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sucessão presidencial

O lado B do Datafolha: 8 pontos que ninguém deu atenção e que podem mudar eleição

Primeira pesquisa após a prisão do ex-presidente Lula traz informações cruciais para definir os rumos da campanha e, eventualmente, a disputa pelo Planalto

  • Curitiba
  • Fernando Martins
  • Atualizado em às
 | Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
 
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Primeira sondagem eleitoral realizada após a prisão do ex-presidente Lula (PT), a pesquisa Datafolha divulgada no domingo (15) ficou marcada por quatro aspectos: a queda nas intenções de voto do petista após o encarceramento; o crescimento de Joaquim Barbosa (PSB) e de Marina Silva (Rede); a estagnação de Jair Bolsonaro (PSL); e o fraco desempenho de Geraldo Alckmin (PSDB).

Mas o Datafolha tem uma série de outros dados que pouca gente viu e que ajudam a entender como a sucessão eleitoral possivelmente se desenrolará. Por exemplo: o apoio de Lula pode levar outro candidato ao segundo turno, mas também ameaça tirar a chance de vitória desse concorrente. E mais: quais regiões Lula vence e em qual delas perde? Qual o segmento do eleitorado mais lulista? E o mais bolsonarista? E também: que candidatos têm maior potencial de crescer?

A Gazeta do Povo elaborou uma lista com oito pontos do Datafolha que quase ninguém prestou atenção, mas que podem mudar o rumo da campanha e definir a eleição.

Veja infográfico com os principais dados da pesquisa Datafolha

1) Ter o apoio de Lula é como ganhar na loteria? Só no 1.º turno. No 2.º, a história é diferente...

Um dos resultados mais comentados da pesquisa Datafolha é que dois a cada três eleitores de Lula (PT) dizem que votariam no candidato indicado pelo ex-presidente se ele não puder concorrer na eleição. Como o petista tem entre 30% e 31% das intenções de voto, isso significaria cerca de 20% dos votos. Numa eleição com tantos candidatos, pode ser um porcentual suficiente para levar alguém ao segundo turno.

Dentre os eleitores em geral, o porcentual é ainda maior: 30% dizem que votariam com certeza no candidato apoiado pelo petista. Esse patamar de votos colocaria o candidato de Lula no segundo turno.

Mas o toque de Midas de Lula só teria valor no primeiro turno. No segundo, é provável que uma “maldição” se abatesse sobre esse candidato. Isso porque o mesmo Datafolha indica que 52% dos eleitores dizem que não votariam de jeito nenhum num candidato apoiado pelo ex-presidente. Esse patamar de rejeição inviabilizaria a vitória desse concorrente. Qualquer porcentual acima de 50% (metade do eleitorado) impede que alguém se eleja presidente.

LEIA TAMBÉM: Maioria dos eleitores acha justa prisão de Lula

2) Só um candidato não tem chance nenhuma de vitória

Falando em candidaturas inviáveis, um único nome colocado na pesquisa Datafolha não tem nenhuma chance de vitória: o presidente Michel Temer (MDB). A rejeição a Temer é de 64% dos eleitores. Todos os demais candidatos têm rejeição abaixo da metade do eleitorado – e, teoricamente, chances de vitória.

Temer, aliás, também é um péssimo cabo eleitoral: 86% dizem que não votariam em nenhuma hipótese no candidato que ele venha a apoiar.

Com esses dados em mãos, é provável que Temer desista de sua candidatura. E qualquer candidato que seja viável eleitoralmente não queira seu apoio em hipótese alguma.

3) Joaquim Barbosa e Alvaro Dias são os que mais têm chance de conquistar novos eleitores

O índice de rejeição mostra o potencial de crescimento na campanha. Quanto mais rejeitado, menos chance tem de conquistar novos eleitores e vice-versa.

Nesse sentido, quem menos pode crescer, depois de Michel Temer, é Fernando Collor (PTC). Ele tem rejeição de 41%. Na sequência, vem Lula – com 36% de eleitores que dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Depois, estão Jair Bolsonaro (PSL, 31% de rejeição), Geraldo Alckmin (PSDB, 29%), Ciro Gomes (PDT, 23%) e Marina Silva (Rede, 22%).

Dentre os principais nomes da pesquisa, Joaquim Barbosa (PSB) é o menos rejeitado, por 12% dos eleitores. Alvaro Dias (Podemos) também tem rejeição baixa: 16%.

SAIBA MAIS: Sem Lula na disputa, brancos e nulos ganham de qualquer um no 1.º turno

4) País seguirá polarizado entre esquerda e direita , mesmo com Lula fora da disputa

Mesmo sem o ex-presidente Lula na disputa eleitoral, o país seguirá fortemente polarizado entre esquerda e direita. A soma das intenções de voto nos concorrentes de partidos de esquerda e centro-esquerda fica ligeiramente acima da soma dos candidatos da direita e centro-direita. Mas há um empate técnico, dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Num dos cenários mais prováveis sem Lula na disputa, os candidatos da esquerda ou centro-esquerda – Marina Silva (Rede), Joaquim Barbosa (PSB), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB) – têm juntos 37% das intenções de voto.

