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entrevista

Marina sobre o PT e Bolsonaro: a ‘cruz da corrupção e a espada da violência’

Candidata a presidente da Rede recusa proposta de união dos candidatos de centro, mas vê risco de o país virar uma Venezuela se eleger o PT ou Bolsonaro

  • Fernando Martins
Marina: “Nós temos um exemplo na nossa frente [do que resulta da mistura de autoritatismo com populismo], que é a Venezuela”. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Marina: “Nós temos um exemplo na nossa frente [do que resulta da mistura de autoritatismo com populismo], que é a Venezuela”. Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
 
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A candidata a presidente pela Rede, Marina Silva, recusou a proposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) de que os presidenciáveis de centro se unissem em torno de um único nome para evitar a vitória dos dois extremos da política: Jair Bolsonaro (PSL) e o PT de Fernando Haddad

Segundo ela, é a sociedade brasileira que tem de fazer essa escolha. Ainda assim, Marina vê com preocupação essa polarização: “Não podemos ficar entre a cruz e a espada. Nem a espada da violência [Bolsonaro], nem a cruz da corrupção [o PT]”, diz a candidata em entrevista à Gazeta do Povo neste domingo (23). E alerta para o risco de o país virar uma Venezuela.

Na entrevista, Marina ainda analisa por que o país chegou à polarização radical dos dias atuais. Coloca-se como alternativa para unificar o país. “Nós podemos ter um governo que faça sem roubar e que seja capaz unir o país em vez de esgarçar ainda mais as relações [sociais].” Explica o que seria o seu governo. E defende-se de críticas, com a de que diz que “vai fazer o debate” para tudo: “Essa história de que tudo é para debate é uma estratégia de desconstrução [de imagem]”.

Confira a entrevista completa, concedida neste domingo pela candidata da Rede, em Curitiba (PR):

A senhora recusou a proposta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de uma união das candidaturas de centro contra os dois extremos da política. Disse que o PSDB não poderia querer impor o figurino, uma “roupa pronta” [quem seria o candidato da união; FHC indicou que o nome natural para unificar as candidaturas seria o tucano Geraldo Alckmin]. Mas existe ainda alguma possibilidade de haver uma união das candidaturas de centro, com outro nome, contra os dois extremos, representados por Jair Bolsonaro (PSL) e o PT [com Fernando Haddad]?

Marina Silva: A sociedade brasileira é quem vai fazer esse movimento, escolhendo aquela candidatura que esteja pronta para unir o Brasil e para fazer um governo com base naquilo que a população de fato quer ver resolvido: o problema do desemprego, da saúde, da educação, da ética, de um governo que use corretamente os recursos da população. As pesquisas não podem impor um plebiscito à sociedade brasileira. A finalização do processo [eleitoral] se dá no dia 7 de outubro. E nós vamos disputar [o primeiro turno], respeitando os projetos políticos que estão postos, mas defendendo o projeto político que eu e o Eduardo [Jorge, candidato a vice] acreditamos que é o melhor para o país. Neste momento, o que o país precisa é dar férias para aqueles que criaram os problemas. O PT, o PSDB, o PMDB [rebatizado de MDB], o DEM já tiveram suas oportunidades. E, infelizmente, estão entregando um país pior do que encontraram. As coisas boas foram diminuídas e as ruins, aumentadas. A sociedade tem a chance de mudar de verdade, apesar de tudo o que eles fizeram para evitar que haja mudança: diminuir o tempo de [propaganda eleitoral na] televisão, diminuir os recursos [Marina se refere à minirreforma eleitoral que, segundo analistas, criou regras que dificultam a renovação na política].

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Por que a senhora acha que o Brasil está pendendo para os dois lados dos extremos? Por que o discurso moderado, do diálogo, não está sendo efetivo? 

