avaliação do partido: contestar o resultado da eleição de 2014; fazer oposição cega ao governo petista no Congresso, votando contra projetos de interesse do país; e ter aderido ao governo Michel Temer após o impeachment de Dilma.

Esses erros, segundo Jereissati, agora prejudicam a campanha eleitoral de Geraldo Alckmin (PSDB) a presidente da República. Leia a seguir, os principais trechos da entrevista:

Como avalia a trajetória recente do PSDB?

O partido cometeu um conjunto de erros memoráveis. O primeiro foi questionar o resultado eleitoral. Começou no dia seguinte (à eleição). Não é da nossa história e do nosso perfil. Não questionamos as instituições, respeitamos a democracia. O segundo erro foi votar contra princípios básicos nossos, sobretudo na economia, só para ser contra o PT. Mas o grande erro, e boa parte do PSDB se opôs a isso, foi entrar no governo Temer. Foi a gota d’água, junto com os problemas do Aécio (Neves). Fomos engolidos pela tentação do poder.

Qual o impacto da gravação da conversa entre Aécio e Joesley Batista (dono da JBS, em que acertam repasse de R$ 2 milhões para pagar advogados do tucano)?

Altíssimo. Esse episódio simboliza todo esse desgaste que tivemos. Desde o dia seguinte à eleição da Dilma, quando fomos questionar o resultado, o símbolo mais eloquente para a população foi o episódio do Aécio. Ele deveria ter se afastado logo da presidência do PSDB.

O ex-governador Geraldo Alckmin ainda não decolou nas pesquisas, apesar de ter mais tempo de TV. Qual sua avaliação?

Até a última pesquisa ninguém se deslocou muito. O próprio (Jair) Bolsonaro subiu um pouco depois do atentado em Juiz de Fora, mas não muito. Com a saída do Lula, parte dos votos dele migrou para outros candidatos, mas principalmente para o (Fernando) Haddad, que foi quem mais cresceu olhando em média as duas pesquisas mais recentes. A partir de agora, com a saída definitiva do Lula do cenário eleitoral, vamos ter, realmente, uma mudança mais consistente no comportamento do eleitorado.

Acredita que o PSDB já deve apelar ao voto útil para levar Geraldo Alckmin ao segundo turno?

Acredito que sim. E agora. Tem muito antipetista votando no Bolsonaro porque não quer a volta do PT.

Como a prisão do ex-governador Beto Richa e a operação da Polícia Federal de busca contra o governador Reinaldo Azambuja, ambos tucanos, também prejudicam a campanha do Alckmin?

Prejudica, sem dúvida. Mas boa parte disso está no preço. O desgaste do PSDB começa a partir dos episódios da gravação do Aécio. Começou ali e continuou. Como nós não tomamos as medidas necessárias naquele cenário, era previsível que o desgaste do PSDB iria perdurar e teria consequências graves nas eleições. O desgaste do PSDB vem dali. As pessoas estão vendo mal o PSDB. (Leia sobre a prisão de Richa aqui)

Qual o tratamento que o PSDB deve dar a Beto Richa?

Não confrontamos nem questionamos decisões judiciais. Nem passamos a mão na cabeça de quem a Justiça considera culpado. Tendo culpa, tem que pagar.

Com tudo isso, quais as chances de Alckmin no Nordeste?

Aqui no Ceará é mais difícil que no Nordeste de uma maneira geral. Além do Lula, que inegavelmente é muito popular, temos o Ciro (Gomes, do PDT), que é cearense. Mas ele (Alckmin) tem possibilidade de crescer. Não será um crescimento que supere o Lula ou Ciro, mas deve ter um porcentual maior.

O sr. lançou o Ciro na política. Como avalia o papel do pedetista nesta campanha?

O Ciro de hoje é muito diferente do Ciro de ontem. Ele traçou o caminho dele, que eu discordo. Aqui no Ceará ele está sendo profundamente inconsistente e incoerente com sua trajetória política. A mais feroz das críticas dele é dirigida do MDB. Aqui, no Ceará, ele e o presidente do Senado (Eunício Oliveira) estão unidos.

Acredita em uma transferência forte de votos do Lula para o Haddad no Ceará?

Essa é a grande questão. Aqui você tem no mesmo palanque do governador do PT (Camilo Santana) 99% dos prefeitos, a máquina e o apoio do governo federal. Eunício é o homem do Temer aqui, e ele está ajudando o Camilo. Qualquer nomeação federal aqui passa por ele. Tem político ligado a nós que, de repente, foi para o lado de lá. O candidato majoritário é PT. Como ele vai fazer? Essa é a pergunta que fica no ar. Com Lula era fácil. Mas, e agora que o Haddad é o candidato oficial? O PT não tem estrutura forte aqui. Quem tem é o grupo dos irmãos Ferreira Gomes. Camilo vai fazer campanha para o Haddad? Fica essa hipocrisia e os petistas fazem vista grossa.

8 recomendações para você

deixe sua opinião

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O jornalismo da Gazeta depende do seu apoio.    

Por apenas R$ 0,99 no 1º mês você tem
  • Acesso ilimitado
  • Notificações das principais notícias
  • Newsletter com os fatos e análises
  • O melhor time de colunistas do Brasil
  • Vídeos, infográficos e podcasts.
Já é assinante? Clique aqui.
>