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Eleições

Governadores do PSB boicotam Joaquim Barbosa e candidatura esfria

Impasses regionais prejudicam negociação entre o ex-ministro do STF e a legenda. Caciques locais pregam neutralidade na eleição nacional a fim de construir alianças locais

  • São Paulo
  • Estadão Conteúdo
A pouco menos de um mês para o fim do prazo de filiação partidária, ex-presidente do STF Joaquim Barbosa e o PSB vivem impasse sobre disputa presidencial. | Valter Campanato/Agencia Brasil
A pouco menos de um mês para o fim do prazo de filiação partidária, ex-presidente do STF Joaquim Barbosa e o PSB vivem impasse sobre disputa presidencial. Valter Campanato/Agencia Brasil
 
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O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa ainda espera um sinal mais consistente do PSB sobre sua eventual candidatura ao Palácio do Planalto para decidir se ingressa na legenda. O partido, por outro lado, insiste que Barbosa precisa primeiro se filiar e, depois, viabilizar seu nome para a disputa presidencial. O impasse esfriou a negociação da sigla com o ex-ministro do STF.

Aliados que estiveram recentemente com Barbosa avaliam que ele aceita assinar a ficha de filiação dentro do prazo legal, dia 7 de abril, mesmo sem ter a garantia de candidatura. Mas não tomará a iniciativa sem uma “segurança mínima”. Há mais de um mês, porém, a cúpula do PSB não o procura. O ex-ministro tem acompanhado pela imprensa os movimentos da legenda, que em sua convenção recuperou as diretrizes de centro-esquerda.

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A executiva do PSB abandonou a ideia de subir no futuro palanque do governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, e ainda mantém a porta aberta para ter uma candidatura própria. Segundo a reportagem apurou, no entanto, a posição majoritária da legenda hoje é ficar neutra na disputa pelo Planalto para facilitar a construção de alianças regionais, considerada a prioridade total. A “opção Barbosa” esbarrou nos interesses do PSB em Pernambuco, no Distrito Federal e em outros estados.

Discrição nas conversas políticas

Com residência fixada no Rio, Barbosa passa também temporadas em Brasília e em São Paulo por causa de seu trabalho como advogado parecerista, ofício que passou a exercer após se aposentar e deixar o Supremo.

Num estilo adequado à sua personalidade, o ex-ministro tem adotado uma postura bastante discreta nas conversas políticas. Segundo um interlocutor próximo, ele não quer “fazer barulho” sobre sua pretensão por ora. Também oscila entre o ceticismo em relação ao projeto presidencial com o PSB e a desconfiança sobre a capacidade do partido de se unir e ter uma estrutura competitiva para a eleição.

O deputado federal Júlio Delgado (MG), líder do PSB na Câmara, reconhece que a executiva pessebista esfriou o diálogo com o ex-ministro do STF. “Não desistimos do Barbosa, mas ele está se sentindo como aquele que foi convidado para jantar, mas não recebeu o endereço”, disse. Segundo o parlamentar, a última conversa pessoalmente com Barbosa foi antes do carnaval. Depois disso, eles se comunicaram mais duas vezes por meio do WhatsApp.

Delgado relatou que na convenção do PSB a juventude do partido queria puxar um “grito de guerra” em defesa da candidatura de Barbosa e ele cogitou apresentar uma moção nesse sentido, mas o movimento foi barrado pela cúpula.

Para o líder do PSB, Barbosa precisa tomar a iniciativa e se filiar à legenda mesmo sem ter garantias. “O jogador só pode jogar a Copa do Mundo se estiver inscrito. Não se trata de uma filiação de risco. Se ele se filiar, tenho certeza de que esse gesto por si só vai viabilizá-lo.”

Segundo Delgado, o ex-ministro não precisa se preocupar com a possibilidade de disputar prévias. “Não existe isso no PSB”, afirmou.

Pressão de governadores

Em dezembro do ano passado, uma comitiva de deputados federais do partido visitou o ex-ministro no escritório dele no Itaim-Bibi, na zona oeste da capital paulista. Na ocasião o ex-presidente do Supremo disse que estava “atento aos prazos eleitorais” e também fez consultas sobre o “campo de alianças” da sigla.

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Os parlamentares deixaram o encontro convencidos de que Barbosa estava construindo uma “pauta de presidenciável” e acompanhando de perto os principais temas nacionais. Os deputados relataram a ele a crença de que uma candidatura de “alguém de fora da política” teria “muito êxito” na próxima disputa presidencial.

Mas, desde então, a opção Barbosa perdeu força no PSB por pressão principalmente dos governadores Rodrigo Rollemberg (Distrito Federal), Paulo Câmara (Pernambuco) e Ricardo Coutinho (Paraíba), que pregam neutralidade na disputa nacional. Isso facilitaria a construção das candidaturas regionais.

“Joaquim Barbosa teve contato com o partido, provavelmente, por iniciativa dele. Foi dito a ele que se filiasse e se submetesse ao ritual. O partido tem uma dinâmica. Não é uma decisão de cúpula. Decisão será em junho”, disse o ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda, pré-candidato do PSB ao governo de Minas Gerais.

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