A cultura de polarização, de certa forma, está impregnada na história brasileira: colônia/metrópole, império/república, ditadura/democracia, Arena/MDB, PT/PSDB. Isso está no imaginário brasileiro. Mas isso foi sendo manipulado porque, em vez de fazer o debate em torno de propostas e ideias, passou a interessar a determinados grupos políticos fazer “galeras” em torno de cores. Um dia desses eu vi uma entrevista longa em que três cientistas políticos e uma jornalista ficaram um bom tempo do início do entrevista discutindo se quem ia para o segundo turno era o azul junto com o vermelho. O conteúdo do vermelho e do azul não estava em discussão – num país que tem os indicadores que nós temos, por exemplo, na segurança pública, com 63 mil mortos por ano. Convenhamos, é um empobrecimento da política. E esse empobrecimento se expressa em todas as eleições. É uma “tecnologia” do PT e do PSDB: [colocar tudo em termos de] quem vai privatizar e quem não vai privatizar? Quem é pró-Estado e quem é pró-mercado? E ninguém abre o plano de governo de ninguém para ver o que tem embaixo. A sociedade brasileira vem tentando gradativamente quebrar a polarização: em 2010, eu tive 19 milhões de votos; em 2014, 22 milhões de votos. Mas, agora, é como se a polarização tivesse se fragmentado porque surgiu outro grupo, que é o grupo do Bolsonaro. E isso aconteceu num ambiente em que a sociedade está muito decepcionada. Num primeiro momento, aqueles que fazem o discurso fácil do populismo de direita e do populismo de esquerda podem até ter algum apelo. Mas a sociedade está vendo, com certeza, que o caminho não é o de se enganar novamente como se enganou com as falsas promessas de 2014 e nem de acreditar que existe uma mágica que seja feita. Porque a mágica mais forte proposta pelo candidato Bolsonaro é que, se cada pessoa tem uma arma na mão, resolve-se o problema da segurança e da desordem. Ele próprio não conseguiu se defender de uma arma branca, mesmo estando cercado de [policiais] federais, cercado de seguranças pessoais, cercado de PMs.

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A senhora fala que esses candidatos tratam de problemas complexos com soluções simplistas. Uma das críticas que costuma lhe ser dirigida é que a senhora propõe demais que a sociedade faça o debate dessas questões. E que, quando tentam lhe tirar uma resposta mais assertiva, diz que é um assunto para discutir com a sociedade. Como a senhora vê essas críticas? Elas fazem parte desse contexto de polarização [empobrecimento do debate político e falta de diálogo]? 

Primeiro: essa história de que tudo é para debate é uma estratégia de desconstrução [de minha imagem]. Eu falei, uma vez, que nós íamos debater com especialistas a idade mínima para aposentadoria [foi durante a entrevista de Marina Silva no Jornal Nacional]. Era sobre um item da reforma da Previdência. Qual candidato apresentou uma idade mínima? Ninguém apresentou. Mas eu digo que vou discutir com os especialistas – e é correto que se faça o debate – e isso é generalizado para tudo. Nós temos propostas para saúde, educação, segurança pública, para primeira infância, para a retomada do crescimento, para a geração de energia... Mas um aspecto é generalizado. Isso também faz parte do empobrecimento da política. Porque é a política ao arrepio da realidade, da verdade. E isso vai sendo vocalizado o tempo todo. Faz parte da estratégia de desconstrução porque o mesmo não é cobrado dos partidos da polarização. E essa generalização não é feita para os partidos da polarização. Nós ficamos, durante oito meses, em segundo lugar [nas pesquisas]. Os jornalistas nem consideravam a nossa candidatura. E é engraçado que só começaram a considerar nossa candidatura no contexto das pesquisas quando teve uma oscilação [para baixo]. Enquanto a gente estava em segundo lugar, durante oito meses, as pessoas discutiam quem estava em ‘caudagésimo’ lugar e passaram em cima da gente. Isso é favorecer a polarização porque não querem que prospere nenhuma alternativa da sociedade que seja autônoma, que não esteja dentro dos cânones do PT, do PSDB, do PMDB e do DEM. Ou seja, que não esteja dentro da quadratura daqueles que querem acabar com a Lava Jato. Essa é a verdade.

No último Datafolha*, a senhora aparece com 7% das intenções de voto, o que é insuficiente para chegar ao segundo turno. Qual será a estratégia da sua campanha daqui para frente para modificar esse cenário que hoje não a coloca no segundo turno?