Os concorrentes da direita ou centro-direita – Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Alvaro Dias (Podemos), Fernando Collor (PTC), Henrique Meirelles (PMDB), Rodrigo Maia (DEM), João Amoêdo (Novo) e Flávio Rocha (PRB) – somam 35%.

Os dados indicam que há uma grande chance de o segundo turno da eleição ser disputado entre representantes dos dois polos políticos.

5) Lula perde em uma região brasileira. E vence em outras quatro

O principal polo anti-Lula do país, neste momento, é o Centro-Oeste. Das cinco regiões brasileiras, é a única onde o ex-presidente não lidera. Lá, Jair Bolsonaro (PSL) está à frente, com 25% das intenções de voto. Lula tem 23% – o que significa que há um empate técnico, já que a margem de erro da pesquisa é de dois pontos porcentuais para mais ou para menos.

Lula também não tem vida fácil no Sudeste e no Sul. Está na liderança nas duas regiões, mas numa situação de empate técnico com Bolsonaro: 22% a 18% no Sudeste; e 21% a 18% no Sul.

O petista só tem folga no Norte e no Nordeste. No Norte tem 36% contra 18% de Bolsonaro. No Nordeste, Lula faz impressionantes 51%. Marina Silva (Rede), a segunda colocada nessa região, tem apenas 8% das intenções de voto.

A divisão regional de votos possivelmente levará os candidatos a escolher o vice de uma região em que não estão bem colocados nas pesquisas. Também ajudará a traçar a estratégia de campanha: consolidar o eleitorado onde já está bem ou investir onde vai mal?

6) Candidatos têm bom desempenho na região em que moram. Mas Alckmin...

Quase todos os principais candidatos vão bem na região em que moram ou representam. No Norte, a acreana Marina Silva (Rede) é a terceira em intenções de voto (com 15%), atrás de Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PSL).

O melhor desempenho do paranaense Alvaro Dias (Podemos) e da gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB) é justamente no Sul: ele chega a 16% (terceiro colocado) e ela triplica suas intenções de voto que tem em todo o país (chegando a 6%).

O cearense Ciro Gomes (PDT) é um caso à parte. É o quarto no Nordeste num cenário com Lula (chega a apenas 6%). Mas, se o petista sai da disputa, ele sobe para a segunda posição, com 15%, num empate técnico com Marina – que fica com 16%.

O paulista Geraldo Alckmin (PSDB) talvez seja a principal exceção à regra. É o quinto no Sudeste (com apenas 10%) num cenário com Lula. Sem o petista, não cresce quase nada e fica com 11%, num empate com Joaquim Barbosa (PSB) e atrás de Bolsonaro (19%) e Marina (14%).

O mau desempenho de Alckmin em sua própria região é um sinal de alerta desde já para sua campanha.

7) Alckmin não é bem quisto nem pelo eleitorado “tucano”

A situação de Geraldo Alckmin (PSDB) é tão ruim no Datafolha que até, mesmo entre os “tucanos”, ele não vai bem. Dentre os brasileiros que dizem que o PSDB é seu partido de preferência, apenas 25% escolheriam votar no ex-governador de São Paulo se a eleição fosse hoje. Bolsonaro (PSL) chega a 23% no segmento do eleitorado simpático ao PSDB.

Um dado comparativo mostra como o apoio a Alckmin entre o eleitorado do PSDB é baixo. Lula foi escolhido por 70% dos eleitores que dizem preferir o PT como partido.

LEIA TAMBÉM: Datafolha mostra potencial de Joaquim Barbosa e indefinição para tucanos

8) Lula e Bolsonaro são o exato oposto nos segmentos de renda e escolaridade

Lula (PT) segue soberano no eleitorado de baixa renda e de menor escolaridade. Dentre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos mensais, ele tem 39% contra 11% de Marina Silva (Rede) e 9% de Jair Bolsonaro (PSL). Já entre os brasileiros que têm apenas o ensino fundamental, o ex-presidente tem 38% contra 9% de Marina e 7% de Bolsonaro.

Bolsonaro é o exato oposto. Ele lidera entre os eleitores com ensino superior (21% contra 20% de Lula e 15% de Joaquim Barbosa). E faz 29% no segmento de brasileiros com renda familiar acima de dez salários mínimos. Lula tem 18% de intenções de voto dentre os mais ricos. E Joaquim Barbosa (PSB) vem logo atrás, com 12%.

A divisão de votos por segmento de renda e escolaridade fará os candidatos “calibrarem” seus discurso, sobretudo para conquistar a maior faixa do eleitorado, que hoje está com Lula.

Leia a íntegra da pesquisa Datafolha

Metodologia da pesquisa

A pesquisa Datafolha foi feita entre os dias 11 e 13 de abril. Foram entrevistados 4.194 brasileiros com 16 anos ou mais em 227 municípios brasileiros. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95% – o que significa que, se a pesquisa for realizada com a mesma metodologia 100 vezes, em 95 os resultados estarão dentro da margem de erro. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-08510/2018 e foi encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo.

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