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assumir erros

Novo coordenador de campanha clama por autocrítica do PT durante segundo turno

Senador eleito pela Bahia, Jaques Wagner diz que um certo grau de autoanálise “não faz mal a ninguém” e tende a aproximar as pessoas

  • Brasília
  • Débora Álvares
Jaques Wagner, senador eleito pela Bahia. | Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
Jaques Wagner, senador eleito pela Bahia. Ricardo Stuckert/Fotos Públicas
 
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Novo coordenador da campanha presidencial de Fernando Haddad, o senador eleito Jaques Wagner (PT-BA) quer trazer, nas próximas duas semanas, um pouco de autocrítica ao partido. “Não faz mal a ninguém admitir erros. Aproxima as pessoas”, afirmou, sem detalhar, porém, em que seara e em que nível de detalhes se dará esse novo discurso.

A reflexão faz parte de um momento inédito aos petistas na campanha, que têm preferido um discurso de vitmismo. “Isso já deu. O eleitor já cansou de ouvir sobre perseguição e golpe”, emendou o ex-governador baiano de 2007 a 2015. Ele também foi ministro da Casa Civil (2015-2016) e da Defesa (2015) de Dilma .

Esse movimento é defendido por Wagner desde o primeiro turno, quando se dedicou mais a sua campanha na Bahia para o Senado. Eleito com mais de 4,2 milhões de votos, assumiu já no domingo à noite a frente da coordenação da equipe de Haddad. E deu início a uma renovação. Não apenas colocou em prática o que já estava previsto - diminuir a presença de Lula -, mas está se empenhando em trazer o eleitor de centro e de direita para o lado do PT.

PT busca apoio de tucanos consagrados

O senador eleito pretende contar com aliados inicialmente estranhos à esquerda que o partido representa, mas totalmente casados com o discurso contrário a Jair Bolsonaro (PSL). Nesse caso, um dos principais nomes é Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do PSDB.

O partido não fechou uma aliança formal com o PT. Os tucanos estão divididos: candidato ao governo de São Paulo, João Doria está com Bolsonaro, mas um grupo almoçou ontem com Haddad e divulgou uma nota de apoio ao petista. Já nomes relevantes da legenda, como o ex-presdidente FHC estão dialogando com a campanha do PT.

“Em prol da democracia. Porque o que Bolsonaro representa e retrocesso. E nesse momento, a luta é pelo país”, destacou Jaques Wagner.

LEIA TAMBÉM:Haddad não é mais Lula: agora é “o cara casado, tranquilo que toca violão”

Na campanha petista há quem fale até em ter “uma foto com FHC”, no estilo da foto tirada por Haddad e Lula com Paulo Maluf, em 2012, na ocasião da disputa à Prefeitura de São Paulo - vencida pelo atual presidenciável. A imagem gerou diversas reações e acabou sendo um tiro no pé do PT à época, mas garantiu o apoio do PP à Haddad no primeiro turno daquela eleição municipal.

Hoje o contexto é outro. Uma aliança formal com Fernando Henrique, ou uma manifestação oficial de apoio de intelectuais de sua envergadura, avaliam integrantes da campanha próximos de Haddad e Jaques, dariam outro tom ao discurso e, isso sim, seria capaz de conseguir trazer alguns votos da direita e do centro. “Muito mais que a troca da cor ou apagar a imagem de Lula da foto oficial”, disse um petista.

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Lula e Haddad com Paulo Maluff em 2012: foto durante a campanha para prefeitura de São Paulo causou mal estar com a vice da chapa à época, Luiza Erondina.

Apesar de 16 pontos percentuais atrás de Bolsonaro na primeira pesquisa de intenção de voto divulgada após o primeiro turno - o Datafolha de quarta (10)* mostrou Bolsonaro com 58% dos votos válidos e Haddad com 42% -, o clima na campanha petista é de otimismo.

Esse é o espírito de Jaques Wagner. Ele é o político carismático que chegou para mudar o estilo de Haddad, mostrar o homem por trás de Lula, o intelectual capaz de ser presidente.

“Ninguém esperava uma mudança radical nesse início. Estamos em dias de ajustes técnicos. Agora vamos começar as ver os resultados reais do que precisamos colocar no lugar”, afirmou o coordenador da campanha petista.

Nem tudo são flores

Fernando Haddad precisou percorrer um caminho longo para se desvencilhar da blindagem a Lula imposta por petistas que não o engoliam. Caso da presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Agora, eleita deputada federal pelo Paraná, ela queria para si o cargo de coordenadora da campanha - como desejava já no primeiro turno. “Como também quis ser a substituta de Lula”, ironizou um nome do partido.

“Mas ela não tem capital eleitoral. Fez downgrade de mandato. E também não tem política, não dialoga com ninguém”, completou outro quadro histórico da legenda.

DESEJOS PARA O BRASIL: Formar cidadãos éticos para um mundo em transformação

A senadora foi eleita a deputada federal com pouco mais de 212 mil votos. Com ideias radicais muito antes do ex-presidente Lula ser preso, tem sido vista dentro da sigla como um risco à continuidade do PT. “E provocando brigas em todas as grandes reuniões”, contou um outro dirigente, que avalia a atitude da petista como ciúme de Jaques Wagner. “Ele é carisma puro e vai tomar o lugar dela possivelmente até no partido ano que vem”, falou em tom de torcida.

* Pesquisa realizada pelo Datafolha de 10/out a 10/out/2018 com 3.240 entrevistados (Brasil). Contratada por: REDE GLOBO E FOLHA DE SÃO PAULO. Registro no TSE: BR-00214/2018. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Confiança: 95%.

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