Ampliar cada vez mais a nossa mensagem para que mais pessoas possam aceitá-la. Há uma quantidade ainda bem grande de pessoas que ainda não decidiram seu voto. E o fato de haver intenção de voto para uma ou outra candidatura ainda não é o voto.

Como conquistar esse voto?

Nós vamos continuar defendendo as nossas propostas. Na saúde, por exemplo. O Eduardo [Jorge] é o idealizador do Sistema Único de Saúde [SUS], a pessoa que [como deputado] aprovou a Lei dos Genéricos. Nós temos uma proposta para resolver o problema das saúde. É uma das coisas que mais preocupa as mulheres, pois são elas que levam os filhos para vacinar. São elas que precisam do médico na hora da gravidez, na hora do parto, na hora de elevar um idoso. Nós vamos dividir o país em 460 regiões com uma autoridade sanitária de saúde nacional, estadual e municipal – eleita por concurso para que a gente possa restruturar o Sistema Único de Saúde. Vamos dar atenção à saúde da família. Vamos evitar a fragmentação da saúdem com uma maternidadezinha, um hospitalzinho: isso faz com que você até tenha médicos [nessas unidades], mas não equipamentos. Nós vamos dar racionalidade ao sistema de saúde. Vamos melhorar o atendimento, para que ele seja rápido, eficiente e humano.

Vamos também focar na educação de qualidade, com o atendimento à primeira innfância, com cobertura de creches para crianças de 0 a 3 anos. Temos hoje uma cobertura em torno de 30% [da demanda]. Nós vamos ampliar para 50%, criando 2 milhões de vagas em creches. E também há o ensino fundamental: as crianças precisam estar na escola, precisam ter diploma de segundo grau [ensino médio]. Nosso compromisso é com a infância. 

E tem também a segurança. E o problema de fazer o país voltar a crescer. Hoje o grande problema do país é o desemprego. 

É dessa forma que nós vamos ampliar nossa mensagem. E fazendo o debate político. Nós não podemos ficar divididos entre os dois extremos. De um lado é a espada da política pensando no ódio, no preconceito, na força. Do outro, a cruz conivência com a corrupção. Não podemos ficar entre a cruz e a espada. Nem a espada da violência, nem a cruz da corrupção. Nós podemos ter um governo que faça sem roubar e que seja capaz unir o país em vez de esgarçar ainda mais as relações [sociais].

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A senhora citou muito as mulheres, as mães... Falou de projetos voltados para elas. No último sábado (22), entrou com um pedido de investigação contra Bolsonaro pelo ataque ao grupo de Facebook “Mulheres Unidas contra Bolsonaro” [no último dia 14, a página, que tem milhões de mulheres participantes, foi invadida por hackers e teve seu nome modificado para “Mulheres com Bolsonaro”]. Há um foco maior nas mulheres nessa fase de campanha?

No caso das creches e de combater o preconceito e a violência contra as mulheres, é um compromisso político, ético, social e cultural. E, no caso de entrar na Justiça para que haja uma investigação, é para saber quem foram os responsáveis por esse crime. Isso é defender um princípio, o princípio da democracia. Se tivesse sido contra um grupo de homens, também deveríamos entrar na Justiça. Porque as pessoas têm o direito de se organizar e manifestar suas opiniões.

O pedido de sua campanha é para que a candidatura de Bolsonaro seja cassada ou que o diploma de eleito não seja concedido caso ele vença a eleição...

Qualquer coisa que viole os direitos das pessoas de forma criminosa, num processo político-democrático, é inaceitável. É uma violação de nosso direito constitucional de livre manifestação. Alguém que faz isso por razões políticas está cometendo dois crimes: além de violar o direito constitucional, tenta interferir ilegalmente no processo eleitoral. Mas vai haver uma investigação. É a Justiça que vai dizer a gravidade do crime e o tamanho da pena.

Caso seja eleita presidente, qual é o problema mais grave que a senhora pretende enfrentar logo no início de seu mandato?

O mais grave é um país estagnado, com 13 milhões de desempregados, 4 milhões que já desistiram de procurar emprego e 27 milhões que estão vivendo uma situação de penúria – somando todos, inclusive os que estão na informalidade. Numa situação como essa, todos os demais fatores são agravados: a saúde das pessoas, a segurança, tudo... 

Mas o mais grave é o que levou a essa situação. É a crise política, a degradação política, a institucionalização da corrupção dentro das entranhas das instituições públicas. O Brasil não saiu do pleno emprego para essa situação em função de uma catástrofe; foram decisões políticas erradas. E há algo ainda mais grave: uma espécie de tentativa de cauterização da consciência coletiva, de que se deve ser conivente com a cultura do “rouba mas faz”, do “rouba mas é de direita”, do “rouba mas é de esquerda”, do “rouba mas faz reformas”.

Como enfrentar isso?

Primeiro, um novo padrão de política. Quebrar o ciclo vicioso de poder, do “rouba mas faz”, dos projetos de poder pelo poder que caracterizaram os governos que assumiram depois que a gente conquistou de novo a possibilidade de escolhermos nossos dirigentes [a redemocratização, em 1985]. PT e PSDB entraram no Palácio do Planalto com projeto para ficar 20 anos ao arrepio da vontade das pessoas. Aí, teve a compra de votos para a reeleição [durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso], o roubo da Petrobras, dos fundos de pensão, da Caixa Econômica, [da hidrelétrica de] Belo Monte, do BNDES [nos governos do PT]. Nós vamos ter um governo de quatro anos. Vamos acabar com a reeleição na reforma política. Vamos fazer isso para que, quem vai para o Palácio, faça as coisas boas para o país e não as coisas boas para a reeleição. É isso que nós vamos fazer. E vamos unir o Brasil em torno de uma agenda que vá além do governo, além do partido. Não vai ser mais o presidencialismo de coalização, com distribuição do governo para que os partidos e os grupos econômicos e políticos privatizem o Estado. Vai ser um governo de proposição, no qual quem vai para o governo é por causa do programa [de gestão]. Para compor o governo e negociar com o Congresso, a referência será o programa.

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A senhora não teme sofrer sabotagem do Congresso, que se acostumou com o sistema de loteamento do governo, de troca de cargos por apoio?

Depois de tudo o que aconteceu no Brasil, de tudo o que foi revelado pela Lava Jato, depois de termos sido o país do pleno emprego e de estarmos com 27 milhões de pessoas em situação de penúria, depois de termos perdido boa parte dos ganhos sociais que havíamos alcançado, depois de os partidos e as lideranças políticas serem totalmente desacreditados e depois de termos uma população à beira do descolamento de alguma perspectiva política que seja gregária, se isso não for feito, o Brasil caminhará para algo muito perigoso. Vai caminhar para processos políticos que misturam autoritarismo com populismo, seja ele de direita ou de esquerda. Nós temos um exemplo na nossa frente [do que resulta desse processo], que é a Venezuela. Se a sociedade brasileira me eleger e a Eduardo [Jorge, candidato a vice], estará respaldando outro caminho. Inclusive será uma chance para que partidos que, no passado, deram grandes contribuições à democracia, à economia e à justiça social possam se recuperar. O PMDB, o PSDB e o PT precisam se reinventar. E nós vamos governar com as melhores pessoas. Há pessoas boas em todos os partidos. Eu vou chamar as pessoas boas [dessas siglas], que ficaram o tempo todo no banco de reserva para que eles possam entrar em cena e possam até mesmo ser uma espécie de cartão de visita de seus partidos. Eu não acho que eles vão sabotar o governo. Chega de os cartões de visita dos partidos serem aqueles que são os piores exemplos em ética e em capacidade técnica. Mas eu não vou chamar só pessoas de partidos. Vou chamar também as pessoas da academia, dos movimentos sociais, do empresariado. Vou chamar quem tem visão e compromisso com o país. E nós vamos recuperar o legado do Plano Real, o legado das boas políticas sociais. E nós vamos combater a corrupção e o fisiologismo.

A senhora citou o Plano Real e as boas políticas sociais. O que esperar de um governo Marina na economia e nas políticas sociais?

Podem esperar a recuperação da credibilidade e legitimidade, para o Brasil voltar a ter investimento e voltar a crescer. Voltando a crescer, a gente recupera o emprego. E isso será feito combatendo a corrupção, com a eficiência do gasto público, com a avaliação de desempenho...

... Avaliação de desempenho das políticas públicas? Do servidor?

Também do servidor. Mas principalmente das políticas públicas, dos projetos. Existem projetos que nem deveriam ter começado. Por exemplo: o projeto de campeões nacionais, que tirou R$ 1 trilhão do BNDES para uma meia dúzia de empresários com um juro baixo, dinheiro barato. Enquanto isso, o governo se endivida com juros altíssimos [para bancar o subsídio do BNDES]. Subsídios desse tipo, não só do BNDES, representam 5% do PIB, enquanto o Bolsa Família, que atende mais de 11 milhões de família, tem 0,5% do PIB. Nós vamos reavaliar essas estratégias. E fazer com que o país volte a crescer. E quando o país cresce e o dinheiro é usado sem corrupção, as políticas sociais também crescem. Vamos criar 2 milhões de vagas em creches. Vamos trabalhar com os professores para que eles tenham plano de carreira. Vamos implantar o Plano Nacional de Educação, a base curricular comum. Vamos fazer a restruturação do Sistema Único de Saúde, para que as pessoas possam ser atendidas, tenham remédios essenciais e não precisem entrar na Justiça para poder receber remédios de alto custo. Manteremos o Bolsa Família. Mas também vamos apostar em educação de qualidade para que as filhas do Bolsa Família não virem mães do Bolsa Família.

O projeto Sol para Todos, que a senhora apresentou para baixar a tarifa de energia por meio do financiamento para o consumidor adquirir painéis solares, foi criticado por alguns analistas. Eles apontam que o subsídio para a compra dos painéis pode onerar os demais consumidores de energia. Como a senhora responde a essas críticas?

Primeiro, nós temos de decidir no que queremos usar o dinheiro dos brasileiros: numa economia que cria um novo ciclo de oportunidades ou na velha economia? Hoje nós damos subsídios para petróleo, carvão e gás. Essa é uma energia cara e que prejudica o meio ambiente. Ou seja, prejudica duas vezes o brasileiro. As pessoas têm de entender que esse tipo de fonte energética está acabando no mundo inteiro. Os investimentos iniciais que se faz em energias renováveis serão só uma alavancagem. Serão um redirecionamento de subsídios. Isso, no início, é necessário. Mas, depois, [o novo modelo energético] se tornará totalmente independente. Hoje, a energia eólica [dos ventos] já é altamente competitiva. A energia solar também vai se tornar competitiva e criará uma nova base tecnológica. Tudo isso vai gerar novos empregos e serviços. Uma coisa é você fazer investimento em algo que está morrendo e ajudando a matar o planeta; outra coisa é você fazer investimento em algo que está florescendo. O mundo vai investir US$ 10,2 trilhões em energia; desses, US$ 7,4 trilhões será em energia renovável [os dados são do relatório New Energy Outlook, feito pela Bloomberg New Energy Finance, e se referem aos investimentos em energia em todo o mundo até 2040]. O Brasil tem as melhores condições entre os países para investir em energias renováveis; não pode ficar investindo em diesel, carvão, petróleo e gás.

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A senhora é muito dedicada à questão ambiental. Como vê o debate eleitoral sobre o meio ambiente?

No nosso programa, essa questão é central. Economia e ecologia, para nós, não se separam. Mas as outras candidaturas são desenvolvimentistas – seja pelo viés de esquerda, de direita ou de centro.

Metodologia da pesquisa Datafolha

*A pesquisa Datafolha que coloca Marina Silva com 7% das intenções de voto ouviu 8.596 brasileiros entre 18 e 19 setembro, em todos as regiões. O levantamento, contratado pela Rede Globo e pela Folha de S.Paulo, tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O grau de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrado no TSE: BR-06919/2018.

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